sexta-feira, 25 de junho de 2010

THE SEEDS: RAW & ALIVE/RARE SEEDS

Hoje está todo mundo lembrando a morte do Michael Jackson, mas no mesmo 25 de junho de 2009 outro grande nome da música faleceu - o menino Sky Saxon, líder da banda psicodelica de garagem The Seeds. Então, para evitar qualquer injustiça o Polimorfismo faz questão de preservar a memória desse velhinho da pesada que tão humildemente prestou o inestimável serviço de pôr tanta gente legal no mau caminho. Este disco aqui reune num só CD dois registros dos Seeds: o raivoso álbum ao vivo Raw & Alive e a coletânea de lados-B e outtakes, Rare Seeds. See ya!

sábado, 19 de junho de 2010

METEORANGO KID - O HERÓI INTERGALÁTICO (1969)

Por Luiz Otávio de SantiAs imagens vêm da Bahia, cidade de Salvador. Saído da “boca do inferno”, nome dado aos filmes produzidos no período áureo da estética marginal, na capital baiana, Meteorango retrata a revolta de um rapaz de classe média. Lula é o universitário cuspindo fogo nas tradições, enquanto eriça o gosto pela meta-referência à produção da época e pela pura curtição do fazer cinema. Procedimentos que representam alguma liberdade e que fazem o nosso tempo mergulhar naquele tempo. Demonstrado por mais esta mostra, nosso passado recente, em cinema, tem quase sempre o mesmo endereço: o da “esculhambação” dos pós-novos.

No meio do caldeirão da Tropicália, o filme tem o facho da leitura, a visão fenomênica de compor o painel de época ao misturar improviso, ficção e documentário. A obra é organizada em várias situações distintas, quase sempre envolvidas em humor e escatologia, em exagero e estranhamento. Logo nas primeiras imagens, Lula é o rapaz que anda de trás para a frente, em “câmera a ré”, ou melhor, é o Jesus trepado no coqueiro, que volta à cruz para agonizar.Vemos sangue, suor e suplício em meio aos créditos iniciais, e em seguida aparece a frase “esse filme é dedicado aos meus cabelos”.Lula é o meteorango universitário em busca de aventuras. Um baiano kid que acorda tarde e não faz nada na vida, “um vagabundo”, como diz a doméstica que o desperta todas as manhãs. É um giro pela cidade, é o sonho de matar o pai e a mãe vestido de Batman, é uma referência a Glauber e a Sganzerla, é um soco na câmera, é a roda de fumo na casa do amigo (onde ouvimos “Assim falou Zarathustra”, de Richard Strauss, em 2001, de Kubrick), é a irreverência no velório, quando bate a cinza do cigarro na cara do defunto, é o percurso de Lula de olho nos inventores e de braços abertos para a diversão.

THE STANDELLS: WHY PICK ON ME (1966)

O grupo californiano The Standells é o protótipo da banda punk dos anos 60. Sujos, feios e encrenqueiros, eles eram um bando tão casca-grossa que faziam os Stones parecerem os Monkees. Neste segundo álbum, o legendário grupo angeleno mostra porque nem sempre os bons sujeitos vestem branco e entregam mais um punhado de boas canções - "Mainline", "Why Pick On Me" e a já citada "Sometimes Good Guys Don't Wear White" (gravada pelo Minor Threat nos anos 80) são clássicos. Um disco tão bom que parece uma coletânea.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

ANNA AND THE PSYCHOMEN

Por Pirate Liza
Tocar qualquer estilo musical é difícil, quando não se sabe o que está fazendo, nem tem as influências certas. Tocar qualquer coisa com alguma propriedade requer também uma certa direção, e até o que chamam de "mal tocado" exige de quem toca algo no mínimo harmonioso. Não é simplesmente pegar um instrumento e bater nas cordas. Eu demorei um certo tempo pra chegar a pensar assim, inclusive sobre o punk, mas acho que já estou começando a aprender.Um exemplo interessante disso, que descobri por acaso, são esses italianos de Milão que atendiam por Anna & The Psychomen. Eles tinham uma proposta clara (e foram fiéis a ela): rock n' roll agitado, divertido, selvageria mezzo adulta, mezzo adolescente, apanhando todas as boas influências rockeiras dos anos 50 até aqui: desde Chuck Berry, passando por The Cramps, até Billy Childish, a batida rock n' roll come solta. A receita é simples: ouvidos aguçados, rock beat, guitarras bêbadas, e uma vocalista mutcho lôca. É assim que Anna (vocais), Psycho D (guitarra), Psycho Ivan (peles), Psycho Max (guitarra) e Psycho Simo (baixo) levaram a banda de 1998 até 2008, quando resolveram encerrar as atividades.