quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

OS MONSTROS DE BABALOO: UM FILME DE ELYSEU VISCONTI

Por João Carlos Rodrigues
Os monstros de Babaloo deve ser urgentemente reavaliado. Realizado em 1970, mesmo ano em que a lendária produtora Bel-Air iniciou suas atividades no Rio de Janeiro, foi no entanto produzido, escrito e dirigido pelo próprio diretor, Elyseu Visconti Caballero. É grande a identidade com os filmes de Sganzerla e Bressane, notadamente com A família do barulho, que Os Monstros de Babaloo ao mesmo tempo anuncia e suplanta.

Uma das obras mais debochadamente grotescas de toda a cinematografia mundial. Um filme pantagruélico. Antevê John Waters, o rei do trash, inclusive na caracterização de Wilza Carla, que já é Divine antes da própria Divine. Corre paralelo à obra da fotógrafa americana Dianne Arbus, precursora da estética do feio e do esdrúxulo.Simultaneamente homenageia, critica e debocha a chanchada carioca nos improvisos do elenco impecável, misto de atores amadores, populares e experimentais. Destaque para a dupla formada pela já citada Wilza e a imortal Zezé Macedo.

São antológicas as cenas de glutoneria da primeira e o número musical da segunda (a mulher mais feia do mundo se chama Frinéia, o protótipo da beleza na Grécia antiga). Diz a lenda que a cena em que a patroa quebra o braço da empregadinha foi pra valer, dado o entusiasmo das duas atrizes.Metáfora da ávida e inculta classe média que imperou no tempo do chamado “milagre brasileiro”, o filme foi proibido pela censura militar. Hoje, está mais que na hora não apenas de assisti-lo, mas de recolocá-lo no lugar que merece no cinema nacional.

Ficha técnica:

Produtora: Elyseu Visconti Produções Cinematográficas
Direção e roteiro:Elyseu Visconti
Cenografia: Elyseu Visconti
Fotografia: Renato Laclette
Montagem: Geraldo Veloso
Música: Édson Machado
Elenco: Wilza Carla, Zezé Macedo, Helena Ignez, Betty Faria, Tânia Scher, Jack de Castro, Badu, Kleber Santos