sexta-feira, 25 de junho de 2010

THE SEEDS: RAW & ALIVE/RARE SEEDS

Hoje está todo mundo lembrando a morte do Michael Jackson, mas no mesmo 25 de junho de 2009 outro grande nome da música faleceu - o menino Sky Saxon, líder da banda psicodelica de garagem The Seeds. Então, para evitar qualquer injustiça o Polimorfismo faz questão de preservar a memória desse velhinho da pesada que tão humildemente prestou o inestimável serviço de pôr tanta gente legal no mau caminho. Este disco aqui reune num só CD dois registros dos Seeds: o raivoso álbum ao vivo Raw & Alive e a coletânea de lados-B e outtakes, Rare Seeds. See ya!

sábado, 19 de junho de 2010

METEORANGO KID - O HERÓI INTERGALÁTICO (1969)

Por Luiz Otávio de SantiAs imagens vêm da Bahia, cidade de Salvador. Saído da “boca do inferno”, nome dado aos filmes produzidos no período áureo da estética marginal, na capital baiana, Meteorango retrata a revolta de um rapaz de classe média. Lula é o universitário cuspindo fogo nas tradições, enquanto eriça o gosto pela meta-referência à produção da época e pela pura curtição do fazer cinema. Procedimentos que representam alguma liberdade e que fazem o nosso tempo mergulhar naquele tempo. Demonstrado por mais esta mostra, nosso passado recente, em cinema, tem quase sempre o mesmo endereço: o da “esculhambação” dos pós-novos.

No meio do caldeirão da Tropicália, o filme tem o facho da leitura, a visão fenomênica de compor o painel de época ao misturar improviso, ficção e documentário. A obra é organizada em várias situações distintas, quase sempre envolvidas em humor e escatologia, em exagero e estranhamento. Logo nas primeiras imagens, Lula é o rapaz que anda de trás para a frente, em “câmera a ré”, ou melhor, é o Jesus trepado no coqueiro, que volta à cruz para agonizar.Vemos sangue, suor e suplício em meio aos créditos iniciais, e em seguida aparece a frase “esse filme é dedicado aos meus cabelos”.Lula é o meteorango universitário em busca de aventuras. Um baiano kid que acorda tarde e não faz nada na vida, “um vagabundo”, como diz a doméstica que o desperta todas as manhãs. É um giro pela cidade, é o sonho de matar o pai e a mãe vestido de Batman, é uma referência a Glauber e a Sganzerla, é um soco na câmera, é a roda de fumo na casa do amigo (onde ouvimos “Assim falou Zarathustra”, de Richard Strauss, em 2001, de Kubrick), é a irreverência no velório, quando bate a cinza do cigarro na cara do defunto, é o percurso de Lula de olho nos inventores e de braços abertos para a diversão.

THE STANDELLS: WHY PICK ON ME (1966)

O grupo californiano The Standells é o protótipo da banda punk dos anos 60. Sujos, feios e encrenqueiros, eles eram um bando tão casca-grossa que faziam os Stones parecerem os Monkees. Neste segundo álbum, o legendário grupo angeleno mostra porque nem sempre os bons sujeitos vestem branco e entregam mais um punhado de boas canções - "Mainline", "Why Pick On Me" e a já citada "Sometimes Good Guys Don't Wear White" (gravada pelo Minor Threat nos anos 80) são clássicos. Um disco tão bom que parece uma coletânea.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

ANNA AND THE PSYCHOMEN

Por Pirate Liza
Tocar qualquer estilo musical é difícil, quando não se sabe o que está fazendo, nem tem as influências certas. Tocar qualquer coisa com alguma propriedade requer também uma certa direção, e até o que chamam de "mal tocado" exige de quem toca algo no mínimo harmonioso. Não é simplesmente pegar um instrumento e bater nas cordas. Eu demorei um certo tempo pra chegar a pensar assim, inclusive sobre o punk, mas acho que já estou começando a aprender.Um exemplo interessante disso, que descobri por acaso, são esses italianos de Milão que atendiam por Anna & The Psychomen. Eles tinham uma proposta clara (e foram fiéis a ela): rock n' roll agitado, divertido, selvageria mezzo adulta, mezzo adolescente, apanhando todas as boas influências rockeiras dos anos 50 até aqui: desde Chuck Berry, passando por The Cramps, até Billy Childish, a batida rock n' roll come solta. A receita é simples: ouvidos aguçados, rock beat, guitarras bêbadas, e uma vocalista mutcho lôca. É assim que Anna (vocais), Psycho D (guitarra), Psycho Ivan (peles), Psycho Max (guitarra) e Psycho Simo (baixo) levaram a banda de 1998 até 2008, quando resolveram encerrar as atividades.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

A REVISTA POP APRESENTA O PUNK ROCK

Este post é meu tributo a um LP que foi muito importante no começo da minha adolescência. Mas nem se preocupem que não vou sair vomitando pieguices. Isso definitivamente não é do meu feitio. A Revista Pop Apresenta o Punk Rock foi lançado em 1977 pela extinta revista POP (uma espécie de BIZZ dos anos 70) e, claro, eu não peguei esse disco na época. Eu o descobri na estante do pai de um amigo. Foi ali que ouvi Ramones e Sex Pistols pela primeira vez, duas bandas que moldaram toda a minha concepção do que deveria ser reconhecido como 'boa música', seja lá o que isso signifique. O disco tinha também The Jam, Runaways, London (com a ótima "Everyone's a Winner"), o Ultravox, antes de virar uma daquelas bandas para homosexuais chatos, etc. etc. Esta compilação não é a coisa mais completa do mundo, mas tem seu valor histórico e realmente marcou a vida de muita gente, e isso não é pouco.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

THE SONICS: HERE ARE THE SONICS!!!

Primeiro álbum de uma das bandas mais influentes de todos os tempos. Sob a batuta do menino Buck Ormby (baixista dos Wailers e proprietário do selo Etiquette, que lançou o LP ) este simpático quinteto de Tacoma antecipa o punk e o hardcore em mais de uma década metendo bronca em pauladas imundas como as clássicas "The Witch", "Psycho" e a demencial versão de "Money (That's What I Want)". Uma tijolada daquelas na cara das senhoras da liga católica!

segunda-feira, 10 de maio de 2010

IKE & TINA TURNER: FUNKIER THAN A MOSQUITO'S TWEETER

Ao lado do impressionante River Deep Mountain High (1966) - um dos mais monstruosos exemplos da megalomania do produtor Phil Spector -, este Funkier Than a Mosquito's Tweeter é o melhor registro do casal Ike & Tina Turner. Quem só conhece o trabalho da moça através daquelas xaroposas músicas do período em que ela despontou no mainstream como solista em meados dos anos 80, precisa ouvir esta maravilha aqui. Os vocais rasgantes e as selvagens intervenções funky cheias de lascívia da banda do maridão 'carinhoso' Ike, provam que eu não estou falando besteira. A sinuosa faixa título (famosa na voz de Nina Simone) e as sensacionais versões para "I Want To Take You Higher", de Sly & The Family Stone e "Whole Lotta Love", do Led Zeppelin inscrevem-se como algumas das melhores performances de r&b de um grupo nos anos 70.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

LADY DOTTIE & THE DIAMONDS (2008)

Este é o primeiro álbum de Lady Dottie and The Diamonds, banda liderada pela americana Dorothy Mae (64 anos), uma veterana da cena de R&B que começou a carreira como cantora gospel no sul dos EUA. Formado na cidade de San Diego, o grupo soa como se o MC5 fosse uma banda de apoio para cantoras como Etta James ou Ella Fitzgerald. As influências vão de grupos garageiros sessentistas como The Sonics à nata da música negra norte-americana: Otis Redding, Ike & Tina Turner, Billie Holiday, James Wonder, Sam Cooke, Robert Johnson, Bessie Smith, Muddy Waters, Betty Davis, etc. Disco indicadíssimo para fãs de Bellrays e Detroit Cobras.

domingo, 2 de maio de 2010

UNCLE BUTCHER & MARGARET DOLL ROD EM MAIS UM BELO LANÇAMENTO DA SQUOODGE RECORDS!

A Squoodge Records, selo austríaco especializado nos lançamentos dos 7 polegadas mais quentes da cena de garage, blues e punk music na Europa, acaba de lançar Opening The Golden Gates, single que traz Margaret Doll Rods (Demolition Doll Rods) e Marco Butcher (The Jam Messengers) juntos. O single foi gravado no estúdio Submarine do produtor paulista Clayton Martin que, além de ter gravado e produzido o disco, ainda fez uma participação especial tocando gaitas em uma das faixas.

O single traz duas músicas carregadas do espírito da JAM. "The Groove" leva você de volta ao Delta e sua crueza direta e intensa como os velhos e bons spiritual songs, já "The Best Is Yet To Come" é um boogie woogie vindo de algum lugar entre Marte e o melhor da saudosa Motown com sua soul music! Musica para fazer dançar. O vinilzinho faz parte da coleção ABC da Squoodge Records, ou seja, é uma edição limitada que vem em capa especial é também um poster e conta com os dois tracks do mesmo lado da bolacha facilitando assim a vida do DJ.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

O MUNDO LOUCO DE HARVEY KURTZMAN

Por André Forastieri
Tive umas melhores meia-horas da minha vida no sábado. Foi lendo a introdução e as primeiras trinta páginas de uma revista de cinquenta anos atrás. É a Humbug. Nunca ouviu falar? Vai ouvir agora. Era uma revista criada por Harvey Kurtzman. É um dos caras mais importantes da cultura mundial no Século 20.

Ainda vou ter tudo que ele fez, mas ainda estou longe, porque o desgraçado produziu muito. Sou fã de Kurtzman sem saber, quando criança. Porque ele criou a revista Mad. Que eu adorava e que foi uma influência gigante sobre a minha vida e a de tantos pré-adolescentes durante meio século. Mad zoava com tudo. Esculhambava o que havia de mais sagrado na América. Com graça e sem piedade. A Mad nos ensinou que tudo era ridicularizável. Nas mãos da “usual gangue de idiotas”, toda vaca sagrada virava hambúrguer.
O premiado cartunista Art Spiegelman, de Maus, resumiu muito bem: “A mensagem da Mad era: a mídia está mentindo para você – e nós fazemos parte da mídia.” A influência do humor de Mad está em todo canto, dos Simpsons a programas como Pânico e CQC. Como explicou o editor da Vanity Fair, Graydon Carter, que elegeu Mad como a sexta melhor revista jamais publicada: “a Mad já faz parte do oxigênio que respiramos”. E ela era ainda mais louca no começo, na Era Kurtzman. Algumas Mad da minha infância republicaram histórias da primeiríssima fase da revista, nos anos 50.
Fiquei louco ao ler essas histórias – O Sombra, Superduperman, Ping Pong. Nunca houve nem haverá coisa parecida. O crítico americano Brian Siano explica: “Para os garotos mais espertos de duas gerações, Mad foi uma revelação. Foi o primeiro lugar a nos dizer que os brinquedos que nos eram vendidos eram lixo, que nossos professores eram ignorantes, nossos governantes tolos, nossos líderes religiosos hipócritas, e até nossos pais estavam nos mentindo sobre quase tudo… essa geração cresceu e nos deu a revolução sexual, o movimento ambientalista, o movimento pacifista, liberdade na expressão artística e um monte de outras coisas boas. Coincidência? Você julga.”
Muita gente boa fez da Mad o que ela foi. Mas ela não existiria sem Kurtzman. Dizer que Kurtzman criou ou editou a Mad não explica sua importância. Ele fazia a Mad como antes fazia gibis de guerra lendários como Two-Fisted Tales e Frontline Combat. Ele bolava o argumento, diagramava, enchia as páginas de sketches (que os desenhistas eram obrigados a seguir), e escrevia os diálogos. De todas as histórias. De todas as revistas. Ele começou como desenhista de gibis de super-heróis. Logo entrou para um estúdio, em que dividia o espaço com futuros colegas como Dave Berg, John Severin e, surpresa, René Goscinny, futuro criador de Asterix. Ele escrevia melhor que um roteirista, desenhava melhor que a maioria dos desenhistas e editava melhor que qualquer editor da história dos quadrinhos. E com tudo isso Mad foi seu único sucesso – sendo que quando ele deixou a revista, em poucos anos a circulação quadruplicou.
Ele saiu porque queria mais grana e porque recebeu um convite do editor da Playboy. Hugh Hefner chamou Kurtzman para fazer uma versão chique da Mad, o título Trump. Mas a editora andava meio mal das pernas. Trump durou só duas edições. Hefner, se sentindo culpado, liberou um pedaço do seu escritório para Kurtzman, que lá montou sua “comuna” – uma revista que era sociedade entre cinco artistas: ele e mais Will Elder, Al Jaffee, Jack Davis e Arnold Roth.

Humbug não teve nem de longe o impacto de Mad. Durou onze números, vendeu mal e fechou. Misturava quadrinhos, charges, textos satíricos. Humbug não deu certo por várias razões de negócios que não importam mais. Quase ninguém viu Humbug, mas quem viu foi afetado. Por exemplo, Robert Crumb, que decidiu ser cartunista depois de ler a revista, e viria a ser o mais famoso quadrinista do underground americano.

Você pode ler suas histórias atuais na revista Piauí. Kurtzman não desistiu. Começou outra revista, Help!. Essa durou 26 números distribuídos em quatro anos, e foi a primeira oportunidade para colaboradores como o futuro cineasta Terry Gilliam, o futuro criador dos Freak Brothers, Gilbert Shelton, o futuro mestre do cartum sombrio Gahan Wilson, e a futura líder feminista e editora da revista Ms., Gloria Steinem. Ah, e também tinha colaborações de gente que já era bem importante, como os escritores Ray Bradbury e Arthur C. Clarke.
Foi na Help que Terry Gilliam encontrou pela primeira vez John Cleese. É uma das fundações do Monty Python, o grupo que revolucionou o humor britânico (e além) nos anos 70. Gilliam disse: “Mad foi a minha bíblia e da minha geração toda”. Que mais Kurtzman fez? Durante 26 anos, uma série muito sexy e engraçada para a Playboy, Little Annie Fanny, sempre com o parceiro Will Elder. Fez o roteiro do desenho “A Festa do Monstro Maluco”, uma das alegrias das minhas sessões da tarde. Animações para Vila Sésamo. Deu aula de cartunismo na School of Visual Arts. Mais umas histórias aqui e acolá, e uma história ilustrada dos quadrinhos. Nada assim muito histórico ou lucrativo. E aí morreu, meio sem grana, em 1993.



Desde 1988, os melhores criadores dos quadrinhos americanos ganham um prêmio, chamado Harvey Awards. É homenagem a Kurtzman. É pouco? Eu preferia que ele tivesse morrido milionário e que eu nem precisasse apresentá-lo a esta altura do campeonato. A vida dele não foi assim. A vida dele foi um fracasso após o outro, se você for medir pelo dinheiro. Ou um sucesso após o outro, se você for medir pela obra ou, mais importante até, pela influência. Quando ligo a televisão, vou ao cinema, entro numa banca ou assisto certos vídeos no YouTube, vejo a Mad, vejo Harvey Kurtzman. Não há honraria maior.

domingo, 18 de abril de 2010

IGGY & THE STOOGES: RAW POWER LEGACY EDITION (2010)

Como a indústria é cínica e adora vender a mesma coisa sucessivas vezes em novas embalagens e formatos, temos aqui mais um lançamento para os fãs dos Stooges comprarem. Esta fase da banda (1972-1974) é a que mais rendeu registros em bootlegs ao longo dos anos. A maioria deles com áudio de baixíssima qualidade. Foi também o período em que a banda mais produziu. Apesar das reservas de Iggy quanto a mixagem feita por David Bowie na época, Raw Power tornou-se um clássico, influenciando o punk e algumas vertentes do heavy metal. Em 1997 Iggy resolveu apresentar ao mundo a sua versão de Raw Power, remixando o álbum da forma que ele queria ter lançado em 1973.
Este Raw Power (Legacy Edition) é uma edição dupla de luxo que saiu agora a pouco. Esta é a terceira vez que o álbum é lançado em formato digital. O grande atrativo aqui fica por conta do registro de uma apresentação dos Stooges em Atlanta, em outubro de 73, que está no disco dois deste lançamento - de longe a melhor gravação ao vivo dos Stooges com performances desse período. O disco um é apenas uma remasterização do álbum original com a mixagem feita por Bowie em 1973. Quem quiser dar uma conferida o melhor é baixa logo, porque a moçada que anda patrulhando os blogs por aí não está pra brincadeira!


CD1:
01 - Search & Destroy
02 - Gimme Danger
03 - Your Pretty Face is Goin To Hell (originalmente intitulado Hard To Beat)
04 - Penetration
05 - Raw Power
06 - I Need Somebody
07 - Shake Appeal
08 - Death Trip

CD2:
01 - Introdução (Live At Richards Atlanta, outubro de 1973)
02 - Head On (Live At Richards Atlanta, outubro de 1973)
03 - Raw Power (Live At Richards Atlanta, outubro de 1973)
04 - Gimme Danger (Live At Richards Atlanta, outubro de 1973)
05 - Search & Destroy (Live At Richards Atlanta, outubro de 1973)
06 - I Need Somebody (Live At Richards Atlanta, outubro de 1973)
07 - Heavy Liquid (Live At Richards Atlanta, outubro 1973)
08 - Cock In My Pocket (Live At Richards Atlanta, outubro de 1973)
09 - Open Up e Bleed (Live At Richards Atlanta, outubro de 1973)
10 - Doojiman (outtake das sessões Para Raw Power)
11 - Head On (Ensaios)

sexta-feira, 16 de abril de 2010

O LENDÁRIO CHUCROBILLYMAN AND HIS ONE MAN BAND ORCHESTRA

Após ouvir o disco “Chicken Walk” de Hasil Adkins em 2005, Koti deu início a seu projeto musical tocando tudo ao mesmo tempo: bateria, guitarra, kazoo e um megafone por onde faz os vocais. Assim nascia sua banda de um homem só “O Lendário Chucrobillyman Monobanda Orquestra”.

No seu som as misturas de punk, blues, rock de garagem, rockabilly trash originam um som minimalista, primitivo, com batidas repetitivas e hipnóticas que remetem à um tipo sórdido de se fazer rock n´roll. Em seu novo trabalho intitulado The Chicken Album, O Lendário Chucrobillyman nos apresenta canções baseadas na sonoridade da viola caipira brasileira e introduz "o estilo da galinha".O estilo da galinha como ele mesmo diz: é um estilo diferente de se tocar a viola caipira brasileira que consiste numa maneira mais rápida e percussiva que remete em parte ao delta blues, mas com uma sonoridade que é propria da viola caipira de 10 cordas. Todas estas composições foram baseadas na sonoridade deste instrumento mas com uma grande preocupação criativa no uso da percussão, que foi basicamente constituida de pedaços de ferro velho, latas de tinta, caixas de papelão e um tambor de lixo funcionando como bumbo.



The Chicken Album é um disco que percorre sobre a atmosfera rural onde a galinha é seu maior ícone, as canções possuem ritmos e alguns riffs que imitam o pio de uma galinha, estes se apresentam constantes em quase todas as canções se tornando a base do "estilo da galinha", porém o som da viola não é o mesmo que estamos familiarizados, pois foi distorcida e seu som ficou "sujo" por conta da influência do Rock'n Roll "selvagem" e do punk blues.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

SEXTON MING & HIS DIAMOND GUSSETS: ENDLESS DISCIPLINE (1993)

Mais uma das diabruras do incansável Sexton Ming - músico, poeta e artista plástico britânico, parceiro do não menos prolífico Billy B. Childish em diversas ocasiões. Ao apertar o play, prepare-se para encarar uma descarga ininterrupta de rocks genialmente toscos e desembestados. Desses que não te dão tempo nem pra respirar. Eis a essência do mais puro e deslavado garage rock! Para os neófitos, um aviso: este disco não é para qualquer um. Baixe e ouça por sua conta e risco.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Durante o estágio de vulnerabilidade, qualquer pessoa pode ser convertida a qualquer sistema de valores. Facilmente podemos ser induzidos a entoar "Hare Krishna, Hare Krishna" como "Jesus morreu por nós", ou a bradar "abaixo o Vaticano", aceitando plenamente as ideologias que estão por trás desses temas. O passo seguinte, na lavagem cerebral, consistirá em nos convencer de que qualquer pessoa que não partilhe dos nossos novos valores será sempre débil, estúpida ou louca.

Timothy Leary

segunda-feira, 5 de abril de 2010

HALF JAPANESE: MUSIC TO STRIP BY (1987)

O Half Japanese - ao lado dos Urinals e das bandas do mestre Billy Childish - é uma das melhores coisas já surgidas no universo low fi. Isso, evidentemente, é uma opinião minha, ok?! Fundada há mais de trinta anos pelos irmãos David e Jad Fair, o Half Japanese é provavelmente a banda de rock mais primitiva, inepta e divertida a aparecer neste planeta desde a sessentista The Shaggs. Ignorando detalhes irrelevantes, como harmonia, ritmo e melodia, o grupo conquistou corações e mentes de gerações, fazendo contemporâneos como os Ramones parecerem um quinteto de jazz. Esta é uma edição ampliada do décimo primeiro álbum da banda. Se você é uma dessas pessoas chatas que vivem atrás de "entretenimento adulto", fuja!

Link: Half Japanese - Music To Strip By (1987)

terça-feira, 30 de março de 2010

BANG BANG: UM FILME DE ANDREA TONACCI

Por Alcino Leite Neto
O talento excepcional de Andrea Tonacci fez de Bang bang, com suas imagens radicais e inventivas, um verdadeiro filme-laboratório. Durante muito tempo, é a esse filme que todos os experimentadores do cinema no país precisarão se voltar, para nele colher a experiência da liberdade e os variadíssimos ingredientes estilísticos e narrativos que o diretor soube oferecer na forma de cristais puros.
A começar da extraordinária fotogenia urbana de Bang bang, que tanto tem a ensinar aos realizadores brasileiros — muitos deles incapazes de filmar suas cidades fora do padrão publicitário telenovelístico. É impressionante que o filme tenha como parte dominante de seu “cenário” a provinciana Belo Horizonte dos anos 1960-70. O modo como Tonacci transforma essa cidade num dos ambientes do cinema moderno brasileiro é um verdadeiro tour de force.

Filme construído nos planos, mais que na montagem e no enredo, Bang bang destina à câmera uma autonomia explosiva. A segurança com que ela percorre ruas, invade interiores, segue personagens e também afronta estaticamente a cena é muito, muito humilhante para diretores medianos, que ficam a elucubrar, por minutos, se passam ou não do plano médio para o plano geral.

Em Bang Bang, Tonacci é completa vontade de potência cinematográfica. E, afinal, Bang Bang é um filme policial, em tom de sátira, cujos fundamentos provêm tanto das histórias em quadrinhos quanto do cinema burlesco. A narrativa quase não interessa, e mais um pouco até atrapalharia. Importa ao diretor extrair do personagem a sua intensidade visual e reduzir as cenas à condição de puro acontecimento cinematográfico, ou seja: de ilusionismo e catástrofe. Por isso este filme, sempre deliciosamente juvenil, amadurece como um dos documentos por excelência de sua época.

Link: Bang Bang, de Andrea Tonacci (1971)

Ficha técnica:

Produtora: Total Filmes
Produção excutiva: Luiz Carlos Pires Fernandes
Direção e roteiro: Andrea Tonacci
Fotografia: Thiago Veloso
Montagem: Roman Stulbach
Cenografia: Andrea Tonacci e Milton Gontijo
Elenco: Paulo César Pereio, Jura Otero, Abraão Farc, Ezequias Marques, José Aurélio Vieira, Antonio Naddeo, Milton Gontijo, Thales Penna

domingo, 28 de março de 2010

CHROME CRANKS: DEAD COOL (Crypt Records)

Os quinze anos que passaram desde o lançamento de Dead Cool, segundo álbum deste obscuro grupo nova-iorquino da região do Lower East Side, não envelheceram nada o disco. Entre sussurros e grunhidos, o vocalista Peter Aaron, um misto de Mick Jagger, Iggy Pop e Jeffrey Lee Pierce, narra suas crônicas do submundo ao som do mais despojado garage rock de que se tem notícia desde os tempos do velho Honeymoon Killers. Na verdade, sou meio suspeito para falar de qualquer coisa que o menino Jerry Teel se envolva... Vou deixar por conta de vocês a tarefa de avaliar este pequeno clássico do rock americano.

Link: Chrome Cranks - Dead Cool (1995)

segunda-feira, 15 de março de 2010

PUMP UP THE VOLUME ORIGINAL SOUNDTRACK (1990)

Esta é a trilha sonora de um filme pouquíssimo lembrado, realizado há vinte anos. Um filme que tentou retratar as agruras e os questionamentos existenciais da juventude norte-americana da época: a chamada geração X. Acredito que esta obra poderia ter logrado uma trajetória diferente se tivesse sido lançado um ano depois - na época em que o expoente máximo dos loosers da América atingiu o estrelato com o álbum Nevermind. Como toda trilha esta também tem seus altos e baixos. Abre com o Concrete Blonde interpretando um tema de Leonard Cohen, tem Peter Murphy num momento não muito brilhante, os Cowboy Junkies desenterrando uma jóia do repertório de Robert Johnson, Sonic Youth e Pixies aparecem em canções que você já ouviu milhares de vezes e os Bad Brains (com Henry Rollins nos vocais) descascam uma versão ferradíssima de Kick Ou The Jams do MC5.

sábado, 13 de março de 2010

MISÉRIA E VIOLÊNCIA EM JOHNNY MAD DOG, DE JEAN-STÉPHANE SAUVAIRE

Por Enderson Nobre
Com o filme ainda queimando em minha mente, começo este texto sobre um dos mais brutais dramas que assisti recentemente. Quando me deparo com dramas que enfocam situações violentas envolvendo crianças e, principalmente, acontecimentos no terceiro mundo, vem logo à cabeça a famosa "praga" de Glauber Rocha: “A estética da fome”, como um carimbo maldito estampado no filme.

É bem verdade que algumas realizações merecem essa marca, principalmente quando usam temas sociais - desgraças alheias - para puro entretenimento, a exemplo de “Diamante de Sangue”, de Edward Zwick. No caso de “Johnny Mad Dog”, a coisa é bem diferente. Teria que ser um filho da mãe patologicamente sádico para encontrar alguma diversão nesta realização produzida pelo cineasta/ator Mathieu Kassovitz.

O filme tem um realismo impressionante que chega a incomodar, tornando uma tarefa dolorosa acompanhar a história de garotos liberianos, transformados em máquinas de matar que servem, literalmente, de bucha de canhão nas mãos de calhordas que lutam pelo poder na Libéria. Não sou nenhum especialista na situação da Libéria ou outro país africano, mas é evidente que lideres corruptos manipulados por algum país do primeiro mundo ou uma corporação qualquer, utilizam crianças como peões num dos conflitos mais covardes da era moderna; provando que a capacidade de evolução da crueldade humana é ilimitada, embora esteja ciente de que não é de hoje que crianças são usadas em conflitos bélicos; a Igreja Católica sabe muito bem disso.

Contudo, abordar este tema tão complicado é um campo minado e precisa ter coragem e, sobretudo, habilidade na condução de uma fita como esta, tornando-se quase inevitável não evocar o neoclássico de Fernando Meireles, “Cidade de Deus”, já que as histórias têm a miséria e a crueldade como pontos que se assemelham. Embora o contexto no filme francês seja outro, os dois não transformam os dramas em um espetáculo constrangedor.

Em “Jonny Mad Dog”, acompanhamos uma milícia formada por crianças e adolescentes na tomada de pontos chave durante uma rebelião no já citado pais africano. “Os garotos seguem cegamente as ordens de militares; saem matando, estuprando e cometendo todos os tipos de atrocidades numa espécie de ‘‘limpeza étnica” ao molde dos Bálcãs. A diferença aqui é que em vez de militares a praticar tais barbaridade, temo crianças que sofrem lavagem cerebral, usam drogas (inclusive cocaína) como forma de estímulo para o combate, aumentando a confusão mental que os vai afundando cada vez mais num mundo sinistramente mágico.

segunda-feira, 8 de março de 2010

ANDRE WILLIAMS & THE NEW ORLEANS HELLHOUNDS: CAN YOU DEAL WITH IT?

Andre Williams, ídolo musical de figuras como Lux Interior e Jon Spencer, é um músico de R&B que durante os anos 50 gravou vários discos de sucesso e nos anos 60 trabalhou na lendária Motown. O destino, porém, reservou momentos de penúria para ele, que passou a maior parte dos anos 80 e 90 na rua lidando com vício em crack. Em 1998, aconteceu a grande virada - Dois de seus fãs, Mick Collins (ex-The Gories e atual Dirtbombs) e Dan Kroha (também ex-The Gories e Demollition Doll Rods), fizeram com o velho Andre Williams o mesmo que Jon Spencer fez a RL Burnside: ressuscitaram sua carreira, apresentando-o para uma nova geração de fãs de rock de garagem e R&B na contra-mão.



Em seus discos lançados a partir desse retorno, Williams passou a utilizar diferentes formações - na maioria das vezes compostas por jovens músicos. Para Can You Deal With It? ele escalou os meninos da New Orleans Hellhounds. A banda faz bem a sua parte, mostrando-se bastante entrosada ao velho músico, conseguindo injetar punch e lubricidade às canções. Um álbum para se ouvir do começo ao fim com um indisfarçável sorriso de orelha a orelha.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

BUTTHOLE SURFERS (Alternative Tentacles)

Primeiro disco do Butthole Surfers, editado em 1983 pela Alternative Tentacles, de São Francisco. Um clássico do desequilíbrio mental!

"There's a time to fuck and a time to crave, but the Shah sleeps in Lee Harvey's Grave!"

sábado, 20 de fevereiro de 2010

LAUGHING HYENAS: MERRY GO ROUND (Touch & Go)

No ano de 1985, na pequena cidade de Ann Arbor, Michigan, o ex-vocalista do Negative Approach John Brannon, formou o Laughing Hyenas - um dos tratados mais radicais do underground americano dos anos 80. Revisitando o raw power dos Stooges e os desvarios do Birthday Party, Merry Go Round é um exemplar raríssimo do mais histérico noise rock. O grupo, hoje lastimavelmente obscurecido pelo tempo, durou mais ou menos uma década e dele surgiu já em meados dos anos 90 outro grupo do barulho, o Mule. Mas isso é uma história a ser contada numa outra ocasião...

SCREAMIN’ JAY HAWKINS: BLACK MUSIC FOR WHITE PEOPLE (Manifesto Records)

É num período como este, tomado por imediatismos e produções artísticas plastificadas, que nos damos conta da falta danada que faz um músico como Screamin' Jay Hawkins. Este Black Music For White People certamente não é o seu melhor trabalho, mas entrega tudo que de melhor se espera de um artista livre de amarras e concepções pop rastaqueras. Os destaques aqui vão para as boas regravações de "I Put Spell on You", "Old Man River", "Heart Attack and Vine" e "Ice Creem Man" - estas duas últimas pinçadas do repertório do Menino Tom Waits.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

EXPLODING STAR ORCHESTRA: WE ARE ALL FROM SOMEWHERE ELSE (2007)

A Exploding Star Orchestra é um coletivo de jazz mutante formado pelo trompetista Rob Mazurek e alguns dos maiores bam bam bans do avant-garde de Chicago. O grupo não tem uma formação definida, e nele transitam membros de outros notáveis grupos instrumentais de Chicago como Tortoise e The Eternals. Não entrarei no mérito de esmiuçar os detalhes técnicos, basta dizer que este primeiro álbum (o outro é um registro com o trompetista Bill Dixon) se configura como uma peça plena de entrega e vitalidade, capaz de arrepiar até o mais bronco dos ouvintes.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

LIQUOR GIANTS: HERE (1994)

No início dos anos 80, Ward Dotson substituiu Kid Congo Powers nas guitarras do lendário Gun Club, gravando em 1981, o antológico Fire of Love. O grupo, no entanto, sempre foi conhecido por sua instabilidade - em grande parte devido aos sérios problemas do vocalista Jeffrey Lee Pierce com álcool e drogas. Num belo dia, Dotson decidiu pular fora. Ao sair do Gun Club, chegou a dizer ter largado a banda por estar farto de tocar com gente metida em jaquetas de couro e que nunca sorri. Diante disso, dá pra entender porque grupos subseqüentes do guitarrista, como o Liquor Giants, soam tão "clean". Em Here, por exemplo, o que se ouve é o mais puro power pop. Confesso que quando ouvi isso pela primeira vez não aceitei muito bem a idéia. Você sabe, a velha ranhetice punk... Hoje acho uma maravilha. O radicalismo só atrapalha...

ROKY ERICKSON: THE EVIL ONE (Sympathy For The Record Industry)

Roky Erickson, o legendário líder dos 13th Floor Elevadors, é um ícone dos anos 60 que, apesar das inúmeras barras que passou, conseguiu sobreviver. Quem conhece sua história sabe que o homem teve de lidar com problemas mentais durante boa parte de sua vida. Após um longo período de internamento no Rusk State Hospital for the Criminally Insane, Erickson tentou reconstruir sua vida e carreira na segunda metade dos anos 70. As dificuldades, é claro, foram muitas, mas Roky conseguiu lidar com a situação fazendo o que sempre fez de melhor: música sublime. Dentre as tantas compilações de Erickson já lançadas, esta em álbum duplo, idealizada pela Sympathy For The Record Industry, é uma das melhores e mais completas. Um documento preciosíssimo da obra de uma das mais fascinantes personalidades da história do rock.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

VICTIMS FAMILY: THE GERM (1992)

Se você nunca ouviu o Victims Family - uma das mais instigantes e obscuras bandas da Alternative Tentacles -, eis a chance de dar um check it out num de seus mais representativos trabalhos. The Germ é puro exercício de liberdade musical e ousadia. O som do grupo é uma criativa e inteligente combinação de hardcore, punk, jazz, funk, hard rock e noisy. Se você curte bandas como Cows, Dead Kennedys, Alice Donut e NoMeansNo, ou seja, bandas tortas, amalucadas e fora dos padrões, o Victims Family tem boas chances de te fazer um pouquinho mais feliz.