sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Direto de Minneapolis, vem uma das mais estranhas bandas do cast da gravadora independente Amphetamine Reptile. Neste seu segundo LP, os Cows despejam sem dó uma descarga "filigranada" de distorção e batidas tribais, num improvável mix de noise-rock, hardcore e jazz. Apontado na época como um dos melhores lançamentos de 1991, Cunning Stunts é um álbum que merece ser redescoberto.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

HASIL ADKINS: OUT TO HUNCH (Norton)

Foi de um rincão perdido nos EUA que surgiu um dos artistas mais originais da história da música popular americana. Um dos maiores outsiders da história do rock e talvez o pioneiro no formado one man band. Hasil Adkins compunha desde a década de 50 mas gravou poucos discos.


Hasil tinha esse raro dom de contar histórias esquisitas,
traduzindo sua realidade em música. O aspecto rústico e primitivo de suas criações, possibilitaram a antecipação de algumas das vertentes mais ruidosas e radicais do rock norte americano dos anos 60.

A obscuridade total durou até os Cramps gravarem uma versão para "She Said". Essa música catapultou Adkins à condição de cult e fez com que um single feito em 1964 fosse confundido como uma produção do início dos anos 80. Nesta época, dois espertos resolveram fundar um selo (a Norton Records) e lançaram o primeiro álbum da carreira do velho Hasil Adkins.

Partindo desta (re)descoberta, Billy Miller e Mirian Linna (primeira baterista dos Cramps e co-fundadora da Norton) selecionaram diversas músicas compostas por Adkins entre 1961 e 1976 para relança-las em álbuns completos.
Levando-se em consideração que sua carreira até então tinha sido marcada por singles mal gravados, comercialmente estes discos foram um fracasso.
Mas a pedra-fundamental havia sido lançada.
Assim como naquela história que atribuem ao Velvet Underground, poucos compraram os discos de Hasil, mas todos que o fizeram montaram uma banda.

Link: Hasil Adkins - Out To Hunch (Norton Records)

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

WEEN: THE CRUCIAL SEQUEEGIE LIP (Bird O’ Pray Records)

The Crucial Sequeeguie Lip é um registro em fita K7 com as primeiras gravações do grupo norte americano Ween. Na época, seus fundadores Gene Ween e Dean Ween, tinham apenas 16 anos, e as canções do duo aqui apresentadas parecem mesmo uma brincadeira de adolescentes dessas que se faz numa tarde tediosa. Também é fato que a dupla construiu toda a sua carreira em cima de ideias despirocadas e músicas que para muitos não faz o menor sentido. Mas é difícil não gostar de uma banda que tem a coragem de cantar coisas como "Talk To Me About Erica Glabb", "Murphy Flattens His Frustrations" e "I Drink A Lot".

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

THE WIPERS: IS THIS REAL?/YOUTH OF AMERICA/OVER THE EDGE (Sub Pop)

Por C.P. jr do Blog Volume 11
No fim dos anos 70, em Portland, longe das grandes cenas hype/punk dos EUA, um rapaz magro tocava em seu quarto, sozinho, uma SG que gritava com uma distorção sombria, enquanto imaginava como seria ter uma banda só dele. Não fantasiava sobre ser aclamado, ter legiões de fãs, groupies e toda sorte de (in)comododidades que o sucesso traz.

Ele pegava uma caneta e colocava num caderno suas letras, a maioria falando de sua solidão, de sua inadequação. Da cidade e suas figuras e sobre sua vida nada glamurosa. Especulações à parte, foi longe de tudo e todos, com mais dois amigos e um 4-track, que gravou sua primeira coleção de músicas, Is This Real?, e assim veio a existir o Wipers.

Anos se seguiram após o lançamento de seu primeiro disco e, se a lata vazia é a que mais retumba, a repercursão quase nula talvez seja diametralmente idêntica à sua qualidade e relevância. Talvez, fossem seus objetivos outros além de produzir música de qualidade, Greg Sage tivesse desistido. Felizmente o sucesso nunca foi seu objetivo e, assim, o Wipers seguiu lançando, ano após ano, discos fenomenais que hoje são considerados como marcos históricos do punk norte-americano.

Seguindo Is This Real? veio Youth of America, que seguia modelos bastante distintos do resto dos grupos punks da época. Enquanto a maioria deles se esforçava em conter seu ataque na casa dos 2, 3 minutos, a música que dá título ao segundo disco do Wipers chega aos 10 minutos. Além disso, a capa (um cartoon do mapa dos EUA e personagens de desenhos animados) foi rechaçada por todas as gravadoras por ser muito afrescalhada e não ser uma boa representação do que se pensava ser o punk. Sendo assim, pela segunda vez, apesar de lançar mais uma obra prima, outra futura referência para a história do punk, os Wipers passaram despercebidos e seria assim até o lançamento de seu próximo disco, Over the Edge. O terceiro disco dos Wipers, estranhamente, e a despeito da falta de empenho de Greg Sage em promovê-lo, como fôra com os anteriores, encontrou um certo reconhecimento imediato, o que fez com que os novos apreciadores da banda partissem atrás dos seus lançamentos prévios. Finalmente estavam fincados no imaginário punk o outro lado da moeda. o lado que contrasta com a irreverência dos Ramones e dos New York Dolls, o lado que fazia a geração vazia de Richard Hell parecer um gênero inócuo pra vender discos e o "no hope" e protesto dos Sex Pistols soar sem sentido e infantil e, por fim, o punk que fez todos os outros guitarristas do gênero parecerem crianças brincando de tocar.No entanto, os Wipers permaneceram no underground, muito por escolha do próprio Sage. Nos anos 90, quando já haviam desbandado, ganharam certa notoriedade quando Kurt Cobain, no auge da fama, gravou D-7 e Return of the Rat (ambas do Is This Real?). Mais que isso, os ecos dos riffs fantásticos e letras soturnas de Greg Sage e seus Wipers podiam ser ouvidos em qualquer música do Nirvana que você escolhesse ouvir... repentinamente, os tentáculos obscuros de uma banda que jamais havia saído de Portland pareciam impregnar toda uma geração de moleques pegando guitarras e querendo ser o próximo Kurt enquanto ele mesmo parecia um próximo e bem sucedido Greg Sage.



Os anos passaram, Kurt morreu, os Wipers acabaram e voltaram. Suas direções mudaram, mas o que permanece intacto é o talento, a força e a contundência de cada riff, cada refrão, cada arranjo que Greg tira de sua velha, surrada e distorcida SG plugada em suas caixas construidas no quintal de casa. A posteridade parece esperar aquele que sempre fez questão de esnobar a fama e o sucesso.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

URINALS: NEGATIVE CAPABILITY... CHECK IT OUT! (Amphetamine Reptile)

No rock, incompetência e estupidez contam como qualidades. Alguns, inclusive, conseguiram involuntariamente ser vanguarda e detonar revoluções a partir de sua limitações - vide os Ramones. The Urinals é um exemplo de como músicos precário podem gerar obras de pura genialidade. Estas gravações - realizadas entre 1978 e 1979 - nos mostram uma banda lo-fi com um inusitado senso de humor, executando canções minimalistas que parecem terem sido compostas dez minutos antes de serem gravadas e tocadas por pessoas que aparentemente foram apresentados aos seus instrumentos um dia antes de registrá-las. Veja porquê bandas como Minutemen, Yo La Tengo e muitos outros os idolatram e aprenda a amá-los também.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

THE NEW STRYCHNINES: THE NEW ORIGINAL SONIC SOUND (2004)

Atitude, arrogância, performances explosivas, gritos primais, barulho, distorção. Não, eu não estou falando de Iggy Pop ou de qualquer outro ícone associado ao punk. Todos esses atributos já eram características dos Sonics em 1964. Sim, os Sonics talvez sejam a mais influente e emblemática banda de garagem de todos os tempos. Para prestar tributo a eles, alguns de seus admiradores resolveram formar um "super grupo" para um evento que aconteceu em Seattle, em 2000, o Seattle Experience Music Project; festival organizado para homenagear as lendárias bandas de garagem da região. Pois bem, The New Stychnine nada mais é do que um grupo formado por Mark Arm e Steve Turner (ambos do Mudhoney, Monkeywrench e The Throwns Ups, nos vocais e baixo, respectivamente), Dan Perters (também do Mudhoney, na bateria), os guitarristas Tom Price (U-Men, Monkeywrench e Gas Huffer) e Big Kahuna (do Girl Trouble), e Scott McCaughey (dos Young Fresh Fellows e The Minus Five, nos teclados). Com o sucesso dessa apresentação, os músicos passaram a tocar eventualmente e, em 2004, gravaram este sensacional álbum de covers dos Sonics.
No encarte do CD, line notes escritas por gente de respeito como Roy Loney (Flamin' Groovies), Billy Chiddish, Deniz Tek (Radio Birdman), Andy Shernoff (The Dictators) entre outros. Todos depondo a respeito da influência que os Sonics exerceram em suas vidas e o quão o grupo foi importante para história do rock.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

THE GERMS: THE COMPLETE ANTHOLOGY

The Germs é o tipo de banda da qual as pessoas mais ouviram falar do que de fato escutaram. Em 1977, quando eles despontaram no circuito underground angeleno como sensação da emergente cena punk californiana, muitos os consideravam uma verdadeira revolução. O grupo, no entanto, teve vida curta. Na noite de 6 de dezembro de 1980, o corpo do carismático vocalista Darby Crash foi encontrado. Crash resolveu deliberadamente acabar com tudo, se suicidando com uma dose excessiva de heroína. Como sempre acontece no rock, em casos de estupidez abissais como a cometida pelo menino Darby, a banda virou lenda e ele um mito. No final das contas, o que realmente importa é a música e, nesse quesito, esta antologia até que cumpre bem o papel de dar uma geral na obra de um dos ícones do underground americano dos anos 70.