segunda-feira, 24 de agosto de 2009

CHROME CRANKS RECORDED LIVE AT FLETCHER'S, BALTIMORE, MD (1997)

O Chrome Cranks começou como uma despretensiosa brincadeira do cantor e guitarrista Peter Aaron e seu amigo e também guitarrista Willian G. Weber. Surgidos na cidade de Cincinnati, Ohio, em meados de 1988, o grupo fez sua estréia abrindo shows para o Pussy Galore, gravou umas coisinhas aqui e ali e deu uma parada por volta de 1991, quando Weber foi pra Nova York e juntou-se a GG Allin e seus Muder Junkies. A Banda retomaria suas atividades por volta de 1992, tendo como base de atuação a cidade de Nova York, ensaiando e gravando grande parte de seu material na Fun House, estúdio do novo baixista do grupo: o ex-Honeymoon Killers, Jerry Teel. Após sucessivas trocas de integrantes e alguns singles e EPs, editados por diversos selos independentes, o Chrome Cranks passou a ter uma formação mais estável a partir do ano de 1994, com a admissão do baterista Bob Bert (ex-Sonic Youth e Pussy Galore). Este post é o registro de um show do grupo em Baltimore, realizado em junho de 1997. Para uma gravação ao vivo num clube underground, a qualidade do áudio está ótima e dá uma boa idéia do estrago que eles são capazes.


quinta-feira, 20 de agosto de 2009

SONGS THE CRAMPS TAUGHT US

Como profundos conhecedores do universo pop/trash e obsessivos colecionadores de discos e filmes obscuros, os Cramps sempre foram pródigos em utilizar seu vasto repertório de referências na criação de suas divertidas composições. Songs The Cramps Taught Us nos mostra boa parte das coisas que eles ouviram, dando pistas de como funciona o processo criativo do grupo. O disco compila gravações originais de artistas das décadas de 50 e 60, que os Cramps usaram como base para compor seu material próprio ou mesmo fazer regravações. Hasil Adkins, Jack Scott, Link Wray, The Sonics, Andre Williams, The Trashmen e muitos outros. É um mundo de surpresas!

Links:
Songs The Cramps Taught Us Vol. 1
Songs The Cramps Taught Us Vol. 2
Songs The Cramps Taught Us Vol. 3

THE HONEYMOON KILLERS: LOVE AMERICAN STYLE (1985)

Sim, brothers and sisters, mais uma tijolada dos Honeymoon Killers! Este álbum, assim como os outros dois que postei aqui no Polimorfismo Perverso há algum tempo, só podem ser encontrados (e com certa dificuldade) em vinil! Ou seja, são autênticas relíquias! Love American Style é o segundo disco dos nova-iorquinos, e como já falei sobre a banda em posts anteriores, seria terrivelmente redundante fazê-lo novamente. Ouçam esse disquinho e tenham pesadelos a noite inteirinha.

Link: Honeymoon Killers - Love American Style (1985)

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

FREE KITTEN: INHERIT (2008)

Onze anos separam este Inherit de Sentimental Education (1997), o último lançamento do Free Kitten - projeto paralelo de Kim Gordon do Sonic Youth com a menina Julie Carfritz do Pussy Galore. Em Inherit, Kim e Julie resgatam velhas influências, acenando para os Stooges e para no wave, com uma ajudinha da baterista Yoshimi P-We das Boredoms e do taciturno J Mascis do Dinosaur Jr., que tocou em duas das onze faixas do álbum: "Surf's Up" e "Bananas". Very fucking cool! Link: Free Kitten - Inherit (2008)

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

FRAGMENTOS DA PUNKITUDE SOLAR

Pepe Escobar [1983]
Qual quer que seja o pesadelo que tenhamos, nele sempre representamos um papel, sempre somos protagonistas, somos alguém. Durante a noite o deserdado triunfa. Se os maus sonhos fossem suprimidos, haveria revoluções em série. A ira insolente e depravada do urro de guerra punk foi um verdadeiro pesadelo revolucionário. Na música popular, encaixou-se – como não poderia deixar de ser – no habitual ciclo de destruição, reconstrução e cristalização. Punk demoliu a barroca podridão em que o rock, indolente, onanista, autocomplacente, exercia seu flerte com luxo e riqueza. Punk foi um fulminante agente temporário. Missão secreta, tarefa limitada: purificar pelo fogo do barulho indiscriminado. Cumpriu sua missão. A partir daí, não poderia permanecer como música – pois não era música nem se arrastar agonizante para a tumba da inutilidade, sob a gélida lápide da indiferença. Mas isso é apenas coisa de Londres, Amsterdam, Berlin e Nova York, centros apodrecidos do pré-apocalipse? Nem tanto. Em Sampa, na remota América do Sul, os garotos de subúrbio estavam muito atentos. Em plena adolescência, quando diariamente o coração é dilacerado por um machado de cristal, qualquer um pode ser punk. A new wave – este regresso à infância da música pop – é coisa de rico, ou pelo menos remediado. Nos anos 60, tudo era límpido, franco: a música não tinha nada de contaminado. A esta fantasia arcádica, a new wave incorporou o libreto da ópera-bufa punk: noções precisas de justiça social, messianismo militante e esclarecedor, e desrespeito por resquícios da Antigüidade. Mas cuidado: os garotos de subúrbio de Sulamérica estavam falando sério: estavam se transformado em punks no rito e no grito.

Sem flash, estrondo ou ruído – para o mundo lá fora – em novembro de 81, no Stop, clube da zona leste de SP, acontece o primeiro festival punk da cidade, com Cólera, Olho Seco, Lixomania e Inocentes. Para se livrar de crise, desemprego, discriminação e angst urbana, o garoto de subúrbio não tinha cristais, anfetaminas ou pérolas: agora, uma gang em formação e gritos acumulados sobre guitarras distorcidas o levavam à obscuridade e embriaguez de antes do desencadeamento da luz. Finalmente encontrava um êxtase ininterrupto no cerne da opacidade original. Punk tropical: uma experiência interior. Vestidos de negro, cool, assexuados, esguios, os garotos começaram a invadir as galerias do Centrão, escavando rizomas nos corredores dos escritórios, perturbando a atonia dos pedestres descarnados, jogando sua nova identidade na cara da cidade com um cuspe gelado. Negras purulências no tecido urbano, discreta e silenciosa sabotagem de um estado geral de perplexidade, catatonia e conformismo. Tinham seu bunker: o Templo, clube da zona leste. Tinham sua trincheira: a Punk Rock Discos, 1º andar das Grandes e Podres Galerias da Avenida São João. Tinham suas armas: Xerox anunciando os shows na periferia e no ABC, fanzines cuidadosamente manufaturados em seu caos gráfico, a filosofia a marteladas dos discos da primeira fase punk – Sex Pistols, Damned, Subway Sect, Slits, Killjoy, Drones, Rich Kids, X-Ray Spex, além dos mais refinados como Dead Kennedys, Alternative TV (punk fascistóide do movimento "oi"), com Exploited, Cockney Rejects, InfraRiot, heavy metal absolutamente analfabeto. Tentavam de toda formar recuperar o irrecuperável. Pois o apuncalhamento tropical corria alguns anos depois do surgimento nas matrizes, onde já se cultivavam outras coisas: Inputs étinicos, sax e sintetizadores, rap contando a barra pesada da selva, revival do soul, new pop, o pop reggae nas trancinhas louras, o culto do corpo – belo e saudável - , um vídeo em cada casa, todos os tipos de "disc" em um computador em casa mão. De igual, só a depressão – financeira e emocional. Aqui era mesmo a terra prometida dos últimos dos moicanos. Anarquia, cataclismo, que belo fim para o iluminismo. Vix-Punk, SP Punk – os fanzines – celebram a Anarquia, indicam leituras, solidarizam-se com palestinos e irlandeses, trocam correspondência, e com o passar do tempo parodiam cada vez mais a campanha eleitoral de 82. A outra imprensa, a grande, acorda de seu sonho automatizado: jornalistas teleguiados por suas respectivas Igrejas estigmatizam essa nova marginalia; a TV descobre que esses filhos da arte povera compõem um sensacional e rentável mondo cane. Na zona sul, criptopunks entediados, em busca frenética do apocalipse chic, desembarcam de seu Mercedes para dançar ao som de Clash – que só foi punk até 77 – no Galery.
Agosto de 82: choque cultural. Os Inocentes vão tocar no mesmo Galery para uma platéia criptochic e quinze ou vinte punks autênticos. Um dos cretinos de plantão sorri debochado para Callegari, o guitarrista do grupo. Ele lhe devolve uma cuspida. Pânico na zona do sul. Punk passa das páginas de "cultura" para a seção de polícia. O Carbono 14 – ambíguo lar de todos os remanescentes e todas as vanguardas – faz uma semana punk. Mas é no Sesc-Pompéia que os noviços rebeldes debutam em estilo no grande baile podre da Sampa pós-moderna/pós-retrógrada.Até aí – para a população – os punks eram algumas bandas dispersas, algumas "exóticas" figuras trajadas de negro, dois discos lançados – Grito Suburbano, com várias bandas, e o compacto do Lixomania – e uma irrecuperável postura selvagem. O festival Começo do Fim do Mundo os exibiu como macaquinhos de estimação para os "oba-obas" estilo Sesc e os aspirantes à vanguarda. Ninguém entendeu nada. Lá estava toda a punkitude: skinheads comendo pipoca e distribuindo um soco ou outro; Antônio Bivar lançando seu livro O que é Punk para orientar os eternamente desorientados; o clássico Punk Rock Movie, com Pistols, Clash e Siouxsie em vídeo; Garotos de Subúrbio – a elegante meditação do Olhar Eletrônico sobre o universo punk, gritos de "Abaixo os hippies"; e, naturalmente, as bandas, comportando-se como raids kamikaze em alguma rádio-pirata e ondulando o mar negro em frente ao palco: Negligentes, Hino Mortal, Desertores, Juíso Final, M-19, Neuróticos, Doze Brutal, Extermínio, Ulster, Psykoze, Estado de Coma, Lixomania, Olho Seco, Inocentes, Cólera, Fogo Cruzado, Ratos de Porão, Skisitas, Decadência Social. Seus nomes contam sua história e a de sua época. Mas aquela platéia ainda estava em Woodstock.Depois disso – recuperados, expostos, qualificados e descartados – os punks paulistas foram deixados em paz. Incomodam demais a boa consciência para virarem motivo de polêmica entre a letárgica intelectuália nativa. Foi lançado o disco do Fim do Mundo – com intervenções de todas as bandas e produção e audição anfetamínicas. Saiu também Sub, em vinil vermelho, com várias bandas, e Miséria e Fome, compacto dos Inocentes. Nele, a mensagem básica: "De tudo o que vivi/ de tudo que eu vi/ só uma coisa aprendi/ aprendi a odiar". Em março de 83 os punks vão para o Rio e incendeiam o Circo Voador: duas mil pessoas, entre Hell’s Angels tropicais, hippies de bata branca, intelectuais desenganados, prostitutas bêbadas e surfistas entram em transe. O Globo registra o saudável tumulto em uma página.



Como no punk do primeiro mundo, o punk da terra da inflação de 12% ao mês revela como o establishment controla a tresloucada energia libidinal da juventude rebelde. Acabaram os James Dean, assim como os gritos de guerra do primeiro momento punk: "No More Heroes" (Stranglers), "White Riot" (Clash), "Anarchy" (Sex Pistols). Mas a recuperação não foi tão longe quanto poderia. Punk tropical nem mesmo virou fashion, porque é autêntico demais, agressivo demais, revelador de uma profunda solidão demais. Em uma de suas músicas, dizem: "Os punks também amam". Sim, e como, quando todos indulgem no sexo fácil ou nos cristais gélidos para afogar sua solidão. No subúrbio paulistano, forjou-se uma antipolítica capaz de pelo menos combater o microfascismo cotidiano: os punks do subúrbio paulista são o retorno do reprimido por uma "cultura" de compromisso, hipocrisia desmedida e idiotas abissais. Os punks negam até a morte. Mas não há negador que não esteja sedento de um catastrófico sim.


Discografia selecionada

Grito Suburbano (Olho Seco, Inocentes, Cólera - 1982)
O Começo do Fim do Mundo (Sesc Pompéia - 1982)
SUB (R.D.P., Cólera, Psykóze, Fogo Cruzado - 1983)
Olho Seco - Botas, Fuzis e Capacetes (1983)
Inocentes - Miséria e Fome (1983)
Ratos de Porão - Crucificados Pelo Sistema (1984)
Ataque Sonoro (R.D.P., Lobotomia, Armagedon - 1985)
Psychic Possessor - Nós Somos A América Do Sul (1985)
Lobotomia - Lobotomia (1987)

terça-feira, 4 de agosto de 2009

THE DEL-VETTS: LAST TIME AROUND EP

Em maio de 1966, um grupelho norte-americano da cidade de Chicago, no estado de Illinois, chegou detonando com uma das mais impactantes punk songs dos sixities, o hit single "Last Time Around". Na seqüência, o quarteto apareceu com mais um registro, este EP cujo sensacional rave-up nos arranjos de fuzz-guitar e melodias pop nitidamente inspiradas na invasão britânica, não deixa dúvidas quanto a influência que os Del-Vetts exerceram sobre o punk rock e a new wave nova-iorquina da década seguinte.

Link: The Del-Vett - Last Time Around EP (1966)

THE ROB TYNER BAND: DO IT (1975)

Muito bem, dando seqüência aos posts de roque pauleira, aqui vai mais um que certamente fará a alegria da meninada ávida por preciosidades ligadas aos (sempre presentes neste blog) Stooges e MC5. Sim, eu reconheço isso! Do It, é um registro ao vivo da Rob Tyner Band, grupo que começou como uma idéia estapafúrdia de Tyner de reformular o MC5 com novos integrantes. Descontando este despautério inicial, o menino Rob dá uma verdadeira aula do que é feito o melhor rock 'n' roll!

O New Order foi uma tentativa de banda do menino Ron Asheton, quando os Stooges caíram pelas tabelas por volta de 1974. Se não é nada de tão brilhante (eu particularmente prefiro outro projeto dele bem mais ousado, o Destroy All Monsters), também não é algo que se despreze. O New Order é pura e simplesmente uma banda de hard rock. Um rock potente, com uma formação interessante - conta com o ex-MC5 Dennis Thompson, Scott Thurston (tecladista dos Stooges em sua fase final e chapa de Iggy em várias ocasiões) e Jimi Recca (que também teve uma passagem rápida pelos Stooges) -, mas, a meu ver, tudo excessivamente corretinho demais. Vale pelo registro histórico... Ouçam!

Link: New Order - Declaration of War (1975)

domingo, 2 de agosto de 2009

WAYNE KRAMER WITH DODGE MAIN

Desde os tempos do MC5, Brother Wayne Kramer é associado ao que há de mais ousado, hiperativo e perturbador no cenário musical. Neste projeto, ele divide os créditos com outros ícones do barulho - Scott Morgan (Ex-The Rationals e Sonic's Rendezvous Band) e Deniz Tek (do grupo punk australiano Radio Birdman) - para prestar um tributo à cena rock de Detroit e a companheiros já falecidos: Rob Tyner, Fred "Sonic" Smith e Dave Alexander (baixista dos Stooges). No cardápio, clássicos do MC5, dos Stooges, da Sonic's Rendezvous Band, do Radio Birdman, algumas inéditas da rapaziada e uma esperta versão para um reggae de Jimmy Ciff (!).

Link: Dodge Main - Dodge Main (Alive Records)