sábado, 20 de junho de 2009

NO NEW YORK: JAMES CHANCE AND THE CONTORTIONS - TEENAGE JESUS AND THE JERKS - MARS - DNA (1978)

Por volta de 1976, o rock encontrava-se num profundo estado de letargia. A partir do momento em que o gênero tornou-se um produto altamente rentável e seguro para a indústria, a coisa toda diluiu de tal forma que, o que antes era considerado feio, sujo e transgressor, passou a ser perfeitamente aceito e absorvido pelo establishment. O rock enquanto sinônimo de rebeldia e energia libertadora estava nas últimas. Havia chegado a hora da eutanásia. Mas antes de os clínicos desligarem os aparelhos, alguém teve a ideia de dar um último golpe de descarga elétrica no cadáver. Funcionou! A essa atitude crucial deram o nome de punk. Foi em Nova York - berço de mil movimentos e vanguardas - que o punk surgiu como uma resposta às enfadonhas progressões sinfônicas do rock progressivo e ao comercialismo do soft rock. Paralelo à essa emergente cena punk/new wave que começava a sacudir o circuito de clubes e casas noturnas de Manhattan, surgia na região do lower east side um movimento musical de vanguarda ainda mais ousado e radical: a no wave. Simplificando um pouquinho as coisas, dá para dizer que a sonoridade dos grupos dessa cena soa como um amálgama do jazz de Albert Ayler e Sun Ra, misturado a cacofonia experimentalista de Captain Beefheart e do punk terminal dos Stooges.

No New York é o registro inaugural de alguns dos mais representativos nomes da cena no wave. O disco foi concebido pelo músico e produtor Brian Eno que, de tão impressionado com o que viu e ouviu nas bibocas da Big Apple, resolveu produzir esta coletânea inicialmente idealizada como um álbum duplo com dez bandas. No final, o disco acabou saindo como um álbum simples, com apenas quatro grupos - The Contortions, Teenage Jesus & The Jerks, Mars e DNA - que contribuíram com quatro faixas cada. Não é fácil descrever o efeito da porrada. Todas as bandas presentes nesta compilação fazem de maneira particular sua própria versão do que podemos chamar de "terrorismo musical". Após mais de trinta anos, o disco ainda impressiona. Este álbum não foi nenhum fenômeno de vendas, mas teve o grande mérito de apresentar ao mundo malucos primordiais como James Chance e a cantora, atriz e artista plástica Lydia Lunch, além de influenciar gerações. Do Sonic Youth ao Ministry, do Swans ao TV on The Radio.

Link: No New York - Various Artists (1978)