sexta-feira, 22 de maio de 2009

FRANK ZAPPA & THE MOTHERS OF INVENTION: FREAK OUT! (1966)

Por Tiago Santana
"The present-day composer refuses to die!", disse certa vez Edgar Varèse, herói do nosso herói, e sem dúvidas essa frase é o que melhor se encaixa nos moldes de Frank Vincent Zappa. Mas bem, trataremos por enquanto daquilo que seria o começo de tudo (relativamente falando, pois o bigodudo teve umas outras bandas de curto período no começo dos anos 60).

Em 1966, uma banda nada convencional lançaria seu debuto (ou estupro) musical. Com 15 faixas compiladas naquele que seria o primeiro álbum duplo de música popular da história. A ousadia já começa por aí, certo? Certíssimo. Enquanto o pessoal do Reino Unido desfrutava o auge do seu power pop com os Fab Four, Kinks, Hollies e Cia., os EUA tentavam se igualar à genialidade dos Beatles - vide o Pet Sounds dos Beach Boys - ou até mesmo, viviam aquilo que seria o começo de uma contracultura pop: o pessoal mal-encarado do Velvet Underground, o flower power da costa oeste, as futuras músicas anti-guerra, etc... Os Mothers of Invention estavam pouco se lixando pra todas essas tendências, modas, regras sociais e o diabo. Criaram um estilo próprio, mesclando o caos e a beleza do jazz, do erudito, mais ataques sonoros com distorção, bagunças teatrais no palco, e o mais impressionante: a precisão cirúrgica com a qual eles executavam sons que aparentemente não tinham nexo algum. Mas bem, na mente do louco tudo faz sentido, não é? Do hino lado B "Hungry Freaks, Daddy" até a orgia experimental de "The Return Of The Son Of Monster Magnet", encontramos de tudo um pouco, passando pela brilhantina dos anos 50 de "How Could I Be Such A Fool", pela obscura "Who Are The Brain Police?", a bubblegum "Wowie Zowie", o protesto verbal em "Trouble Every Day" e as coisas mais estranhas que o rock já havia presenciado até então: "Help I’m A Rock" e "It Can’t Happen Here". Zappa usava o estúdio com maestria. Eu poderia até ousar dizer que ele era o rei dos overdubs, alguém discorda? Repare nos xilofones aqui, backing vocals ali, os metais, orquestras, um sonzinho sempre escondido. Você pode ouvir este disco dele (e vários outros), e sempre vai encontrar algo que não havia reparado, ou melhor, irá ter uma perspectiva diferente do álbum a cada audição.



Ouça pelo pioneirismo, pelo lado musical em si, pela crítica social, pela ousadia, pela "anormalidade" que todos nós adoramos (bem, nem todos). Nenhum segundo dessa obra-prima foi desperdiçado. Cada compasso é uma genialidade diferente. E se você se impressionou por aqui, não perca tempo e vá atrás do melhor dos Mothers: We’re Only In It For The Money, só não conte para seus amigos, se quiser manter o seu ciclo social saudável.