quarta-feira, 27 de maio de 2009

THE MONO MEN: TEN COOL ONES

Qualquer álbum do Mono Men mereceria figurar aqui no Polimorfismo. Escolhi este por razões de ordem afetiva mesmo. Por ter sido o disco que me pôs em contato com a banda. Da faixa de abertura com "Kick Out The Jams" do MC5 até "Return Of The Rat" dos Wipers, o disquinho é cacetada do começo ao fim! Os mais espertos, com certeza, se ligaram na garimpagem de primeira que os meninos do Mono Men fizeram, ao desfilar uma coleção de impetrepações instigantes que vão de Link Wray ao 13th Floor Elevators.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

CHAPPAQUA: ALMAS ENTORPECIDAS

Por Luís Gustavo
"Meu nome é Russel Harwick. Começo este diário como um registro de minhas experiências enquanto sofria de alcoolismo. Comecei a beber de forma moderada aos 14 anos nas férias com os amigos. Aos 15 sofria de delirium tremens. Aos 19, descobri que maconha, haxixe, cocaína ou heroína afastavam-me do álcool por um período. Meu padrão se tornou um aterrorizante labirinto de álcool e de drogas. Finalmente fui introduzido aos alucinógenos: peyote, psilocibina e LSD 25". Assim começa o longa "Chappaqua", clássico da porra-louquice sessentista, produzido, dirigido e estrelado pelo maluquete Conrad Rooks, que conta aqui a sua própria história na pele do personagem Russel Harwick. Chappaqua é o mais próximo que o cinema chegou de uma bad trip. A história aqui é o de menos. Se você estiver à procura de linearidade, começo-meio-fim, melhor nem assistir. O filme de Rooks é todo ele uma viagem alucinatória, onde todas aquelas invencionices e clichês do cinema underground dos sixties dão as caras. As experimentações de Rooks e sua equipe de filmagem, na verdade, parecem querer apenas criar uma representação dos delírios do personagem central. É interessante notar também que, já nesta época, Chappaqua demonstrava uma visão pouco romântica das viagens lisérgicas, indo exatamente contra o discurso de gente como Timothy Leary e Ken Kesey.

O filme ainda impressiona, mas o que faz de Chappaqua uma obra que merece ser vista ainda hoje, é sua representação como registro de uma época, onde podemos constatar que dificilmente veremos algo tão louco sendo feito hoje em dia. Outra curiosidade é o notável cast da fita. Conrad Rooks não economizou na hora de convocar a nata da contracultura da época: os escritores beat William S. Burroughs e Allen Ginsberg, o jazzista Ornette Coleman, o guru espiritual Swami Satchidananda, o poeta e músico nova-iorquino Moondog e a banda de garagem The Fugs.

Abaixo, o link com o filme completo e legendado para download, e um trecho do mesmo com uma performance memorável dos loucaços The Fugs!

Link: Chappaqua: Almas Entorpecidas (1966)

sexta-feira, 22 de maio de 2009

FRANK ZAPPA & THE MOTHERS OF INVENTION: FREAK OUT! (1966)

Por Tiago Santana
"The present-day composer refuses to die!", disse certa vez Edgar Varèse, herói do nosso herói, e sem dúvidas essa frase é o que melhor se encaixa nos moldes de Frank Vincent Zappa. Mas bem, trataremos por enquanto daquilo que seria o começo de tudo (relativamente falando, pois o bigodudo teve umas outras bandas de curto período no começo dos anos 60).

Em 1966, uma banda nada convencional lançaria seu debuto (ou estupro) musical. Com 15 faixas compiladas naquele que seria o primeiro álbum duplo de música popular da história. A ousadia já começa por aí, certo? Certíssimo. Enquanto o pessoal do Reino Unido desfrutava o auge do seu power pop com os Fab Four, Kinks, Hollies e Cia., os EUA tentavam se igualar à genialidade dos Beatles - vide o Pet Sounds dos Beach Boys - ou até mesmo, viviam aquilo que seria o começo de uma contracultura pop: o pessoal mal-encarado do Velvet Underground, o flower power da costa oeste, as futuras músicas anti-guerra, etc... Os Mothers of Invention estavam pouco se lixando pra todas essas tendências, modas, regras sociais e o diabo. Criaram um estilo próprio, mesclando o caos e a beleza do jazz, do erudito, mais ataques sonoros com distorção, bagunças teatrais no palco, e o mais impressionante: a precisão cirúrgica com a qual eles executavam sons que aparentemente não tinham nexo algum. Mas bem, na mente do louco tudo faz sentido, não é? Do hino lado B "Hungry Freaks, Daddy" até a orgia experimental de "The Return Of The Son Of Monster Magnet", encontramos de tudo um pouco, passando pela brilhantina dos anos 50 de "How Could I Be Such A Fool", pela obscura "Who Are The Brain Police?", a bubblegum "Wowie Zowie", o protesto verbal em "Trouble Every Day" e as coisas mais estranhas que o rock já havia presenciado até então: "Help I’m A Rock" e "It Can’t Happen Here". Zappa usava o estúdio com maestria. Eu poderia até ousar dizer que ele era o rei dos overdubs, alguém discorda? Repare nos xilofones aqui, backing vocals ali, os metais, orquestras, um sonzinho sempre escondido. Você pode ouvir este disco dele (e vários outros), e sempre vai encontrar algo que não havia reparado, ou melhor, irá ter uma perspectiva diferente do álbum a cada audição.



Ouça pelo pioneirismo, pelo lado musical em si, pela crítica social, pela ousadia, pela "anormalidade" que todos nós adoramos (bem, nem todos). Nenhum segundo dessa obra-prima foi desperdiçado. Cada compasso é uma genialidade diferente. E se você se impressionou por aqui, não perca tempo e vá atrás do melhor dos Mothers: We’re Only In It For The Money, só não conte para seus amigos, se quiser manter o seu ciclo social saudável.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Depois de uma olhada nesse planeta, qualquer visitante extraterrestre dirá: "Eu quero ver o gerente."

William S. Burroughs

terça-feira, 19 de maio de 2009

THE MUSIC MACHINE: TURN ON (1966)

Antes do psicodelismo e do flower power baterem forte na costa oeste norte-americana, já havia um cenário musical muito forte na cidade de Los Angeles. Foi de lá que surgiram bandas como The Doors e figuras lendárias como Arthur Lee (do grupo psicodélico Love) e Kim Fowley. Los Angeles também foi palco de algumas das mais importantes bandas de garagem do período: The Seeds, The Standells e The Music Machine. Este último, já chamava a atenção pela forte identificação visual.
O Music Machine surgiu em 1966, das cinzas de um grupo de pouca expressão chamado The Ragamuffins, de onde saíram o vocalista Sean Bonniwell, o baixista Keith Olsen e o baterista Ron Edgar. Com a adição do organista Doug Rhodes e do guitarrista solo Mark Landon, o novo grupo tomou forma e imediatamente começou a cobrir o circuito de casas noturnas de LA. Em setembro de 1966, os cinco entraram em estúdio com o produtor Brian Ross, de onde saíram com o compacto arrasa-quarteirão "Talk Talk". O álbum de estréia do quinteto, (Turn On) The Music Machine, chegou às lojas no mesmo ano e não vendeu nada. Independentemente do fracasso comercial, Turn On... é um disco fantástico! Canções como "Talk Talk", "Wrong" e "Trouble", impressionam pela dinâmica e criatividade dos arranjos. Um clássico do sixties punk. E como eu sou um cara barra-limpa, além do álbum de estréia, também estou postando aqui como bônus o segundo LP da rapaziada, The Bonniwell Music Machine . See ya!

Apontado pelo famoso crítico de rock Lester Bangs como a maior cópia dos Yardbirds que já existiu, o Count Five foi um pouquinho mais do quê isso. É certo que eles foram uma banda de um hit só, a extraordinária "Psychotic Reaction" - com seu riff de guitarra pegajoso e maravilhosamente imundo -, mas neste álbum de estréia, lançado no prolífico ano de 1966, os meninos apresentam um punhado de boas canções que merecem constar na lista de preferidas de qualquer fã de trash rock, e temas como "Double Decker Bus", "Peace of Mind" e "Pretty Big Mouth", são capazes de animar qualquer festa moderninha!

Link: Count Five - Psychotic Reaction (1966)

Em seu segundo álbum, a mais selvagem e influente banda de garagem de todos os tempos reitera seu credo numa perfeita continuação dos desvarios cometidos no inacreditável disco de estréia, Here Are The Sonics!!!. Da pauleira caústica de "Cinderella" à ode ao demo em "He's Waiting", chegando ao terremoto rítmico de "Shot Down", você tem basicamente tudo o que precisa para sair correndo e montar sua própria banda! Pelo menos foi assim que aconteceu comigo...

sexta-feira, 8 de maio de 2009

THE KNOXVILLE GIRLS (In The Red)

The Knoxville Girls é o tipo de banda que alguns chamariam de super-grupo. Só pelos nomes envolvidos no lance já podemos ter a certeza de que o negócio é casca-grossa mesmo. Se não, reparem bem: Jerry Teel (The Honeymoon Killers, Boss Hog, Chrome Cranks), Kid Congo Powers (The Gun Club, The Cramps, Nick Cave and the Bad Seeds, Congo Norvell), Bob Bert (Sonic Youth, Pussy Galore, Chrome Cranks) e os meninos Jack Martin e Barry London (ambos do Congo Norvell). Sentiram aí o tamanho da encrenca?! É podreira do mais alto nível, meu irmão!

Neste álbum de estréia, as epifanias sônica do quinteto nova-iorquino percorrem um caminho pra lá de inusitado, mesclando sons que vão do country western à no wave, do soul ao r&b, mais doses generosas de rock 'n' roll (aquele!) e de garage rock. O resultado final disso tudo é maravilhoso e garante bons momentos de satisfação aqueles que gostam da coisa verdadeira e, acima de tudo, bem feita!


The Knoxville Girls:

Jerry Teel - Vocais e guitarra
Kid Congo Powers - Guitarra
Jack Martin - Slide
Barry London - Orgão
Bob Bert - Bateria

sábado, 2 de maio de 2009

HOWLIN' WOLF: "AIN'T GOIN' DOWN THAT DIRT ROAD"

Howlin' Wolf começou sua carreira musical no sul dos Estados Unidos, mas foi em Chicago que seu r&b de pegada vigorosa e seu estilo gutural encontraram ressonância, tornando-o um dos artista negros que mais influenciou o rock a partir da década de 60. The Rolling Stones, The Doors, Captain Beefheart, Cream, The Jimi Hendrix Experience e Led Zeppelin, são apenas alguns dos exemplos mais notórios dentre os artistas que já prestaram tributo ao músico, seja na forma de covers ou mesmo a partir da pura e simples apropriação de fórmulas.

Em 1951, quando pisou pela primeira fez no estúdio do produtor e descobridor de talentos Sam Phillips, em Memphis, Wolf já não era mais nenhum menino. Tinha lá seus 41 anos de idade quando gravou "Moanin At Midnight" e "How Many More Years". Foi um pouco mais tarde, já no cast da Chess (lendária gravadora de Chicago, fundada por dois poloneses vidrados em música negra norte-americana), que o bluesman produziu seus temas mais memoráveis: "Back Door Man", "Spoonful", "Killing Floor", "The Red Rooster", "I Ain't Superstitious" etc. A pegada crua e vigorosa e as interpretações lancinantes do velho Howlin' Wolf, são os elementos responsáveis pelo caráter atemporal da obra e pelo brilho e força das canções. Sublime é pouco!

"O mundo é somente o espelho de nós mesmos. Se alguma coisa vos faz vomitar, vomitem, senhores, porque não são mais que as vossas próprias caras doentes o que estão a ver".

Henry Miller