terça-feira, 28 de abril de 2009

THE DAY THE EARTH MET THE... ROCKET FROM THE TOMBS

Por Luís Gustavo
No início dos anos 70, surgia uma nova banda de rock para traduzir em música todo o clima opressivo dos grandes centros urbanos. Caos, medo, paranóia e violência em aterradoras visões apocalípticas. Brothers and sisters, tirem as crianças e os cardíacos da sala, aumentem bem o som - este é o Rocket From The Tombs.

"Aranhas negras explodem a artilharia anti-aérea pelo céu/alcançando com suas garras por todos os lados/Sem lugar para correr ou fugir/ sem fuga da corrida suicida".

30 Seconds Over Tokyo

O Rocket From The Tombs pode ser considerado o elo perdido entre o rock de garagem dos anos sessenta e a gênese de toda aquela movimentação contracultural que acontecia no underground nova-iorquino, que daria no punk rock. O grupo fazia uma música claramente apontada para o futuro. De importância histórica incontestável, o RFTT notabilizou-se também por ter sido o embrião de dois grupos fundamentais para o rock alternativo: Pere Ubu e Dead Boys.

Nossa história remonta ao longínquo ano de 1974, onde encontraremos um jovem crítico musical - e frontman de uma banda de rock imaginária - chamado David Thomas. David escrevia para algumas publicações sob pseudônimo de Crocus Behemoth, e vivia sonhando com esse grupo de rock "incendiário" que ele havia idealizado para espantar o tédio da chatíssima cidade de Cleveland. Quando conheceu o guitarrista Peter Laughner, David viu a chance de finalmente concretizar seu projeto de banda. Após convencer Laughner a embarcar nessa história, não demorou muito para que outros elementos sem muito que fazer da vida juntassem-se à dupla - o guitarrista Gene O' Connor (que mais tarde ficaria famoso como Cheetah Chrome, o agitado guitarrista dos Dead Boys), o baixista Craig Bell e o baterista John Madansky (o Johnny Blitz dos Dead Boys). Assim surgia o lendário Rocket From The Tombs.

Em junho de 1974, após alguns ensaios, o grupo começou a tocar nos poucos espaços que os admitiam, em Cleveland. Além de versões para temas alheios, o grupo também apresentava alguns números próprios. E era no material próprio que o bicho pegava e a banda mostrava sua força. Tanto que chamaram a atenção e ganharam o respeito do temível crítico musical Lester Bangs, que os ouviu a partir de um registro ao vivo em fita cassete com áudio de baixíssima qualidade.
Durante o curto período em que esteve em atividade (de maio de 1974 até agosto de 1975), o Rocket From The Tombs sofreu algumas pequenas mudanças em seu line up (Stiv Bators, dos Dead Boys, chegou a cantar no RFTT por um tempo, até ser mandado embora por Behemoth) e nunca chegou a gravar nada oficialmente. Os poucos (e raríssimos) registros de shows e ensaios que existiam permaneceram obscuros por muito tempo, e foram resgatados somente em 1990, quando saiu um LP em caráter semi-oficial e de tiragem limitada, intitulado "Life Stinks" - disco praticamente impossível de ser encontrado. Assim, a banda continuou no limbo por mais um bom tempo, dividindo espaço com outros tantos malditos de mesma linhagem como Destroy All Monsters, Electric Eels e Simply Saucers.

Em 2002, a história mudou um pouco de figura com o lançamento do CD "The Day The Earth Met The... Rocket From The Tombs", disco lançado pelo selo Smog Veil, e facilmente encontrado em lojas virtuais pela Internet. O material é uma maravilha! Reúne demos e gravações ao vivo realizadas no início de 1975. Estão lá músicas que viraram clássicos no repertório dos Dead Boys (Sonic Reducer, Never Gonna Kill Myself Again, Down In Flames) e do Pere Ubu (30 Seconds Over Tokyo, Life Stinks), mais versões detonantes para duas canções dos Stooges (Raw Power e Search And Destroy). Pode-se dizer que este lançamento foi responsável por dar início a um novo culto em torno da banda, entre uma geração que sequer havia nascido quando o Rocket acabou, em 75.Mas a surpresa definitiva mesmo foi quando anunciaram que o grupo retornaria para gravar o álbum de estúdio que eles nunca realizaram. A formação já não é a mesma, é verdade, mas ainda assim não é algo que se despreze, já que no lugar de Laughner (falecido em 1977), foi chamado o guitarrista Richard Lloyd (ex-Television) e o baterista Steve Mehlman - parceiro de David Thomas no seu Pere Ubu. Com o lançamento do álbum "Rocket Redux", a banda saiu em turnê, participou de alguns festivais europeus e continuou tocando pelos Estados Unidos, cobrindo o circuito mais under do underground, em shows proibidos para menores de 18 anos.Álbuns disponíveis:

RFTT - The Day The Earth Met The... (Smog Veil)
RFTT - Rocket Redux (Glitterhouse)