quinta-feira, 19 de março de 2009

THE ELECTRIC EELS: EYEBALL OF HELL

Por Luís Gustavo
O Electric Eels é uma banda que já vale pela lenda. Quase ninguém conhece, mas quem sabe do que se trata, garante que eles ao lado do Rocket From The Tombs, foram duas das mais influentes bandas do pré-punk americano no início dos anos 70. Sua musicalidade crua e agressiva criou uma ponte que liga o rock de garagem dos anos 60 ao punk da década seguinte. E a história do grupo, de tão grotesca, poderia muito bem ser definida como um cruzamento de "Os Cantos de Maldoror" com Notícias Populares.

God Says Fuck You

Os Eels tiveram uma curta e confusa carreira, marcada por sua inoperância, para não dizer total inabilidade em existir num mesmo plano físico que o restante da raça humana. Os caras definitivamente não eram moleza. As adversidades externas, como por exemplo, o fato de eles serem de Cleveland, Ohio – uma cidade besta situada no meio-oeste norte-americano – também não ajudaram muito. Cleveland era uma cidade onde não havia absolutamente nada. Não havia outras bandas como a deles tocando, não havia espaços alternativos e muito menos um público interessado naquele rock esquisito que eles faziam. Trocando em miúdos: era uma merda completa.

Como eu já havia dito, eles não eram uns tipos muito agradáveis. Ninguém acendia isqueirinhos em seus shows. Punks radicais, os Eels eram uns sujeitos violentos e perigosos. Suas apresentações eram invariavelmente envoltas num clima de medo e perigo. Num show dos Electric Eels o pagante podia ter a certeza de que alguma coisa ali iria acontecer. Eram discussões e agressões físicas entre eles próprios em pleno palco, brigas entre eles e membros da plateia, confrontos com a polícia, apresentações suspensas por promotores assustados... Enfim, toda sorte de barbaridades. Tudo o que os Pistols faziam para vender jornal, acontecia bem ali na sua frente, sem cortes, sem enfeites e uns bons anos antes do movimento punk pegar na Inglaterra.

Em três anos de existência (de 1972 até 1975), a banda operou com constantes mudanças em sua formação, tendo como membros fixos apenas o vocalista Dave E. McManus e o guitarrista John Morton. Baixistas eles nunca tiveram, e bateristas eram um constante problema. O último deles, o menino Nick Knox, ficaria famoso anos depois tocando na formação clássica do Cramps.

Já na fase final de sua caótica trajetória, os Eels finalmente descobriram que não eram os únicos loucos na cidade. Por volta de 1974, conheceram dois outros grupos parecidos com o deles, o Rocket From The Tombs e o Frankenstein (embriões do Pere Ubu e do Dead Boys). Chegaram a fazer alguns poucos shows em conjunto, que não juntavam nem cem pessoas. Depois de muita balburdia, muita baixaria e já cansados de dar murro em ponta de faca, o Electric Eels se dissolveu, assim como os dois outros grupos citados, que tiveram um pouco mais de sorte quando fundaram outras bandas e (no caso dos Dead Boys) se mandaram de Cleveland. De resto, ficaram as lendas e a aura cult para a posteridade.