domingo, 29 de março de 2009

PATIFE BAND: DE VOLTA AO CORREDOR POLONÊS (Entrevista com Paulo Barnabé)

Por Luís Gustavo
Paulo Estevão Barnabé, o "Paulinho Patife", é um artista independente. Independente na acepção mais ampla do termo. Sua postura e concepção musical não admitem qualquer associação com estilos, regras e estruturas estabelecidas. Músico inquieto e inventivo, as palavras "acomodação" e "normalidade", definitivamente, não fazem parte do seu vocabulário e, Como todo artista de personalidade e posições bem-definidas, ele odeia rótulos, no entanto, os críticos e as pessoas de um modo geral, constantemente tendem a traçar paralelos entre sua obra e o trabalho desenvolvido por músicos de rock ligados às vanguardas nova-iorquina e europeia.

Quando formou a Patife Band, em meados de 1984, sua maneira muito particular de compor fez do seu grupo uma das mais originais formações do rock brasileiro da época. Não havia absolutamente nada parecido com o que eles faziam. Experimentos com música atonal, dodecafonismo e avant jazz fundidos ao que havia de mais radical no rock daquele início de década.

Referências são sempre o caminho mais fácil para quem procura assimilar superficialmente algo novo ou fora do comum. É um vício que as pessoas têm desde sempre, mas se a intenção for a de buscar as "raízes" e as possíveis influências que norteiam o trabalho desenvolvido por Paulo Barnabé na Patife Band, estas jamais seram encontradas num grupo "modernex" inglês ou norte-americano - elas residem no que se convencionou chamar de "vanguarda paulistana", um movimento no qual o próprio Paulo foi um dos principais agentes ao lado de seu irmão, o músico erudito Arrigo Barnabé.

Ainda nos anos 70, quando morava em Londrina, no Paraná, Paulinho já ensaiava suas experimentações de vanguarda com o irmão Arrigo e um amigo paulista que eles haviam conhecido por lá, o músico Itamar Assumpção. Quando os três foram morar juntos em São Paulo, na segunda metade da década, os traços da revolução estética que eles promoveriam, delinearam-se rapidamente, chegando ao seu grande momento na histórica apresentação de Arrigo no Festival Universitário da TV Cultura, em maio de 1979, com a insólita "Diversões Eletrônicas", responsável por introduzir o atonalismo na música popular brasileira. Na ocasião, Paulo e Itamar atuavam como músicos e arranjadores de base na banda de Arrigo, Sabor de Veneno. Durante a apresentação, lá estava ele; tocando bateria e percussão em meio a balburdia habitual do público.

Ainda na banda Sabor de Veneno, Paulo participou ativamente das gravações do primeiro disco de Arrigo, o clássico "Clara Crocodilo", de 1980. No ano seguinte, foi dar uma forcinha ao amigo Itamar Assumpção em sua empreitada solo - tocando baterista no coletivo Isca de Polícia, onde gravou o LP independente "Beleléu, Leléu, Eu", álbum de estréia de Itamar e um dos mais importante registro da vanguarda paulistana. Depois de vários shows com Arrigo, tocando inclusive, no festival de jazz de Berlin em 1983, Paulo aproveitou a estada pela Alemanha e passou um tempo por lá estudando com o mestre Stockhausen. De volta ao Brasil, participou do segundo álbum de Arrigo, “Tubarões Voadores” (1984), e posteriormente decidiu seguir carreira solo, dando início a um projeto mais pessoal. Foi assim que surgiu a Paulo Patife Band, rebatizada de Patife Band na sequência.

A banda entrou em estúdio em 1985 e gravou seu primeiro disco - um EP de capa branca, com seis faixas - pelo selo independente Lira Paulistana. Apesar da repercussão tímida, o disco obteve boas críticas vindas de gente bastante rigorosa. Paulo e sua turma só tiveram maior projeção mesmo quando participaram do filme Cidade Oculta, do cineasta Chico Botelho. É provável que a participação do grupo no longa tenha sido a razão principal que levou a gravadora WEA a entrar em contato com Paulinho e sua banda. De qualquer modo, eles assinaram um contrato com um grande selo e tiveram um bom suporte em termos de produção, podendo contar, por exemplo, com os serviços de gente da categoria de Peninha Schimidt. Dessa associação, saiu o impressionante Corredor Polonês, com sua bem urdida fusão de atonalismo, dodecafonia, avant jazz e punk rock. Por volta de 1990, Paulo deu uma parada e somente em 2002 retomou suas atividade com a Patife Band, já com uma nova formação. Desde então, a banda foi trocando sucessivamente de músicos, chegando atualmente a um formato completamente distinto de tudo o que ele havia feito. De acordo com a descrição que o próprio Paulo faz da atual formação do grupo nesta entrevista, percebe-se que ele pretende levar a Patife Band para uma nova e mais ousada direção.

Luís Gustavo – Antes de formar a Patife Band você já fazia parte da chamada “vanguarda paulistana”, participando de muitos dos projetos musicais de seu irmão Arrigo Barnabé, e tocando com o Itamar Assumpção. Fale sobre essa época, suas experiências e como tudo isso influenciou no seu trabalho quando você começou com a banda.

Paulo BarnabéEu, Arrigo e Itamar chegamos a morar juntos em 1976, antes de acontecer os dois festivais que lançaram nomes novos no cenário musical, o da TV Cultura que foi o Festival Universitário e o da antiga TV Tupi, que se transformou mais tarde no SBT. Bom, quando moramos juntos nós começamos a preparar um repertório com músicas do Arrigo e algumas minhas em parceria com ele, a ideia era tentar tocar em bares, mas acabou não dando certo e desmanchamos a banda. Um ano depois aconteceu esse Festival da Cultura e o Arrigo inscreveu duas músicas, uma que ele acabara de compor na época que era "Infortúnio" e outra, mais antiga, "Diversões Eletrônicas". Então, ele montou a banda Sabor de Veneno, uma quase big band com quinteto de metais, três backings femininos, dois teclados, baixo, guitarra e bateria. Eu e o Itamar cuidamos dos arranjos de base que são os instrumentos baixo/bateria e guitarra. Nesse festival o Arrigo ficou em primeiro lugar com Diversões Eletrônicas. A partir daí começamos a ter um público grande e aconteceram muitos shows, o Itamar logo mais sairia pra formar sua banda, a Isca de Polícia, e o Arrigo entrou em estúdio pra gravar o "Clara Crocodilo". Logo após o lançamento, um ano mais ou menos, eu entrei em estúdio pra gravar o primeiro do Itamar também. Depois do segundo LP do Arrigo, eu sai pra começar meu trabalho solo. Comecei com o nome de Paulo Patife Band, e quando gravei meu primeiro EP reduzi pra Patife Band, isso em 85. No ano seguinte fui convidado pela WEA e comecei a preparar o "Corredor Polonês" que foi lançado em 87. Antes disso, em 85, ainda participei da trilha do filme Cidade Oculta, onde já estava preparando "Poema em Linha Reta", poema de Fernando Pessoa musicado por Arrigo e arranjado por mim. Fizemos vários shows por São Paulo, Rio, Teatro Lira Paulistana, teatros da PUC e outros lugares que nem me lembro mais, mas foi uma época super favorável. A Patife Band passou por várias formações, mas como era eu que compunha, fazia as letras e arranjava, o som sempre tinha a mesma verve. A mudança de minha participação na vanguarda paulista para o meu som foi natural, pois, como compunha com o Arrigo também, apenas dei continuidade as minhas ideias.

LG – Você trabalha com o dodecafonismo, compõe em cima de linhas atonais, enfim, tem todo um processo de composição muito sofisticado e, ao mesmo tempo, consegue fundir isso com muita naturalidade a idiomas musicais aparentemente antagônicos, como o punk. Como foi que o punk rock entrou na sua concepção musical?

PBEu componho mais em cima do atonalismo, mas fiz algumas músicas na técnica dodecafônica, acontece que no atonalismo é mais a minha maneira de pensar e tocar, e no dodecafonismo você tem que entrar naquele sistema de compor o que é um desafio também. O punk na época foi uma novidade, mas eu sempre ouvi o mesmo nos tempos que morava em Londrina e também depois que vim pra São Paulo. Muita música brasileira, como bossa nova, muito jazz, free-jazz, jazz-rock. Ouvi muita música instrumental e, somente em 85, fui ter contato com o punk rock. Acho que eu depurei tudo isso e coloquei dentro de uma concepção muito pessoal, e acho que tinha essa personalidade musical forte naturalmente. Eu nunca iria conseguir fazer um rock formal ou um rock influenciado por bandas americanas e inglesas como a maioria das bandas da época fizeram, e por isso também não entrei nesse mercado que estava se formando em cima do rock paulistano e logo mais do rock nacional e nem fiz parte dos eventos que eles organizaram, pois era uma panela.

L G – Mas como se deu seu contato com o punk?

Nessa época alguns nomes do punk nacional, o pessoal da periferia de São Paulo – Clemente, Redson, Jabá, João Gordo, Tonhão, Calegari – acabaram entrando em contato porque eles curtiam o som que eu fazia. De uma certa maneira eles se identificaram, e comecei então a entender o punk rock e sua atitude. O Clemente chegou a me mostrar o Dead Kennedys, som que ele disse ter alguma semelhança com o meu, aí ouvia um pouco de Clash também, e outras bandas. Mas o punk rock apenas fez eu ter mais convicção do som que eu fazia, da energia como nos apresentávamos, da agressividade percussiva, das linhas atonais etc. Não foi determinante. Como disse, as minhas composições já eram carregadas dessa agressividade e ao mesmo tempo tinha um lado muito esmerado no instrumental.

LG – Tem gente que diz que a Patife Band é post-punk, é no wave... Muitos a associam a nomes como James Chance e bandas como Pere Ubu. O que você acha dessas associações?

PBEu não faço a mínima idéia, nem conheço esses sons. Sou muito fechado no meu trabalho, não costumo ter referências musicais do rock. Eu descobri minha maneira de compor, então não preciso ter referência, eu fico na minha. Quase não escuto nada e continuo a fuçar muito na Internet atrás de sons instrumentais, jazz contemporâneo e música erudita contemporânea.

LG – É verdade que você chegou a tocar com o Inocentes?

PB
Sim, toquei contra-baixo por um ano. Substitui o André, que foi fazer o Tiro de Guerra. A banda era o Clemente que cantava e fazia a guitarra base, um outro guitarrista que esqueci o nome agora, o Tonhão na batera e eu no baixo. Toquei por um ano.

LG – Em 85, você e a Patife Band participaram do filme Cidade Oculta. Suas músicas, aliás, tem um apelo visual muito forte. O cinema lhe influencia de alguma forma?

PB
Sim, cinema, artes plásticas, fotografia, literatura, história em quadrinhos, tudo o que se relaciona à linguagem estética.

LG – Depois de um bom tempo sem tocar com a Patife, você voltou com a banda em meados de 2002. Há um disco ao vivo gravado em um festival em Londrina e um disco de inéditas para ser lançado. A quantas anda a produção desse novo disco da Patife Band?

PB
O 'Ao vivo em Londrina' não chegou a ser lançado formalmente, mas chegamos a fazer várias cópias que foram sendo distribuídas. Agora estou com formação nova, mudei o formato baixo/guitarra/batera, estou querendo novos desafios. A sonoridade agora parte de piano, sintetizador, sax e bateria. Aguardem que ainda esse ano vamos começar a gravar o novo disco.

LG – Quem toca na banda agora?

PB
Atualmente o Paulo Braga (piano). Matheus Leston (sintetizador), Richar Fermino (sax barítono e tenor) e eu na bateria e voz.

LG – E como você definiria esse novo trabalho?

PBÉ outra fase de minha composição, mas sempre priorizando muito o lado instrumental.

LG – Por ter uma sonoridade tão característica, e não se enquadrar a "padrões estéticos", a Patife Band encontra alguma dificuldade para se apresentar?

PBMuita dificuldade, é difícil conseguir lugar para tocar apesar de ter um bom público por aí.

LG – E o que você acha do cenário do rock atual? Alguma coisa te chamou a atenção nos últimos tempos?

PBNão escuto rock. Como disse, escuto música erudita contemporânea, jazz e clássicos brasileiros.

LG – Que tipo de conselho você daria a um garoto que pretende começar uma banda?

PBcomo compositor, se começar imitando só comece, e procure logo uma linguagem própria, influência sempre vai existir, mas use a influência apenas como referência, se esforce para ser original. Como instrumentista, se for estudar com alguém, pegue um cara bom, preste atenção se é bom mesmo senão ele vai lhe passar técnica errada e se você mais tarde perceber vai dar um trabalhão, Tente entender o porque dos exercícios estudados se você estudar por métodos. Se esmere!! Estude muito, mas muito mesmo.

quinta-feira, 19 de março de 2009

THE ELECTRIC EELS: EYEBALL OF HELL

Por Luís Gustavo
O Electric Eels é uma banda que já vale pela lenda. Quase ninguém conhece, mas quem sabe do que se trata, garante que eles ao lado do Rocket From The Tombs, foram duas das mais influentes bandas do pré-punk americano no início dos anos 70. Sua musicalidade crua e agressiva criou uma ponte que liga o rock de garagem dos anos 60 ao punk da década seguinte. E a história do grupo, de tão grotesca, poderia muito bem ser definida como um cruzamento de "Os Cantos de Maldoror" com Notícias Populares.

God Says Fuck You

Os Eels tiveram uma curta e confusa carreira, marcada por sua inoperância, para não dizer total inabilidade em existir num mesmo plano físico que o restante da raça humana. Os caras definitivamente não eram moleza. As adversidades externas, como por exemplo, o fato de eles serem de Cleveland, Ohio – uma cidade besta situada no meio-oeste norte-americano – também não ajudaram muito. Cleveland era uma cidade onde não havia absolutamente nada. Não havia outras bandas como a deles tocando, não havia espaços alternativos e muito menos um público interessado naquele rock esquisito que eles faziam. Trocando em miúdos: era uma merda completa.

Como eu já havia dito, eles não eram uns tipos muito agradáveis. Ninguém acendia isqueirinhos em seus shows. Punks radicais, os Eels eram uns sujeitos violentos e perigosos. Suas apresentações eram invariavelmente envoltas num clima de medo e perigo. Num show dos Electric Eels o pagante podia ter a certeza de que alguma coisa ali iria acontecer. Eram discussões e agressões físicas entre eles próprios em pleno palco, brigas entre eles e membros da plateia, confrontos com a polícia, apresentações suspensas por promotores assustados... Enfim, toda sorte de barbaridades. Tudo o que os Pistols faziam para vender jornal, acontecia bem ali na sua frente, sem cortes, sem enfeites e uns bons anos antes do movimento punk pegar na Inglaterra.

Em três anos de existência (de 1972 até 1975), a banda operou com constantes mudanças em sua formação, tendo como membros fixos apenas o vocalista Dave E. McManus e o guitarrista John Morton. Baixistas eles nunca tiveram, e bateristas eram um constante problema. O último deles, o menino Nick Knox, ficaria famoso anos depois tocando na formação clássica do Cramps.

Já na fase final de sua caótica trajetória, os Eels finalmente descobriram que não eram os únicos loucos na cidade. Por volta de 1974, conheceram dois outros grupos parecidos com o deles, o Rocket From The Tombs e o Frankenstein (embriões do Pere Ubu e do Dead Boys). Chegaram a fazer alguns poucos shows em conjunto, que não juntavam nem cem pessoas. Depois de muita balburdia, muita baixaria e já cansados de dar murro em ponta de faca, o Electric Eels se dissolveu, assim como os dois outros grupos citados, que tiveram um pouco mais de sorte quando fundaram outras bandas e (no caso dos Dead Boys) se mandaram de Cleveland. De resto, ficaram as lendas e a aura cult para a posteridade.

sábado, 14 de março de 2009

RIOT ON SUNSET STRIP ORIGINAL SOUNDTRACK (1967)

Assim como as bandas de garagem, os filmes psicodélicos dos sixties representam um importante extrato da cultura pop daquele período, ainda que extremamente subestimados. Em alguns casos os realizadores foram capazes de lançar mão de sua criatividade e ousadia, produzindo com baixíssimo custo, obras que refletiam bem o espírito da época. Um dos filmes mais bacaninhas desse segmento é o Riot On Sunset Strip, aqui conhecido como Os Transviados de Sunset Strip.

Um bom tempo atrás a extinta Rede Manchete chegou a exibir vários desses filmes psicodélicos. Hoje eu procuro e não acho nada em lugar algum! Este Riot On Sunset Strip, filme do cineasta Arthur Dreifuss, retrata o confronto entre hippies e policiais na cidade Los Angeles, enquanto bandas como The Standells e Chocolate Watch Band botam pra quebrar em performances memoráveis.

O mais interessante no filme é justamente a presença desses grupos em algumas seqüências tocando em bares. A trilha, composta por músicas dos grupos citados (entre outros...), é Classe A e de certa forma deu as bandas uma efêmera notoriedade. Depois, veio a época da faculdade e muitas acabaram - algumas até voltaram anos depois já acolhidas como cult bands. Mas isso é uma outra história...


THE WAILERS: LIVEWIRE!!! (1965)

Antes de mais nada, esta aqui não é aquela banda que acompanhava o Bob Marley! Os Wailers em questão vieram bem antes e apesar de muito obscuro, o grupo tem o seu valor histórico devidamente reconhecido por críticos e estudiosos do rock. Há um consenso que atribui aos Wailers o título de banda inaugural do gênero "garage rock". Eles são os criadores do chamado "northwest rock sound", estilo de batida característico das bandas do noroeste americano, como The Sonics, Don & The Goodtimes, The Kingsmen, Paul Revere & The Raiders, etc.

Os Wailers são de Tacoma, cidade situada no estado de Washington. Começaram como um grupo de rock instrumental e lançaram seu primeiro single, "Tall Cool One", em 1958. O disquinho fez algum sucesso regional e incentivou outros garotos a começarem seus próprios conjuntos. Os Sonics, por exemplo, foram apadrinhados por John "Buck" Ormsby (o baixista dos Wailers), que os lançou pelo seu selo Etiquette. Em Livewire!!!, os caras atingiram o ápice de sua porra-louquice e brutalidade musical em faixas como "Out Of Our Tree" e "Hang UP" - incrívelmente sujas e agressivas para época!

domingo, 8 de março de 2009

WEIRD WAR AND THE NEW PROGRAM TO DESTROY AMERICA!

Ian Svenonius sabe bem como meter o dedo na ferida da má consciência de seu país. Ele sempre fez isso com muita inteligencia, usando alegorias bastante imaginativas para compor suas letras repletas de metáforas e boas doses de ironia. Tem sido assim desde os tempos da Nation of Ulysses - uma das mais importantes formações hardcore de Washington, surgidas do famoso Revolution Summer, aquele movimento que ironicamente acabou se tornando responsável por muito do que temos que aguentar hoje em dia. Muito bem, com o fim da Nation of Ulysses no início dos anos 90, Ian formou o Make Up, que fazia do Soul e do psicodelismo de garagem dos sixties a cama para a sua acidez característica.

O Weird War veio em seguida, em meados de 2002, quando Svenonius decidiu que o Make Up já havia dado o seu recado. Para ele, o grupo perdeu a razão de existir quando diluidores passaram a copiar o que eles haviam criado. Com o Weird War (nome tirado de um antigo gibi da DC Comics) Ian deu início a uma novíssima etapa em sua carreira, mantendo, no entanto, as características básicas do que ele vinha fazendo: unir bases dançantes à letras irônicas e nada ingênuas. O guitarrista Neil Michael Hagerty (ex-Pussy Galore e Royal Trux) e sua ex-parceira no Make Up, Michelle Mae (baixo) foram os convocados para começar esta pequena revolução.

Weird War é um combo mutante com um modus operandi pouco convencional. Eles não têm uma fórmula definida ou algo do tipo, apenas a fantástica capacidade de lançar mão de suas várias influências (Jimi Hendrix, Sly Stone, James Brown, Funkadelic, etc.) para chegar a algo completamente novo. A banda não lança nada há quase quatro anos, mas eu soube através de fonte segura que eles ainda estão bem ativos! O último disco da moçada foi o Illuminated By The Light, de 2005. Abaixo, dois bons exemplos do que tentei explicar aqui para vocês. See ya!


sábado, 7 de março de 2009

"A indústria de relações públicas, que apregoa abertamente vender os candidatos da mesma maneira que vende mercadorias, deu seu prêmio anual na categoria 'melhor marketing' à venda da 'marca Obama'. A mídia de todas as tendências o elogia por organizar um 'exército' que não contribui nada para as políticas do seu governo, só espera instruções de como apoiar sua agenda, seja ela qual for".

Noam Chomsky

terça-feira, 3 de março de 2009

NEVERMIND THE BOLLOCKS HERE'S THE GALLON DRUNK! TONITE THE SINGLES BAR AND MORE...

O início dos anos 90. Vendo a coisa toda agora por uma outra perspectiva, sou até capaz de afirmar que aquele foi um período maravilhoso! Até os hypes daquela época tinham sua dignidade. Hoje, quinze minutos de fama é muito. Lembro que antigamente bastava pegar um periódico qualquer, ou mesmo a velha Bizz e, se você fosse um cara esperto e atento, poderia encontrar nas notas de pé de página coisas realmente surpreendentes. Foi nessas que conheci e tentei acompanhar bandas que nunca deram em nada aqui no Brasil, como os Thee Hypnotics e o Gallon Drunk.

Quando surgiu lá pelo final dos anos 80, início dos 90, o Gallon Drunk logo virou sensação no circuito alternativo britânico. John Peel os adorava. Alguns singles lançados e a reputação de ótima banda ao vivo, bastaram para garantir a atenção da imprensa britânica, sempre ávida por novidades toda semana. Diziam que eles eram a banda mais quente do momento. Também era comum os jornalistas associarem o grupo ao velho Birthday Party, o que, covenhamos, tem lá seu fundamento. Pois bem, o Gallon Drunk ao contrário do que possa sugerir o que foi descrito até aqui, não era um mero hype. O grupo tinha (e ainda tem) consistência, personalidade e uma integridade à toda prova.Musicalmente falando, o Gallon Drunk é uma perfeita simbiose de todos os elementos que garantem 100% de acerto na hora de se criar algo com estilo: rockabilly, blues, dejetos de jazz, gospel, música de cabaré, e um climinha de filme B para acentuar o aspecto kitsch da coisa toda.A banda responde principalmente pela persona de James Johnston (vocal, guitarra, gaita, piano, órgão etc.) Sim, tudo ao mesmo tempo! Johnston, além de comandar até hoje seu já veterano combo etílico, também costura para fora como guitarrista nos Bad Seeds do menino Nick Cave – que, inclusive, lançou ano passado um disco simplesmente matador! Mas voltando ao James Johnston e seu Gallon Drunk, este post aqui é basicamente mais um daqueles ímpetos altruístas que eu tenho de vez enquando. Sendo assim, vou parar com essa conversa mole, e deixar vocês em paz para baixarem alguns dos discos da rapaziada. Até!

Discografia selecionada