quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

THEE HYPNOTICS: LIVER THAN GOD, COME DOWN HEAVY AND MORE...

Em mais um formidável trabalho de arqueologia, o Polimorfismo Perverso foi buscar direto das profundezas os primeiros e mais representativos trabalhos do monolítico quarteto inglês Thee Hypnotics - talvez a melhor banda que não deu certo da história do rock. Não é nada mau para um Papai Noel, não é verdade?!
Precursores do que hoje chamam de Stoner Rock, o Thee Hypnotics foi uma das bandas mais deslocadas de contexto que o rock britânico já produziu. Eles surgiram em meados de 1988, bem na época em que bandas americanas como Mudhoney se aventuravam em suas primeiras tours européias. Esse primeiro contato acabou gerando uma certa camaradagem entre as bandas e fez com que o primeiro álbum dos Hypnotics, Liver Than God, fosse editado pelo selo Sub Pop - por acaso o mesmo da banda do menino Mark Arm.

Neste primeiro disco gravado ao vivo, a moçada promovia um resgate da pauleira valvulada perpetuada por grupos radicais do final dos anos sessenta e início dos setenta - qualquer semelhança com o clássico Kick Out The Jams do MC5, não é mera coincidência. Sem sacanagem, ouvindo este disco ou vendo antigas imagens dos caras por volta de 1990, você tem a nítida impressão de que está em 1968. Tudo neles remetia a Stooges e MC5 – do visual ao som sujo e distorcido –, com um tanto de Blue Cheer e Jimi Hendrix aqui e ali. Alguns críticos pentelhos pegavam no pé dos rapazes, acusando-os de emular descaradamente os Stooges. Foi assim até o segundo discos, Come Down Heavy, mas, já no terceiro LP, Soul, Glitter & Sin, eles conseguiram se livrar um pouco do espectro de seus heróis.

A banda lançou apenas alguns poucos EPs e LPs entre 1989 e 1994, ano em que o grupo finalmente se desintegrou. Além do fato de que estavam fazendo um som revivalista numa época em que o pessoal da velha ilha preferia dançar ao som de coisas como Stone Roses e Happy Mondays, ou mesmo se deprimir no quarto com bandas shoegaze, os Thee Hypnotics também foram muito ofuscados pela onda grunge. Era a banda certa na hora errada. Eu sempre falo pros meus amigos que se essa banda tivesse aparecido no início deste século em meio a todo o oba-oba que fizeram em torno do garage rock ou do stoner, a história teria sido outra.



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