sábado, 27 de dezembro de 2008

PUSSY GALORE: WHITE TRASH, WHITE NOISE... RIGHT NOW!

Por Luís Gustavo
O Pussy Galore foi uma das bandas mais irônicas, desrespeitosas e provocativas do underground americano dos anos 1980. Seus integrantes eram uns sujeitos agressivos, arrogantes e intratáveis. Faziam música para induzir as pessoas ao mal-estar. Suas apresentações causavam choque até mesmo em audiências que já experimentaram de tudo neste mundo: o público nova-iorquino. Mesmo forjando uma música tão barulhenta, desobediente e grosseira, o Pussy Galore tornou-se referência e pode ser considerada uma das mais seminais bandas de sua geração.

Eu sempre acreditei que o grau de relevância de um artista só pode ser medido pela influência que ele exerce. E, neste quesito, o grupo não só deixou sua marca, como depois de encerradas suas atividades foi capaz de gerar várias outras formações igualmente geniais para dar continuidade ao seu legado: Royal Trux, Boss Hog, The Jon Spencer Blues Explosion, Free Kitten, Weird War, Heavy Trash etc. Isso sem contar a longa lista de associações com outros artistas em bandas e projetos, na qual seria necessária uma lista telefônica para catalogar tanta gente: Kim Gordon, Jerry Teel, Rob K, Ian Svenonius, R.L. Burnside etc. etc...

A banda foi fundada no ano de 1985, em Washington DC, por um estudante de linguistica fanático por Birthday Party e pelo rock industrial do Einstürzende Neaubauten – um jovenzinho mal-educado chamado Jon Spencer. Em cinco anos de atividade, o Pussy Galore aterrorizou o circuito underground nova-iorquino com performances demenciais, lançou alguns dos discos mais perturbadores e inaudíveis da história da indústria fonográfica americana e passou por inúmeras mudanças em sua formação, tendo como membros mais constantes o vocalista Jon Spencer, os guitarristas Neil Michael Hagerty e Julie Cafritz, o baterista Bob Bert (ex-Sonic Youth) e a menina Cristina Martinez, que na época tinha apenas 16 aninhos, vejam só.
Abaixo, algumas boas amostras do melhor do noise e do trash rock ianque. Muito barulho, porra-louquice e niilismo em petardos como Right Now, de 1986 (o meu favorito), a famigerada versão do Pussy Galore para o álbum Exile On Main Street (onde esses adoráveis espíritos de porco destroem o clássico dos Stones), o elogiado Dial M For Motherfucker, de 1989 e o último álbum deles, Historia De La Musica Rock, de 1990 - com a banda já reduzida a um trio (Jon Spencer, Neil Hagerty e Bob Bert) e apresentando uma música mais bem acabada e próxima da sonoridade do Blues Explosion.



Discografia selecionada


quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

THEE HYPNOTICS: LIVER THAN GOD, COME DOWN HEAVY AND MORE...

Em mais um formidável trabalho de arqueologia, o Polimorfismo Perverso foi buscar direto das profundezas os primeiros e mais representativos trabalhos do monolítico quarteto inglês Thee Hypnotics - talvez a melhor banda que não deu certo da história do rock. Não é nada mau para um Papai Noel, não é verdade?!
Precursores do que hoje chamam de Stoner Rock, o Thee Hypnotics foi uma das bandas mais deslocadas de contexto que o rock britânico já produziu. Eles surgiram em meados de 1988, bem na época em que bandas americanas como Mudhoney se aventuravam em suas primeiras tours européias. Esse primeiro contato acabou gerando uma certa camaradagem entre as bandas e fez com que o primeiro álbum dos Hypnotics, Liver Than God, fosse editado pelo selo Sub Pop - por acaso o mesmo da banda do menino Mark Arm.

Neste primeiro disco gravado ao vivo, a moçada promovia um resgate da pauleira valvulada perpetuada por grupos radicais do final dos anos sessenta e início dos setenta - qualquer semelhança com o clássico Kick Out The Jams do MC5, não é mera coincidência. Sem sacanagem, ouvindo este disco ou vendo antigas imagens dos caras por volta de 1990, você tem a nítida impressão de que está em 1968. Tudo neles remetia a Stooges e MC5 – do visual ao som sujo e distorcido –, com um tanto de Blue Cheer e Jimi Hendrix aqui e ali. Alguns críticos pentelhos pegavam no pé dos rapazes, acusando-os de emular descaradamente os Stooges. Foi assim até o segundo discos, Come Down Heavy, mas, já no terceiro LP, Soul, Glitter & Sin, eles conseguiram se livrar um pouco do espectro de seus heróis.

A banda lançou apenas alguns poucos EPs e LPs entre 1989 e 1994, ano em que o grupo finalmente se desintegrou. Além do fato de que estavam fazendo um som revivalista numa época em que o pessoal da velha ilha preferia dançar ao som de coisas como Stone Roses e Happy Mondays, ou mesmo se deprimir no quarto com bandas shoegaze, os Thee Hypnotics também foram muito ofuscados pela onda grunge. Era a banda certa na hora errada. Eu sempre falo pros meus amigos que se essa banda tivesse aparecido no início deste século em meio a todo o oba-oba que fizeram em torno do garage rock ou do stoner, a história teria sido outra.



Discografia selecionada


segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

POWERTRANE: ANN ARBOR REVIVAL MEETING (2002)

Para o pessoal mais inteirado a respeito da cena rock de Detroit/Ann Arbor, o nome Scott Morgan diz muito. O homem além de ser o maior soul singer de Michigan, tocou em algumas das mais importantes bandas da área durante as décadas de 60 e 70. Algumas delas, inclusive, com ex-integrantes do MC5 e The Stooges - como é o caso da sensacional Sonic’s Rendezvous Band.

Powertrane é um de seus últimos projetos. Uma banda formada por volta de 2001. Este disco ao vivo do grupo é uma espécie de tributo às bandas de Michigan. No repertório, clássicos dos Stooges, da Sonic’s Rendezvous Band, do Radio Birdman e uma da carreira solo de Rob Tyner, o lendário ex-vocalista do MC5. Na apresentação juntaram-se a moçada os meninos Ron Asheton dos Stooges e Deniz Tek do Radio Birdman. Emocionante!

Faixas:

1. R.I.P. R&R
2. Hangin' On
3. Runaway Slaves
4. Ready to Ball
5. Blood from a Stone
6. Taboo
7. Earthy
8. Shellback
9. Love and Learn
10. What Gives
11. Dangerous
12. Outside
13. 1969
14. I Wanna Be Your Dog
15. Down on the Street
16. No Fun
17. TV Eye

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

SCREAMIN’ JAY HAWKINS AND THE FUZZTONES
Este EP é o registro da associação do legendário Screamin’ Jay Hawkins com o sensacional combo garageiro revivalista The Fuzztones. Fico aqui imaginando o quanto os meninos do Fuzztones devem ter gelado na primeira noite em que tocaram com o homem. O disquinho flagra nossos hérois numa apresentação histórica no Irving Plaza de Nova York, no dia 19 de dezembro de 1985. São apenas quatro faixas. O suficiente para deixar qualquer uma dessas bandinhas atuais, tipo The Horrors, morrendo de vergonha - se é que elas tem vergonha na cara...

Screamin' Jay Hawkins deixou este plano em dezembro de 2000, em decorrência de um aneurisma intestinal. Quem tem ao menos um pouquinho de conhecimento histórico sabe a falta que esse cara faz. A vida dele, envolta em uma série de lendas e mistérios, daria um tremendo filme de David Lynch. O pai do "R&B Freak" nasceu em Cleveland, Ohio, no dia 18 de julho de 1929. Antes de se tornar o mais singular e bizarro entertainer da história do rock 'n' roll, foi boxeador, serviu o exército americano na Segunda Guerra e tentou seguir carreira como cantor de ópera. Não deu certo. Então decidiu mudar de estilo, acompanhando de início o veterano músico de jazz Tiny Grimes. Algum tempo depois se aventurou em carreira solo, quando finalmente obteve êxito. No final de 1956 gravou seu maior sucesso: "I Put a Spell On You" - canção regravada por praticamente todo mundo.

Seus shows eram povoados por imagens bizarras e representações do grotesco. Bem antes de Alice Cooper aparecer, já tinhámos o velho Screamin' Jay Hawkins no palco com seus caixões, aranhas, fogos de artifício e cajado com uma caveira enfiada. Uma caveira a quem ele chamava de Henry. Há quem diga também que ele tem mais de 70 filhos, com diferentes mulheres e que falsificou seu registro de nascimento para servir o exército com 13 anos (!!!). É muita história pra pouco espaço...

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

MUSIC INSPIRED BY THE BRAZILIAN SACANAGEM MOVIES OF THE 1970’s

“Enquanto tuas mãos brancas, rugosas, tocam no meu sexo, penso nas tuas nádegas flácidas como elas só, de frente para uma janela escancarada e sem vista pro mar.
Teus gestos são sempre os mesmos desde que te conheço.
Tua pele engordura tudo. Tudo.
Teus joelhos doem, teu café é amargo...TÁ TUDO ERRADO PORRA!
Eu só te peço uma coisa: não vá embora. Por favor, isso não.”

E aí, gelou?! Pérolas como essa e muitas outras estão aqui reunidas neste disco bacanão, que paga tributo as pornochanchadas, misturando diálogos de figuras mitológicas como Paulo César Pereio e Helena Ramos a bases instrumentais cheias de groovie. Funk-lounge-soul-samba apimentado com pura sacanagem!

Link: Sex 70 - Music Inspired By The Brazilian Sacanagem Movies Of The 1970’s

Faixas:

1. Intro / A Jeitosa Do Morro
2. Helena X Aldine
3. A Babilônia De David
4. Desejos Ardentes
5. Vinheta
6. Pixoxó Em Lua De Mel
7. Vera, A Diaba Loira
8. Simplesmente Glória
9. Mulher Objeto
10. Um Grapete Antes, Um Cigarro Depois
11. O Eterno Pecado Horizontal
12. Suite Para Peréio
13. Sala Especial
14. Tá Tudo Errado Porra!
15. Pixoxó Remix
16. Babilônia Dub Version
17. Ainda Te Pego (Bônus Track)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Formado em Lima, capital do Peru, o Manganzoides é uma banda de garagem que faz um rock com inspirações eminentemente sessentistas. São adeptos da filosofia de que o artista tem que se comunicar diretamente com seu público. Então, nada de composições em inglês. Até mesmo as covers que eles fazem para canções de grupos como Flamin’ Groovies, Sonics, Stooges e outros são devidamente vertidas para o espanhol.
"Sobredosis De Terror", é um disco deles de 2002 editado pela No Fun Records, que reúne material próprio e versões animais para canções dos Saicos ("El Entierro De Los Gatos"), Third Bardo ("I’m Five Years Ahead Of My Time", transformada em "Estoy A 5 Años De Acá"), e Q65 ("Cry In The Night", que virou "Lora Esta Noche"). Os outros dois discos, também postados aqui: "En La Ciudad Del Horror" e "Radio Komodo" seguem pelo mesmo caminho. Rock dos brabos, com orgãos Farfisas dando o tom psicodélico na medida certa!

Links: