terça-feira, 4 de novembro de 2008

O Up era aquela banda de Michigan que ficava ali espremidinha entre o carisma dos Stooges e o prestígio e liderança do MC5. Uma das bandas mais subestimadas da cena rock de Detroit/Ann Arbor e, provavelmente, o segredo mais bem guardado do underground americano do final dos anos 60 e início dos 70. A prova maior disso é o fato de suas gravações terem permanecido ocultas por décadas, vindo a público somente em 1995, quando esta antologia que reune todo o material gravado pelo grupo foi finalmente lançada.

Assim como a banda do menino Wayne Kramer, o quarteto composto por Frank Bach (vocais), os irmãos Bob e Gary Rasmussen (guitarra e baixo, respectivamente) e Vic Peraino (baterista posteriormente substituído por Scott Bailey), vivia sob a égide do doido de pedra John Sinclair e seu famigerado White Panthers Party. Sim, porque tanto o MC5 quanto o UP assumiam a função de agentes propagadores do discurso revolucionário de Sinclair para a juventude da América naqueles loucos e ingênuos anos 60.O ímpeto desses figuras em descontar no mundo suas angustias adolescentes por meio de altíssimos decibéis, foi despertado em meados de 1967, quando esses refugos da Wayne State University tiveram seu primeiro contato com o som do MC5, numa noite em que estes tocavam no Grande Ballroom.

Durante a época em que estava na ativa, o Up nunca obteve lá muito reconhecimento. Não conseguiram nenhum contrato com uma grande companhia como a Elektra Records, por exemplo. Assim, alguns dos poucos registros que os caras fizeram acabaram saindo por pequenos selos, como a minúscula Rainbow Records, que editou um Split do Up com o poeta Allen Ginsberg. Quando a barra realmente começou a pesar e Sinclair foi preso, o Up ficou meio perdido e acabou sucumbindo as pressões externas, encerrando sua efêmera trajetória em meados de 1972.
Esta coletânea produzida pelo ex-empresário do grupo John Sinclair, inclui todo o raríssimo material do UP disponível, entre gravações de estúdio e ao vivo, mais a performance de Ginsberg gravada com eles em dezembro de 1971 para a Rainbow Records.