sábado, 15 de novembro de 2008

THE STOOGES: DELUXE EDITION

Em 1969, quando este exemplo raro de comportamento sociopata estava prestes a ser gravado em Nova York, Iggy e seus comparsas – o guitarrista Ron Asheton, o baixista Dave Alexander e o baterista Scott "Rock Action" Asheton – tinham apenas três canções (!). Os shows da banda na época duravam em média de quinze a vinte minutos e consistiam basicamente em execuções de peças experimentais psicodélicas improvisadas. Então, não havia muito espaço para canções. Mas acontece que eles estavam em Nova York para gravar um disco e não tinham quase porra nenhuma para mostrar aos executivos da Elektra Records! O guitarrista Ron Asheton é que tem a história mais interessante pra contar sobre isso: "Quando a gente chegou para fazer o disco, Jac Holzman me perguntou: 'Vocês têm material suficiente para fazer um álbum, certo?' A gente disse: 'claro'. A gente tinha só três canções. Então voltei pro hotel e em uma hora bolei os riffs de Little Doll, Not Right e Real Cool Time". Incrível, não? Esse tipo de atitude em relação a idéia de gravarem um disco é um reflexo da postura que Iggy e os Stooges tinha até então. Diziam que não haviam formado a banda com a intenção de gravar discos. Imagine a desgraceira que deveria ser para um produtor tentar entrar num acordo com esses caras...

Quem acabou sendo incumbido de realizar essa árdua tarefa foi o ex-Velvet Underground John Cale que, desde o início, teve problemas com os rapazes. "A gente nunca tinha estado num estúdio antes então instalamos amplificadores Marshall e ligamos tudo no dez", lembra Asheton. "Então começamos a tocar, e John Cale disse: 'Oh, não, não é assim...' Ficamos naquela: 'Não tem jeito. A gente toca alto, e é assim que a gente toca' Cale continuou tentando nos dizer o que fazer, e, como éramos uns jovens teimosos, fizemos uma greve branca. Largamos os instrumentos, fomos para uma cabine de som e começamos a fumar haxixe". O produtor gastou muita saliva para tentar dissuadi-los, explicando que não daria para gravar um disco com amplificadores grandes num estúdio e tal... Mas não teve conversa, e a coisa toda ficou por isso mesmo.
Iggy sempre foi um grande fã de Cale e do Velvet Underground, mas não ficou muito satisfeito com o resultado final do disco. O vocalista achou o som muito limpo e ficou completamente possesso com a forma como foi apresentado na contra-capa do LP, na qual foi creditado como Iggy Stooge. Este detalhe, culpa de Danny Fields, o sujeito que os levou para Elektra, e que mais adiante assumiria espilhosa missão de empresariá-los.
Limpo ou não, o fato é que o som dos caras não se parecia com nada produzido até então. Não era uma coisa facilmente "digerível", se é que você me entende... O material era excepcional, a banda estava evidentemente à frente de seu tempo, mas na época ninguém entendeu nada, e o álbum acabou sendo um fracasso comercial retumbante. Os EUA de 1969, definitivamente, não estavam preparados para a porra-louquice dos Stooges.

Apesar de não ter obtido resposta de público na época de seu lançamento, The Stooges tornou-se um dos álbuns mais influentes da história do rock. Canções como "1969", "I Wanna Be Your Dog" e "No Fun" apontavam para novos caminhos. Não é exagero algum dizer que todas as tendências e movimentos subsequentes – do Heavy Metal ao Punk, da No Wave ao Grunge e mais todo o resto – devem as calças e as cuecas aos Stooges.

O disco dos meninos é uma paulada! O negócio deles aqui é muita distorção, guitarradas com efeitos wah wah aos gritos e seção rítmica pulsante. Tudo devidamente ligado no último volume! E se você por acaso ainda for virgem dessa história toda, uma boa maneira de reparar essa lastima terrível é ouvindo esta supimpa reedição dupla – que oferece atrativos até para quem já tem o disco original em casa. Fucking great!

The Stooges - The Stooges (Deluxe Edition Disco 1)
The Stooges - The Stooges (Deluxe Edition Disco 2)