sábado, 27 de setembro de 2008

SGANZERLA: O CINEMA E SUA DÚVIDA

"Não há meias medidas. Ou a realidade ou a ficção. Reportagem ou mise-en-scène. Opta-se a fundo pela arte ou pelo acaso - construção ou constatação?" (pris sur le vif: Jean Luc Godard): o cinema e sua dúvida: o que é realmente o cinema?

O cinema, assinala Robert Bresson, é "movimento interior" - a arte de não dizer nada não é código nem espetáculo mas uma linguagem de imagens e sons em movimento capaz de produzir a voz do silêncio. Cinema não é teatro nem música ou literatura. Se para Roger Vadim "é uma arte das massas" para Jean Pierre Melville "não se pode levar o cinema muito a sério". Já para Godard trata-se de uma "arte ilusória; detesto o cinema; o verdadeiro cinema consiste em pôr alguma coisa diante da câmera". Atenção para a definição de Fellini: "O cinema é a arte em que o homem se reconhece da maneira mais imediata: um espelho no qual deveríamos ter coragem para descobrir nossa alma". E Alain Resnais: "O filme é uma tentativa ainda grosseira e primária de aproximar-nos da complexidade do pensamento, do seu mecanismo". Nicholas Ray: "É a melodia do olho". Orson Welles assegura: "Eu não amo o cinema, salvo quando eu filmo; então é preciso saber não ser tímido com a câmera. É preciso violentá-la, forçá-la em suas últimas reentrâncias, pois ela é uma vil mecânica - o que interessa é a poesia." "Ação, ação, ação - acentua o talento aceso de Raoul Walsh. - A tela deve estar sempre cheia de acontecimentos". "A câmera deve ser um lápis na mão do diretor", segundo W. D. Murnau.

(Atenção aprendizes, débeis mentais ou cegos de espírito: "É preciso introduzir uma grande variedade de elementos diferentes num filme para que seja construído mais ou menos como uma peça musical, uma sinfonia").

Rogério Sganzerla