terça-feira, 19 de agosto de 2008

GEORGE A. ROMERO'S DIARY OF THE DEAD

O VELHO ZUMBI ATACA NOVAMENTE!
Por Enderson Nobre

Dizer que Romero precisou se afastar dos grandes orçamentos para se (re) encontrar é papo furado. A carreira de George Romero sempre foi marcada por altos e baixos; embora mesmo quando não acerta a mão, seus filmes são sempre acima da média e de uma integridade ímpar. Mas, coincidência ou não, foi justamente longe de uma grande (para seus padrões) produção que Romero fez um de seus melhores filmes.

Depois de dividir opiniões entre seus fãs com a “Terra dos Mortos”, Romero fez um retorno ao ninho independente para seguir adiante com sua saga dos mortos vivos. Se em “Terra dos Mortos”, ele parecia (eu repito, parecia) querer encerrar uma etapa dos seus mortos vivos, em “Diário Dos Mortos” o rei dos filmes de zumbis aparenta querer introduzir-nos a um novo começo ou pelo menos a uma nova etapa no universo dos zumbis canibais. Tudo na mitologia “zumbilica” iniciada por Romero está lá, portanto, seus velhos e fiéis devotos não terão do que reclamar.

Mas há algo novo junto com os velhos comedores de carne humana. Junto à crítica política de sempre, a escatologia e o indefectível andar sonolento dos zumbis, Romero acrescenta novos elementos como a metalinguagem, bastante óbvio, e a genial utilização do conceito de campo e extra campo. O terror acontece longe dos olhos dos espectadores e é (o que não se ver) tão ou mais aterrorizante do que é mostrado.

Uma equipe de estudantes de cinema é surpreendida em meio a uma epidemia de zumbis canibais quando fazia um filme de horror no meio de uma floresta escura. Obcecado como todo diretor de cinema, e diante da oportunidade de documentar o horror pelo qual estavam passando, um dos membros da equipe utiliza a câmera para registrar o drama dele e de seus
companheiros; dotando através da lente, um distanciamento quase mórbido em relação aos fatos aterrorizantes. Daí para frente em tom documental somos jogados em meio ao caos e acompanhamos a terrível constatação dos personagens de que o mundo que conheciam não existe mais. Somos testemunhas da desgraça dessas pessoas imersas neste pesadelo macabro tentando fazer a única coisa a ser feita quando nos sentimos ameaçados e desamparados: voltar para segurança de nossos lares. Embora algumas situações possam parecer clichês, Romero nunca as vulgariza e mesmo para os já iniciados no gênero, o filme guarda ótimas seqüências de gelar a mais calejada e incrédula espinha. É a constatação de que o velho Zumbi continua faminto.