quinta-feira, 24 de julho de 2008

TWENTY YEARS OF DISCHORD (BOX SET)

A Dischord é uma das mais importantes e emblemáticas gravadoras independentes dos EUA. Um símbolo de integridade e fidelidade à ética punk - seja lá o que isso signifique... Tem tanta credibilidade que é possível um garoto chegar em uma loja especializada e comprar qualquer lançamento do selo no escuro e ter a certeza de que fez uma ótima aquisição.

Foi em meados de 1980 que tudo começou, quando dois garotos de um grupo hardcore de Washington DC, Ian MacKaye e Jeff Nelson, resolveram montar a sua própria companhia discográfica, já que ninguém iria lançar os discos de sua banda, a The Teen Idols. Isso mesmo, os dois fizeram tudo na marra, seguindo a velha filosofia do DIY! De lá pra cá, eles não só lançaram os discos de suas bandas e projetos, como contrataram vários outros grupos da região, tornando-se desse modo, a maior referência local. O grande centro nervoso de toda a cena na capital do país.
O interessante mesmo seria ir atrás de todos os discos dos grupos do cast individualmente, mas, como nada nessa vida é fácil e nem sempre conseguimos tudo o que queremos, este Box Set lançado em comemoração aos vinte anos da gravadora, presta um bom serviço. São setenta e três canções divididas em três CD's, com bandas históricas como The Teen Idols, Minor Threat, Void, Slant 6, Scream, Fugazi, Nation of Ulysses e muitas outras...

Links:

Twenty Years of Dischord (disc one)

Twenty Years of Dischord (disc two)

Twenty Years of Dischord (disc tree)


EXTERMINEM O PÚBLICO!!!

"O Público não tem, como dizia Hazitt, nem vergonha nem gratidão. É composta por vários bandos aleatórios, pessoas que não se conhece e outros indesejáveis à procura de 'divertimento' e de 'cultura' fáceis. O Público é uma turba que perturba, uma massa que nos ameaça, uma malta que se senta e que salta e que não faz nada - sobretudo não faz falta.

Não se pode fazer idéia do mal que faz o Público às artes. Tratando-se de uma multidão altamente volúvel e imprevisível, cria êxitos onde deveria querer reempolsos e torna-se irresponsavelmente responsável por fracassos que nos envergonham a todos. É raríssimo Público acertar numa coisa e, quando acerta, é sempre pelas razões erradas.

O Público é uma associação de malfeitores contra a qual os artistas jamais se podem vingar. Não se pode fazer telefonemas obscenos, ou mandar cartas venenosas, ou montar campanhas difamatórias ao Público. O Público é inatingível. É pena que não se possam publicar críticas a deitar o Público abaixo. É injusto. Para mais, o Público é sempre mais numeroso, mais ruidoso e mais poderoso que os artistas. É infame, mas é verdade. A ditadura do Público é a ditadura do Proletariado dos anos 80. A solução que resta é drástica, mas necessária. Se as artes são pra florecer, desimpedidas de arbitrariedades e de empecilhos inaceitáveis, o primeiro passo a dar é pura e simplesmente eliminar o Público. Contudo, tem de se eliminar o Público aos poucos. Senão, já se sabe como ele é, 'protesta'. O Público, hoje em dia, "sente-se no Direito". Compra um bilhete, senta-se, e basta aquele contato íntimo entre poltrona e rabiosque para que se 'sinta' no Direito. E, como sempre, é ele que se senta e que se sente e é a Arte que se ressente."

Miguel Esteves Cardoso

quarta-feira, 23 de julho de 2008

“O que mais um pedreiro da cidade de Andover poderia ser?” Nos pergunta o inglês Reg Presley, líder dos Troggs, uma das mais cultuadas bandas de garagem dos anos 60; famosa pelo seu compacto inaugural com “Wild Thing”, original do compositor norte-americano Chip Taylor; eternizada por Hendrix em sua lendária performance no Monterey Pop Festival (1967), que virou filme nas mãos do documentarista D.A. Pennebaker (ufa!). The Troggs (abreviatura de Troglodites), é um nome adequadíssimo para estes quatro selvagens rapazes que faziam de sua “ruindade” e incompetência pura arte. Por executarem seus rocks monolíticos com abandono, garra e espontaneidade, os Troggs são sempre apontados como um dos responsáveis pelo advento do punk rock. From Nowhere The Troggs, seu disco de estréia, fez um sucesso danado na época apesar (ou talvez, por causa) do seu som ruidoso. O disco abre com a impagável “Wild Thing” - a mesma do já citado compacto (primeiro lugar nos dois lados do Atlântico) que precedeu o lançamento deste LP – e sua introdução com feedback de guitarra e solo esdrúxulo de ocarina. From Nowhere... apresenta ainda algumas composições próprias dos caras, como a barulhenta “From Home” e “Jingle Jangle”, ao lado de ótimas interpretações para temas alheios: “Jaguar and the Thunderbird” (de Chuck Berry) e “Louie Louie” (de Richard Berry, famosa na versão dos degenerados proto-punks The Kingsmen).



Os Troggs tiveram uma ascensão meteórica e fugaz, situação que fazia deles uma anomalia em meio aos ternos engomadinhos da rapaziada da “invasão britânica”. Após o sucesso avassalador que alcançaram em 66 com seu primeiro compacto e o lançamento deste LP, o grupo só obteve mais alguns poucos êxitos até o final da década de 60, caindo inevitavelmente no ostracismo, para depois se torna mais uma destas cult bands seminais. Como muitas das lendas obscurecidas pelo tempo, The Troggs é para as novas gerações, uma banda da qual o número de pessoas que ouviu falar é bem maior do que a quantidade dos que de fato tomaram contato com suas tosqueiras pop maravilhosas.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

"O mundo se cristaliza, se mumifica lentamente dentro das ataduras de suas fronteiras, de suas fábricas, de seus tribunais, de suas Universidades. O Espírito "gelado" range entre as lâminas minerais que o oprimem. E a culpa é de vossos sistemas embolorados, de vossa lógica de dois-e-dois-são-quatro; a culpa é vossa, Reitores, apanhados na rede de silogismos. Fabricais engenheiros, magistrados, médicos a quem escapam os verdadeiros mistérios do corpo, as leis cósmicas do ser - falsos sábios, cegos para o além, filósofos que pretendem reconstruir o Espírito. O menor ato de criação espontânea constitui um mundo mais complexo e mais revelador que qualquer sistema metafísico. Deixa-nos, pois, Senhores - sois tão somente usurpadores. Com que direito pretendeis canalizar a inteligência e dar diplomas de Espírito?"

Antonin Artaud

quarta-feira, 16 de julho de 2008

RON ASHETON & NEW RACE: THE FIRST AND THE LAST (1981)

Seguramente um dos melhores álbuns ao vivo de todos os tempos. The First And The Last é o registro histórico de uma turnê de 20 datas (Crystal Ballroom, Selina's, Manly Vale Hotel, etc.) que Ron Asheton (guitarrista dos Stooges) fez pela Austrália entre abril e maio de 1981, com o baterista Dennis Thompson (ex-MC5) e mais três integrantes do desativado Radio Birdman . A saber: o vocalista Rob Younger, o guitarrista Deniz Tek e o baixista Warwick Gilbert.

No início dos anos 80, Deniz Tek morava em Detroit. Sua banda pós Radio Birdman, The Visitors, havia acabado e como ele passou a estabeleceu um certo contato com o menino Ron Asheton, jogou a idéia de tocarem juntos neste projeto que chamaram de New Race. A bem da verdade, o lance todo foi a concretização de um sonho de Tek de poder finalmente tocar com alguns de seus heróis. O que, convenhamos, não foi nada mau juntar duas gerações de adeptos da barulheira num mesmo palco para apavorar a meninada. O repertório? Stooges, MC5, Radio Birdman, Visitors, Destroy All Monters e uma inédita da rapaziada, a catártica "Columbia". Tá bom pra você ou tá pouco, meu filho?! Como o título do álbum sugere, este foi realmente um momento único e jamais esta formação uniu-se novamente, mas o documento está aí.

terça-feira, 15 de julho de 2008

JELLO BIAFRA & NOMEANSNO: THE SKY IS FALLING AND I WANT MY MOMMY (1991)

Ao contrário de seus ex-parceiros, Jello Biafra não gosta da idéia de viver do passado. Após o fim do Dead Kennedys, Jello passou a trabalhar em projetos diversos sem qualquer compromisso maior com uma banda específica. "Não quero me prender a uma banda, por isso procuro os amigos, entramos no estúdio e gravamos qualquer coisa". Simples assim. Foi dessa forma que ele começou o Lard com o baterista Jeff Ward e os dois figuraças do Ministry, logo seguido por uma infinidade de outros trabalhos que, listando aqui na íntegra, atrapalharia o ritmo do texto. Pois bem, este "The Sky Is Falling..." é a terceira investida do nosso amigo Jellão com bandas de chegados. Neste caso, o trio de maluquetes canadenses NoMeansNo. O resultado? Uma avalanche de ritmos obsessivos na qual a habitual metralhadora giratória de Biafra dispara contra multinacionais, pastores televisivos e a mentira do "sonho americano". Uma orgiática porra-louquices instrumental que envolve Hardcore, funk convulsivo e jazz maníaco. Uma violação!

Pra quem estiver disposto a adentrar no estranho mundo do NoMeansNo, uma boa iniciação é este disquinho aqui: "Wrong", de 1989 - quarto álbum da rapaziada, editado pela Alternative Tentacles, gravadora independente do menino Jello Biafra (Ah!). A banda foi formada há 29 anos, em Vancouver, e possui uma extensa discografia. Como já disse antes, este Wrong é uma ótima introdução às inenarráveis pirações desses rapazes. Mas quem quiser se aprofundar, com certeza vai achar muita coisa na rede. Se virem!

Winston Smith


sábado, 5 de julho de 2008

MICHIGAN NUGGETS: LOST SONGS FROM THE LEGENDARY DETROIT SCENE!

Para fãs, interessados e curiosos este Michigan Nuggets é um item imprescindível. Uma fantástica compilação que reune em trinta e uma faixas, boa parte dos nomes que protagonizaram o "boom" de bandas de garagem da legendária cena rock de Detroit na segunda metade dos anos 60. Temos aqui, brothers and sisters, um notável trabalho de garimpagem! O disco resgata material raro de grupos como MC5, Amboy Dukes, The Rationals e revela uma pá de outras canções e grupos obscuros, como a banda do futuro empresário espertalhão do Grand Funk Railroad, o menino Terry Knight (com sua Terry Knight & The Pack), Question Mark & The Mysterians, The Woolies, The Human Beinz, os cultuados Unrelated Segments e muitos outros...
Algumas ausências sentidas: The Iguanas (a primeira banda de Iggy Pop), The Spiders (o embrião da banda Alice Cooper) e, pasmem, The Stooges!!! O que é até curioso, já que na capa do CD há um desenho do menino Iggy. Ainda assim o disco é uma bela introdução para o pessoal mais novo e diversão garantida para os já iniciados. Prestem atenção!

sexta-feira, 4 de julho de 2008

DON'T MESS WITH... THE DEAD BILLIES

No longínquo ano de 1993, quatro maluquetes topetudos resolveram sacudir o underground baiano com uma estilosa e performática banda de Psychobilly. Os Dead Billies chegaram arrebentando logo de imediato numa época em que nada de relevante acontecia, com shows incendiários e todos os maneirismos característicos do estilo rockabilly. Mas não era só isso! Havia uma boa dose de surf music, referências trash e uma inegável influência pós-punk.
Na minha opinião, esta não foi só uma das melhores bandas do rock baiano, mas com certeza, uma das melhores já surgidas no Brasil! Mosckabilly (vocal), Morotó Slim (guitarra), Joe Tromondo (baixo) e Rex (bateria), sabiam bem o que estavam fazendo e mandavam bala! Com muito estilo, irreverência e carisma de sobra, eles conseguiram se impor conquistando espaço na mídia e ótimas críticas nos veículos especializados. Depois de uma boa quilometragem, lançaram em 96, seu primeiro álbum, "Don't mess with... The Dead Billies", que rendeu o impagável vídeo de "Invasion of Body Snatchers". Em 1999, fizeram seu segundo e último disco, o ótimo "Heartfelt Sessions". A banda acabou quando Mosckabilly - que já tinha lá sua carreira paralela como o bluesman Glauber Guimarães -, decidiu seguir seu caminho. Com o fim do Dead Billies, dois de seus integrantes (morotó e rex) resolveram continuar com um novo projeto de banda instrumental: os Retrofoguetes. Mas isso é uma outra história...

The Dead Billies - Invasion of the Body Snatchers

quarta-feira, 2 de julho de 2008

URGH! A MUSIC WAR SOUNDTRACK (1981)

Por Luís Gustavo
O filme Urgh! A Music War pode ser visto hoje como um daqueles registros históricos do rock que captam com perfeição o espírito de uma época. Em 1981, um grande show foi organizado com a intenção de angariar fundos para a Anistia Internacional. Este evento aconteceu simultaneamente nos Estados Unidos, Inglaterra e França. Tocaram na ocasião, alguns dos mais promissores e inusitados grupos do período. Um verdadeiro desfile de lunáticos! Entre eles, os Cramps (que literalmente roubam a cena, com Lux Interior em absoluto estado de demência), o loucaço John Otway, Devo, Oingo Boingo, Dead Kennedys, The Police, Echo & The Bunnymen, Joan Jett, X, Gary Numan, Gang of Four, Pere Ubo, etc.Urgh! foi dirigido por Derek Burbidge e co-produzido por Miles Copeland; irmão de Stewart Copeland, empresário do Police e um dos proprietários da IRS - gravadora de onde alguns dos artistas que participaram dos shows eram contratados. Este foi o primeiro mega concerto de rock ocorrido simultaneamente em diferentes países, antes mesmo do famigerado Live Aid (de 1985).



Abaixo, a lista de músicas com todos os participantes na exata seqüência em que foram apresentados no filme.

Faixas:

1. Driven to Tears - The Police
2. Back in Flesh - Wall of Voodoo
3. Dance - Toyah Willcox
4. Health Fanatic - John Cooper Clarke
5. Enola Gay - OMD
6. I'm On Fire - Chelsea
7. Ain't This the Life - Oingo Boingo
8. Puppet - Echo & the Bunnymen
9. Foolish I know - Jools Holland
10. Respectable Street - XTC
11. Total Eclipse - Klaus Nomi
12. Where's Captain Kirk - Athletico Spizz 80
13. We Got the Beat - The Go-Go's
14. Bleed For Me - Dead Kennedys
15. Ku Klux Klan - Steel Pulse
16. Down in the Park - Gary Numan
17. Bad Reputation - Joan Jett & the Blackhearts
18. Model Worker - Magazine
19. My Beach - Surf Punks
20. Offshore Banking Business - The Members
21. Come Again - Au Pair
22. Tear It Up - The Cramps
23. Valium - Invisible Sex
24. Birdies - Pere Ubu
25. Uncontrollable Urge - Devo
26. Nothing Means Nothing Anymore - The Alley Cats
27. Cheryl's Going Home - John Otway
28. He'd Send in the Army - Gang of Four
29. Homicide - 999
30. Shadow Line - The Fleshtones
31. Beyond and Back - X
32. Sign of the Cross - Skafish
33. Madame Medusa - UB40
34. Roxanne/So Lonely - The Police