segunda-feira, 28 de abril de 2008

CONTORTIONS: BUY (1979)

O disco de estréia dos Contotions é um dos mais instigantes registros da chamada No Wave - movimento musical de vanguarda surgido no final dos anos 70 em Nova York. Sem dúvida, o melhor e mais representativo dentre todos os discos de James Chance. Em Buy, Change apresenta uma fusão inusitada de free jazz, funk e punk rock, onde o seu sax maníaco trava embates alucinados com a guitarra da menina Pat Place (futura integrante do Bush Tetras), forjando um som desequilibrado e nervoso, pontuado por seus vocais agressivos.

Link: James Chance & The Contortions - Buy (1979)



"Todos os governos são erguidos sobre mentiras. Todas as organizações são erguidas sobre mentiras.

Quem são os malucos antidrogas? De onde vêm?

Fato: a cannabis é uma das melhores drogas para combater a náusea, aumenta o apetite e o bem-estar.

Também estimula os centros visuais cerebrais. Já tive tantas imagens ótimas conseguidas com cannabis. Na minha época de saladas, eu usava só ela, e que realizações consegui! ("E que acasalamentos!", como exclamou um crítico francês admirado.)

Algumas tragadas na teta verde e consigo enxergar múltiplas saídas e caminhos. Então por que tanta repressão a essa substância inofensiva e prazerosa?

Quem é você, para quem a verdade é tão perigosa? O que é a verdade? Algo imediatamente percebido como sendo a verdade.

Onde estão a cavalaria, a nave espacial, o esquadrão de resgate? Fomos abandonados aqui neste planeta governado por filhos da puta mentirosos, de poder cerebral modesto. Sem sentido. Nem uma minúscula fração de boas intenções. Filhos da puta mentirosos".

William S. Burroughs

domingo, 27 de abril de 2008

THE GUN CLUB: FIRE OF LOVE (1981)

O Gun Club surgiu em meio a cena punk de Los Angeles, onde bandas como X, Germs e Black Flag despontavam como ícones máximos da violenta cena hardcore da cidade. O "Clube do Tiro" do menino Jeffrey Lee Pierce, no entanto, ia além da ortodoxia do hardcore, buscando inspiração para seu punk rock despojado no velho blues do Delta do Mississipi e no hillbilly de Hank Willians, adicionando a essa inusitada equação, letras inspiradíssimas que davam nova dimensão as angustias e emoções de personagens atormentados que vivem no limite.

O vocalista Jeffrey Lee Pierce fundou o grupo ao lado do guitarrista Kid Congo Powers em 1980. A princípio a banda foi batizada com o nome de The Creeping Ritual, mas por sugestão de Keith Morris (líder da festiva banda punk Circle Jerks) mudaram o nome para The Gun Club. Além de Pierce e Powers, a banda contava com o baixista Don Snowden (um crítico de música de Los Angeles) e o baterista Brad Dunning. Antes de gravarem este primeiro LP, a banda já sofria alterações em seu line up. Kid Congo Powers deixou o grupo para ir tocar com os Cramps e a seção rítmica também foi alterada, com a entrada dos meninos Rob Ritter (baixo) e Terry Graham (bateria) – ambos ex-The Bags. Para o lugar de Powers foi chamado o excelente Ward Dotson, que fez o diabo neste disco.

Com essa formação, o Gun Club entrou em estúdio no início do ano de 1981 para registrar este, que é o seu grande clássico. Temas memoráveis como a faixa de abertura "Sex Beat", "Promise Me", "Fire Spirit" e a sensacional releitura deles para "Preaching The Blues" de Robert Johnson, fazem desde álbum um dos melhores debutes de um grupo americano no início daquela década. Mas não é só isso! O disco ainda tinha "For The Love of Ivy", canção composta por Pierce em parceria com Kid Congo Powers, em homenagem à Poison Ivy - sim, ela mesma, a menina guitarrista do Cramps. "Ghost on the Highway", "Black Train" e "Jack On Fire", também merecem ser mencionadas. Discoteca básica e indispensável.

Link: The Gun Club - Fire of Love (1981)