quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

São três da madruga e ainda estou acordado na frente do computador, conversando com algumas criaturas, enquanto bebo minhas últimas cervejas, com a TV ligada e mais um som rolando. A música deveria ser pra ver se pinta alguma espécie de “iluminação”. Não cai sequer um esboço de idéia. Nada. O que rola aqui nas caixinhas é “Diddy Wah Diddy”, música de Bo Diddley, na versão do Captain Beefheart e sua Magic Band.

Este registro foi o meu primeiro contato com o velho Don Van Vliet. Confesso que o descobri meio tarde. Já conhecia de fama, sabia de sua ligação com o Zappa, etc. etc. etc. Mas nunca tinha escutado. Foi paixão a primeira vista. Essa gravação está num EP dele de 1966, mas eu ouvi pela primeira vez numa caixa que comprei há uns oito anos: “Nuggets: Original Artyfacts From The First Pychedelic Era 1965 – 1968”. O item mais caro de toda a minha coleção de discos até hoje. Valeu cada centavo gasto!

Essa caixa foi lançada em 1998 pelo selo norte americano Rhino - que é uma companhia especializada em lançar sonzeiras das antigas -, e nada mais é do que uma versão expandida de um LP duplo lançado por Lenny Kaye (guitarrista do Patti Smith Group) em 1972, e que compilava incríveis obscuridades do rock de garagem americano dos anos 60. É uma porrada! São verdadeiras preciosidades, das quais, boa parte eu só conhecia como nomes obscuros citados em notas de pé de página.

Agora a pouco, numa conversa com um amigo no MSN, ele me disse que um outro amigo nosso está com uma banda. Quando pergunto quem mais está nela, me surpreendo com a resposta e penso: “pobre rapaz...” Banda aqui em Maceió é complicado. Na real, em qualquer lugar é. O entusiasmo que irrompe numa agitada conversar de mesa de bar, se dissipa em aproximadamente três dias. Nestas ocasiões, todos têm idéias extraordinárias para formar uma banda, mas depois já era.

Nada como estar numa banda. Nem que seja pra tocar pros amigos e meia dúzia de cocotinhas doidas pra dar. É uma sensação indescritível! Nos velhos tempos, quando eu era apenas um jovem mancebo metido a radical, protagonizei e presenciei cenas fantásticas. Era wild!!! HA HA HA.

No Corujão tá passando os “Reis do Iê, Iê, Iê”. Que nome mais cretino pra se colocar num filme. Não sei o que esses caras tomam quando têm essas idéias. Aqui no Brasil tem essa coisa estúpida de colocar nomes esdrúxulos em filmes. Esse “A Hard Day’s Night” é um filme bacaninha. Ele traduz alegoricamente todo o estado de euforia daquela época. É um filminho divertido e inventivo. Mas não tô dando muita bola pro que tá passando na TV agora não. Já vi esse filme outras vezes, fora o fato de que filmes com astros pop dublados em português soam estranhíssimos. Uma porcaria!

Às vezes fico imaginando como seria se eu tivesse vivido naquela época. A gente que não tava lá, não tem a real dimensão desse fenômeno, mas penso que provavelmente eu os odiaria. Aquela coisa toda da comoção gerada em torno da “Beatlemania”... O oba-oba... Odeio essas coisas! Se eu estivesse lá, acho que estaria ouvindo Stones e Pretty Things.

Well, a minha cerveja acabou, a maioria do povo da Internet foi dormir e eu não tenho porra nenhuma a dizer aqui. Acho que vou dormir também. Tchau.

The Primitives


Não, esta não é aquela banda inglesa dos anos oitenta. A The Primitives em questão foi o embrião do cultuado Velvet Underground. Nesta obscura formação estavam os meninos Lou Reed e John Cale - futuros fundadores do Velvet -, acompanhados por Tony Conrad e Walter DeMaria. O grupo era mais uma dessas inúmeras bandas de garagem de curtíssima duração nos anos sessenta. Lançaram apenas este compacto pelo minúsculo selo Pickwick, em 1964, com a canção “The Ostrich” - composição de Lou, com o singelo verso: “Ponha sua cabeça no chão e tenha alguém para pisar nela”.

Enjoy boys and girls!!

The Primitives - The Ostrich (1964)