sábado, 27 de dezembro de 2008

PUSSY GALORE: WHITE TRASH, WHITE NOISE... RIGHT NOW!

Por Luís Gustavo
O Pussy Galore foi uma das bandas mais irônicas, desrespeitosas e provocativas do underground americano dos anos 1980. Seus integrantes eram uns sujeitos agressivos, arrogantes e intratáveis. Faziam música para induzir as pessoas ao mal-estar. Suas apresentações causavam choque até mesmo em audiências que já experimentaram de tudo neste mundo: o público nova-iorquino. Mesmo forjando uma música tão barulhenta, desobediente e grosseira, o Pussy Galore tornou-se referência e pode ser considerada uma das mais seminais bandas de sua geração.

Eu sempre acreditei que o grau de relevância de um artista só pode ser medido pela influência que ele exerce. E, neste quesito, o grupo não só deixou sua marca, como depois de encerradas suas atividades foi capaz de gerar várias outras formações igualmente geniais para dar continuidade ao seu legado: Royal Trux, Boss Hog, The Jon Spencer Blues Explosion, Free Kitten, Weird War, Heavy Trash etc. Isso sem contar a longa lista de associações com outros artistas em bandas e projetos, na qual seria necessária uma lista telefônica para catalogar tanta gente: Kim Gordon, Jerry Teel, Rob K, Ian Svenonius, R.L. Burnside etc. etc...

A banda foi fundada no ano de 1985, em Washington DC, por um estudante de linguistica fanático por Birthday Party e pelo rock industrial do Einstürzende Neaubauten – um jovenzinho mal-educado chamado Jon Spencer. Em cinco anos de atividade, o Pussy Galore aterrorizou o circuito underground nova-iorquino com performances demenciais, lançou alguns dos discos mais perturbadores e inaudíveis da história da indústria fonográfica americana e passou por inúmeras mudanças em sua formação, tendo como membros mais constantes o vocalista Jon Spencer, os guitarristas Neil Michael Hagerty e Julie Cafritz, o baterista Bob Bert (ex-Sonic Youth) e a menina Cristina Martinez, que na época tinha apenas 16 aninhos, vejam só.
Abaixo, algumas boas amostras do melhor do noise e do trash rock ianque. Muito barulho, porra-louquice e niilismo em petardos como Right Now, de 1986 (o meu favorito), a famigerada versão do Pussy Galore para o álbum Exile On Main Street (onde esses adoráveis espíritos de porco destroem o clássico dos Stones), o elogiado Dial M For Motherfucker, de 1989 e o último álbum deles, Historia De La Musica Rock, de 1990 - com a banda já reduzida a um trio (Jon Spencer, Neil Hagerty e Bob Bert) e apresentando uma música mais bem acabada e próxima da sonoridade do Blues Explosion.



Discografia selecionada


quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

THEE HYPNOTICS: LIVER THAN GOD, COME DOWN HEAVY AND MORE...

Em mais um formidável trabalho de arqueologia, o Polimorfismo Perverso foi buscar direto das profundezas os primeiros e mais representativos trabalhos do monolítico quarteto inglês Thee Hypnotics - talvez a melhor banda que não deu certo da história do rock. Não é nada mau para um Papai Noel, não é verdade?!
Precursores do que hoje chamam de Stoner Rock, o Thee Hypnotics foi uma das bandas mais deslocadas de contexto que o rock britânico já produziu. Eles surgiram em meados de 1988, bem na época em que bandas americanas como Mudhoney se aventuravam em suas primeiras tours européias. Esse primeiro contato acabou gerando uma certa camaradagem entre as bandas e fez com que o primeiro álbum dos Hypnotics, Liver Than God, fosse editado pelo selo Sub Pop - por acaso o mesmo da banda do menino Mark Arm.

Neste primeiro disco gravado ao vivo, a moçada promovia um resgate da pauleira valvulada perpetuada por grupos radicais do final dos anos sessenta e início dos setenta - qualquer semelhança com o clássico Kick Out The Jams do MC5, não é mera coincidência. Sem sacanagem, ouvindo este disco ou vendo antigas imagens dos caras por volta de 1990, você tem a nítida impressão de que está em 1968. Tudo neles remetia a Stooges e MC5 – do visual ao som sujo e distorcido –, com um tanto de Blue Cheer e Jimi Hendrix aqui e ali. Alguns críticos pentelhos pegavam no pé dos rapazes, acusando-os de emular descaradamente os Stooges. Foi assim até o segundo discos, Come Down Heavy, mas, já no terceiro LP, Soul, Glitter & Sin, eles conseguiram se livrar um pouco do espectro de seus heróis.

A banda lançou apenas alguns poucos EPs e LPs entre 1989 e 1994, ano em que o grupo finalmente se desintegrou. Além do fato de que estavam fazendo um som revivalista numa época em que o pessoal da velha ilha preferia dançar ao som de coisas como Stone Roses e Happy Mondays, ou mesmo se deprimir no quarto com bandas shoegaze, os Thee Hypnotics também foram muito ofuscados pela onda grunge. Era a banda certa na hora errada. Eu sempre falo pros meus amigos que se essa banda tivesse aparecido no início deste século em meio a todo o oba-oba que fizeram em torno do garage rock ou do stoner, a história teria sido outra.



Discografia selecionada


segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

POWERTRANE: ANN ARBOR REVIVAL MEETING (2002)

Para o pessoal mais inteirado a respeito da cena rock de Detroit/Ann Arbor, o nome Scott Morgan diz muito. O homem além de ser o maior soul singer de Michigan, tocou em algumas das mais importantes bandas da área durante as décadas de 60 e 70. Algumas delas, inclusive, com ex-integrantes do MC5 e The Stooges - como é o caso da sensacional Sonic’s Rendezvous Band.

Powertrane é um de seus últimos projetos. Uma banda formada por volta de 2001. Este disco ao vivo do grupo é uma espécie de tributo às bandas de Michigan. No repertório, clássicos dos Stooges, da Sonic’s Rendezvous Band, do Radio Birdman e uma da carreira solo de Rob Tyner, o lendário ex-vocalista do MC5. Na apresentação juntaram-se a moçada os meninos Ron Asheton dos Stooges e Deniz Tek do Radio Birdman. Emocionante!

Faixas:

1. R.I.P. R&R
2. Hangin' On
3. Runaway Slaves
4. Ready to Ball
5. Blood from a Stone
6. Taboo
7. Earthy
8. Shellback
9. Love and Learn
10. What Gives
11. Dangerous
12. Outside
13. 1969
14. I Wanna Be Your Dog
15. Down on the Street
16. No Fun
17. TV Eye

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

SCREAMIN’ JAY HAWKINS AND THE FUZZTONES
Este EP é o registro da associação do legendário Screamin’ Jay Hawkins com o sensacional combo garageiro revivalista The Fuzztones. Fico aqui imaginando o quanto os meninos do Fuzztones devem ter gelado na primeira noite em que tocaram com o homem. O disquinho flagra nossos hérois numa apresentação histórica no Irving Plaza de Nova York, no dia 19 de dezembro de 1985. São apenas quatro faixas. O suficiente para deixar qualquer uma dessas bandinhas atuais, tipo The Horrors, morrendo de vergonha - se é que elas tem vergonha na cara...

Screamin' Jay Hawkins deixou este plano em dezembro de 2000, em decorrência de um aneurisma intestinal. Quem tem ao menos um pouquinho de conhecimento histórico sabe a falta que esse cara faz. A vida dele, envolta em uma série de lendas e mistérios, daria um tremendo filme de David Lynch. O pai do "R&B Freak" nasceu em Cleveland, Ohio, no dia 18 de julho de 1929. Antes de se tornar o mais singular e bizarro entertainer da história do rock 'n' roll, foi boxeador, serviu o exército americano na Segunda Guerra e tentou seguir carreira como cantor de ópera. Não deu certo. Então decidiu mudar de estilo, acompanhando de início o veterano músico de jazz Tiny Grimes. Algum tempo depois se aventurou em carreira solo, quando finalmente obteve êxito. No final de 1956 gravou seu maior sucesso: "I Put a Spell On You" - canção regravada por praticamente todo mundo.

Seus shows eram povoados por imagens bizarras e representações do grotesco. Bem antes de Alice Cooper aparecer, já tinhámos o velho Screamin' Jay Hawkins no palco com seus caixões, aranhas, fogos de artifício e cajado com uma caveira enfiada. Uma caveira a quem ele chamava de Henry. Há quem diga também que ele tem mais de 70 filhos, com diferentes mulheres e que falsificou seu registro de nascimento para servir o exército com 13 anos (!!!). É muita história pra pouco espaço...

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

MUSIC INSPIRED BY THE BRAZILIAN SACANAGEM MOVIES OF THE 1970’s

“Enquanto tuas mãos brancas, rugosas, tocam no meu sexo, penso nas tuas nádegas flácidas como elas só, de frente para uma janela escancarada e sem vista pro mar.
Teus gestos são sempre os mesmos desde que te conheço.
Tua pele engordura tudo. Tudo.
Teus joelhos doem, teu café é amargo...TÁ TUDO ERRADO PORRA!
Eu só te peço uma coisa: não vá embora. Por favor, isso não.”

E aí, gelou?! Pérolas como essa e muitas outras estão aqui reunidas neste disco bacanão, que paga tributo as pornochanchadas, misturando diálogos de figuras mitológicas como Paulo César Pereio e Helena Ramos a bases instrumentais cheias de groovie. Funk-lounge-soul-samba apimentado com pura sacanagem!

Link: Sex 70 - Music Inspired By The Brazilian Sacanagem Movies Of The 1970’s

Faixas:

1. Intro / A Jeitosa Do Morro
2. Helena X Aldine
3. A Babilônia De David
4. Desejos Ardentes
5. Vinheta
6. Pixoxó Em Lua De Mel
7. Vera, A Diaba Loira
8. Simplesmente Glória
9. Mulher Objeto
10. Um Grapete Antes, Um Cigarro Depois
11. O Eterno Pecado Horizontal
12. Suite Para Peréio
13. Sala Especial
14. Tá Tudo Errado Porra!
15. Pixoxó Remix
16. Babilônia Dub Version
17. Ainda Te Pego (Bônus Track)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Formado em Lima, capital do Peru, o Manganzoides é uma banda de garagem que faz um rock com inspirações eminentemente sessentistas. São adeptos da filosofia de que o artista tem que se comunicar diretamente com seu público. Então, nada de composições em inglês. Até mesmo as covers que eles fazem para canções de grupos como Flamin’ Groovies, Sonics, Stooges e outros são devidamente vertidas para o espanhol.
"Sobredosis De Terror", é um disco deles de 2002 editado pela No Fun Records, que reúne material próprio e versões animais para canções dos Saicos ("El Entierro De Los Gatos"), Third Bardo ("I’m Five Years Ahead Of My Time", transformada em "Estoy A 5 Años De Acá"), e Q65 ("Cry In The Night", que virou "Lora Esta Noche"). Os outros dois discos, também postados aqui: "En La Ciudad Del Horror" e "Radio Komodo" seguem pelo mesmo caminho. Rock dos brabos, com orgãos Farfisas dando o tom psicodélico na medida certa!

Links:

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

THE ROLLING STONES: SINGLES COLLECTION (THE LONDON YEARS)

O fino da "maior banda de rock do mundo" está aqui neste Singles Collection: The London Years. A banda em questão você conhece não é mesmo? Absolutamente desnecessário qualquer tipo de apresentação... Qualquer prego que tenha vivido neste planeta nos últimos 45 anos certamente já ouviu falar nos Rolling Stones – a banda que inventou essa mania neurótica de ser "marginal" no rock 'n' roll.

Foram eles que fizeram da imagem de delinqüentes juvenis quase que uma profissão, graças as manobras publicitárias do empresário maluquete Andrew Loog Oldham. O resultado é que depois dos Rolling Stones ninguém jamais conseguiu ser "família" e emplacar na música pop. Anyway, por mais que pareça legal e até mesmo engraçadinho esse esforço dos rapazes em parecerem bad boys sujos e arrogantes, a verdade é que eles tinham cacife suficiente para se impor no cenário pop mundial sem precisar valer-se de presepadas de qualquer espécie.
Das primeiras gravações ainda bem sujas e garageiras, das quais eles faziam algumas das mais sensacionais versões para números de rhythm 'n' blues e rock 'n' roll norte-americanos, até o notável desenvolvimento de seu estilo característico, quando passaram a privilegiar material próprio (dizem que foi preciso Oldham trancar Jagger e Richards num quarto, para que a dupla aparecesse com alguma música própria), ou seja, em absolutamente todas as ocasiões, o brilhantismo do grupo sempre foi algo bastante evidente e pode ser percebido até pela mais bronca das criaturas.

Essa simpática caixinha, lançada originalmente em Agosto de 1989 pela ABKO Records, oferece a todos a oportunidade de comprovar tudo isso que estou dizendo. Os três discos do Box fazem um apanhado completo e em ordem cronológica de todos os singles (lados A e B) editados pelo grupo durante os anos 60, via Decca Records (na Inglaterra) e London Records (nos EUA). Um retrato em polaroid da fase áurea dos Stones, quando a banda ainda estava em ponto de bala e contava com o talento e o carisma do guitarrista Brian Jones, assassinado na piscina de uma de suas propriedades em julho de 1969.

De "Come On" (o clássico primeiro compacto do grupo, de 1963) até as primeiras intervenções do guitarrista Mick Taylor (o substituto de Brian a partir de 69 até meados dos anos 70), aqui você tem basicamente tudo que precisa para virar fã dos Stones de uma vez por todas!

Links:

Singles Collection: The London Years (Disco 1)

Singles Collection: The London Years (Disco 2)

Singles Collection: The London Years (Disco 3)

terça-feira, 4 de novembro de 2008

O Up era aquela banda de Michigan que ficava ali espremidinha entre o carisma dos Stooges e o prestígio e liderança do MC5. Uma das bandas mais subestimadas da cena rock de Detroit/Ann Arbor e, provavelmente, o segredo mais bem guardado do underground americano do final dos anos 60 e início dos 70. A prova maior disso é o fato de suas gravações terem permanecido ocultas por décadas, vindo a público somente em 1995, quando esta antologia que reune todo o material gravado pelo grupo foi finalmente lançada.

Assim como a banda do menino Wayne Kramer, o quarteto composto por Frank Bach (vocais), os irmãos Bob e Gary Rasmussen (guitarra e baixo, respectivamente) e Vic Peraino (baterista posteriormente substituído por Scott Bailey), vivia sob a égide do doido de pedra John Sinclair e seu famigerado White Panthers Party. Sim, porque tanto o MC5 quanto o UP assumiam a função de agentes propagadores do discurso revolucionário de Sinclair para a juventude da América naqueles loucos e ingênuos anos 60.O ímpeto desses figuras em descontar no mundo suas angustias adolescentes por meio de altíssimos decibéis, foi despertado em meados de 1967, quando esses refugos da Wayne State University tiveram seu primeiro contato com o som do MC5, numa noite em que estes tocavam no Grande Ballroom.

Durante a época em que estava na ativa, o Up nunca obteve lá muito reconhecimento. Não conseguiram nenhum contrato com uma grande companhia como a Elektra Records, por exemplo. Assim, alguns dos poucos registros que os caras fizeram acabaram saindo por pequenos selos, como a minúscula Rainbow Records, que editou um Split do Up com o poeta Allen Ginsberg. Quando a barra realmente começou a pesar e Sinclair foi preso, o Up ficou meio perdido e acabou sucumbindo as pressões externas, encerrando sua efêmera trajetória em meados de 1972.
Esta coletânea produzida pelo ex-empresário do grupo John Sinclair, inclui todo o raríssimo material do UP disponível, entre gravações de estúdio e ao vivo, mais a performance de Ginsberg gravada com eles em dezembro de 1971 para a Rainbow Records.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

EXCESSO DE INFORMAÇÃO

1. Perda de produtividade - a falta de foco e o excesso de opções nos faz pular de um assunto ou detalhe a outro, distraindo-nos de nossas metas e propósitos.

2. Mente inquieta - este ruído constante de mídia acaba gerando um zumbido constante que obstrui a concentração e a paz interior.

3. Perda de Tempo - todo o tempo desperdiçado recebendo, deglutindo e repetindo informação inútil é descontado de nossa cota diária de trabalho, diversão, envolvimento e felicidade.

4. Desconexão - quanto mais somos expostos e envolvidos pelo excesso de informação, mais se enfraquece nosso elo interior com nossos valores, sentimentos e metas.

5. Stress e Ansiedade - o zumbido da informação inútil vicia, e cria a ilusão de temos milhares de pequenas coisas a fazer, notícias para ler, tarefas a cumprir.

Após meses nessa rotina, a impressão que se tem é a de que se está sempre ocupado, atrasado e devendo.

Think Simple Now

sábado, 1 de novembro de 2008

BOSS HOG: GIRL + (Amphetamine Reptile)

Por Luís Gustavo
O Pussy Galore, uma das bandas mais barulhentas que o circuito alternativo nova iorquino já produziu, encerrou suas atividades em 1990. Mas não sem antes espalhar suas sementes do mal para continuar seu legado de terror e desgraça. Sim, porque do sêmen do Pussy Galore, foram geradas três novas crias: o Royal Trux (do guitarrista Neil Michael Hagerty), a Jon Spencer Blues Explosion (do menino Jon Spencer, naturalmente) e o Boss Hog (da maravilhosa Cristina Martinez e de seu então companheiro Jon Spencer).

Além dos dois ex-Pussy, o Boss Hog contava ainda com elementos do Unsane e dos Honeymoon Killers. Girl Positive é um mini-álbum que eles gravaram pela Amphetamine Reptile em 1993 e, Como fica bem evidente aqui, esse bando tinha como principal proposito desconstruir as estruturas mais tradicionais do blues e do jazz, ao investirem uma gana fudida num drive maníaco de guitarras corrosivas e sujas pra cacete. Very fucking cool!

terça-feira, 28 de outubro de 2008

AMERICAN HARDCORE: THE HISTORY OF AMERICAN PUNK ROCK 1980-1986

Toda a história da ascensão e queda do cenário hardcore norte-americano é contada minuciosamente no documentário American Hardcore, filme do diretor Paul Rachman, com roteiro de Steven Blush (o escritor do livro “American Hardcore: A Tribal History”, no qual o filme em questão é baseado). Além da abordagem inteligente, o grande barato do filme são os flagrantes em performances memoráveis de alguns dos mais importantes nomes do underground americano. Confesso que fiquei emocionado.
A trilha sonora deste documentário que estou postando agora é uma puta coletânea do caralho de bandas do gênero! Dos precursores que romperam estruturas até os que levaram a coisa toda adiante rumo ao esgotamento das fórmulas, está quase tudo o que interessa aqui presente neste disco. Black Flag, Middle Class, Bad Brains, Circle Jerks, Minor Threat, D.O.A., Negative Approach, etc. etc. etc... Na verdade, não há muito que eu comentar aqui. Vejam o filme e ouçam o disco!
Link: American Hardcore: The History Of American Punk Rock 1980-1986

Faixas:

1. Nervous Breakdown - Black Flag
2. Out Of Vogue - Middle Class
3. Pay To Cum - Bad Brains
4. Fucked Up Ronnie - D.O.A.
5. Red Tape - Circle Jerks
6. Filler - Minor Threat
7. I Remember - MDC
8. Nic Fit - Untouchables
9. Kill A Commie - Gang Green
10. Boston Not LA - The Freeze
11. Straight Jacket - Jerry's Kids
12. Boiling Point - SS Decontrol
13. Who Are You/Time To Die - Void
14. Came Without Warning - Scream
15. Enemy For Life - YDI
16. Runnin' Around - DRI
17. Don't Tread On Me (1982 demo) - Cro-Mags
18. Friend Or Foe (1983) - Negative Approach
19. Bad Attitude - Articles of Faith
20. Think For Me - Die Kreuzen
21. I Hate Sports - 7 Seconds
22. Brickwall - Big Boys
23. I Was A Teenage Fuckup - Really Red
24. I Hate Children (1980 demo) - Adolescents
25. My Minds Disease - Battalion Of Saints
26. Ha Ha Ha - Flipper

sábado, 25 de outubro de 2008

THE CRAMPS: LIVE AT NAPA STATE MENTAL HOSPITAL 1978

Por Luís Gustavo
Quando esses mentecaptos se apresentaram no Napa State no dia 13 de junho de 1978, entraram imediatamente para os anais da história do rock ao protagonizarem um de seus mais bizarros capítulos. O Napa State Mental Hospital é uma instituição psiquiátrica situada nas proximidades de São Francisco, na Califórnia. Foi lá que alguém espertamente teve a ideia de registrar toda essa pândega monumental.
Este vídeo é simplesmente inacreditável! Imaginem um show conduzido por um demente como Lux Interior, interagindo com os loucos do hospício que sobem no palco a todo o momento e cantam e dançam com ele na maior naturalidade. Sem sacanagem, na primeira vez que vi isso, ainda no tempo do VHS, minha primeira reação foi algo do tipo 'que porra é essa?!'. Em determinado momento, logo após “Mystery Plane”, Lux fala para os pacientes: “Nós somos os Cramps, nós somos de Nova York, nós dirigimos 3.000 milhas para tocar para vocês”. De repente, alguém grita um “fuck you”. O vocalista dá um sorrizinho, e imenda: “Algumas pessoas me falaram que vocês são loucos, mas parecem normais para mim”. E em seguida a banda ataca com “The Way I Walk”, clássico de Jack Scott. Impagável...

Sim, brothers and sisters, o Cramps é uma banda absolutamente anormal. E isso é um elogio, podem acreditar! A mais perfeita banda de lunáticos de que se tem notícia - e também a mais divertida de todo esse planetinha cretino de meu Deus. Na época desse show, o grupo estava fazendo sua primeira excursão pela costa oeste norte-americana, tocando com os Mutants e abrindo alguns shows para as Runaways, banda de onde saiu a menina Joan Jett. Mas o ponto alto dessa pequena turnê foi esta histórica apresentação no hospício em Napa State. O mais incrível nesssa história toda é o fato de os responsáveis pelo lugar não tê-los segurado lá dentro.
Este espetáculo foi editado posteriormente pela Target Video, e o filme todo dura apenas 20 minutos. Apesar da precariedade técnica, este é sem dúvida um dos mais impressionantes filmes da história do rock.

Se liguem:


Ficha Técnica:

Video: MPEG
Audio: Layer 3 48000Hz stereo
Tempo: 20 mimutos
Tamanho do arquivo: 211 MB

Faixas:

01 - Mystery Plane
02 - The Way I Walk
03 - Whats Behind The Mask
04 - Human Fly
05 - Domino
06 - Love Me
07 - Twist And Shout
08 - TV Set

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Lançado há quinze anos, este segundo álbum de Jon Spencer com seu Blues Explosion ajudou a sedimentar o caminho do trio rumo ao mainstream, onde eles puseram pela primeira vez um pezinho com o hit “Afro” – faixa de abertura deste Extra Width, que chegou ao topo das paradas alternativas. Muitos atribuem ao disco o título de “clássico do rock contemporâneo”, entre outras tantas expressões hiperbólicas... O que não deixa de ser verdade.
Aqui, Spencer e seus comparsas – Judah Bauer (guitarra) e Russell Simins (bateria) – atiram para novas direções, distanciando-se um pouco da pauleira cáustica das primeiras gravações do grupo, que ainda apresentava elementos do velho Pussy Galore, o famigerado combo garageiro que Jon comandava em meados dos anos 80. Extra Width dá uma reduzida na sujeira e acentua a influência black da banda, com um som cheio de groove extraído direto do cerne da coisa: o blues e o rhythm ‘n’ blues mais despojado, com lascas de soul music e funk. Para resumir, Extra Width é mais do que um convite é uma intimação para que você levante a bunda da cadeira e dance como um desgraçado!

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

MUDHONEY, CLASH CLUB, SÃO PAULO, SP 16 DE OUTUBRO DE 2008

Por Tiago Santana

Cheguei em cima da hora da abertura do local, às 20 horas, encontrando até então poucos fãs na fila da entrada. Lá pelas 21 horas a banda de abertura (que não me recordo o nome, nem pretendo recordar) subiu no palco. Tocavam bem, mas achei tudo muito manjado. Pelo menos foi curto. Pouco depois das 22 horas, os caras (os caras!) apareceram e já começaram chutando a boca da boceta: The Money Will Roll Right In, cover do Fang. A platéia então havia aumentado de número e empolgação, chegando a improvisar uns moshs atrapalhados e arriscados. O êxtase chegou em momentos como Suck You Dry, You Got It, Touch Me I’m Sick... entre outros clássicos, vinho e pedidos aos berros de outras músicas, notei que já estava quase na hora do meu ônibus partir, provavelmente o último. Portanto, não vi o show até a última música.

Mas deu para matar a vontade, já que perdi a turnê deles ano passado. E vi um pessoal novo por lá, com camiseta do Nirvana, claro. Começam por estes, passam pro Mudhoney, e daí pra bandas ultra-cool como Dickies, Undertones e Mr. Bungle. Tomara, pois não agüento mais o pessoal falando dessas bandas novas, chatíssimas, cheias do chamado ‘hype’. Elas deveriam aprender a fazer uma sonzeira de verdade com Mark e sua turma, a 20 anos dando cassetadas nos nossos cérebros.

March to Fuzz!