terça-feira, 28 de junho de 2011

MONDO TOPLESS: FREAKING OUT (2010)

O Mondo Topless surgiu em meados de 1992, época em que as atenções se voltavam para o chamado grunge rock. Os meninos da banda, no entanto, não se apertaram, preferindo apostar suas fichas em sonoridades mais ruidosas, na praia de grupos sessentistas como The Standells, Chocolate Watchband, The Seeds e MC5. Até onde sei, este Freaking Out é o último lançamento dos caras. O álbum é composto basicamente por versões para clássicos garageiros de diferentes épocas. Da psicodelia dos Electric Punes à descarga de adrenalina da Sonic’s Rendezvous Band.

Link: Mondo Topless - Freaking Out (2010)

domingo, 26 de junho de 2011

JESUS AND THE GROUPIES: BLACK HEART INDUSTRY (2011)

Após assumirem os botões em gravações, mixagens e produção de várias bandas no Estúdio Caffeine em São Paulo, Luis Tissot aka Mr. Alabama (Human Trash/Backseat Drivers) e Marco Butcher (Uncle Butcher/Jam Messengers), decidem entrar madrugada à dentro experimentando diferentes timbres e sons para criar aquilo que ambos perceberam ser necessário naquele momento: um duo explosivo e sujo, com uma sonoridade que fizesse encontrar influências em comum, mergulhando na elegância do delta blues nadando até o garage rock visceral e cru.

Chuck Violence

Link: Jesus and The Groupies - Black Heart Industry

domingo, 12 de junho de 2011

THE HONEYMOON KILLERS: HONEYMOON KILLERS FROM MARS (1984)

Primeiro álbum do grupo nova-iorquino The Honeymoon Killers, um dos segredos mais bem guardados do underground americano dos anos 80. Sonzeira trash no limite: sujo, barulhento e maravilhosamente esculhambado - este disco é o que os caretas rotularíam fácil, fácil como um produto impróprio pra o consumo humano. Aqui a podreira terminal dos caras está bem mais acentuada do que nos álbuns subsequentes - alguns dos quais, já apresentados aqui no Polimorfismo já há um bom tempo. Disco raro e nunca editado em formato CD.

Link: The Honeymoon Killers From Mars (1984)

sexta-feira, 10 de junho de 2011

JOHN WATERS: MONDO TRASHO (1969)

Filmado em P&B e praticamente sem falas, o filme de 95 min honra o baixíssimo orçamento de 2 mil dólares ao contar a história de uma garota (Mary Vivian Pearce) que após ser atacada em um parque por um podólatra, é atropelada por Divine, distraída pela presença de um homem nu pedindo carona na rodovia. Com a defunta em seu carro, Divine passa por várias situações nonsenses ao redor de Baltimore contando com aparições da Virgem Maria até chegar ao consultório do estranho médico que troca os pés da defunta por pés de galinha, ressuscitando a garota. A sequência inicial do filme não é recomendada para defensores dos animais. Mondo Trasho nunca foi lançado comercialmente. Segundo Waters, as músicas usadas ao longo do filme não foram legalmente autorizadas e seria financeiramente inviável pagar todo os direitos autorais ou reeditar o áudio. Tecnicamente o filme é bem tosco, assim como a história. Vale assistir pela curiosidade.

Link: John Waters - Mondo Trasho (1969)

quarta-feira, 8 de junho de 2011

PINK FLAMINGOS ORIGINAL SOUNDTRACK

Geralmente os fãs das podreiras produzidas pelo rei do trash John Waters são as mesmas pessoas espertas que se amarram em bandas como o Cramps, por exemplo. A identificação entre a estética criada por Waters em seus melhores momentos, em meados dos anos 70, e o universo que compõe a mitologia da banda da menina Poison Ivy, é total. E as sacadíssimas trilhas sonoras dos filmes do menino John, sempre repletas de obscuridades do rock mais sujo e depravado produzido nos anos 50 e 60, são uma prova disso. A trilha deste Pink Flamingos é tão divertida quanto o filme. Temos aqui pérolas do inimitável Link Wray, dos Centurions, dos Trashmen, dos Nighthawks e muito mais. Preste atenção!

Link: Pink Flamingos Original Soundtrack (1972)

sábado, 4 de junho de 2011

VIRUS 100 (Alternative Tentacles)

Esta fantástica coleção de impetrepações de temas dos Dead Kennedys foi lançada originalmente em maio de 1992 em caráter comemorativo: foi o centésimo lançamento da Alternative Tentacles, gravadora independente do ex-vocalista do grupo, o carismático Jello Biafra. Trata-se de um dos melhores discos tributos já lançados. O pessoal do selo fez tudo direitinho. Juntou praticamente todos os contratados e mais um punhado de nomes espertos do underground mundial e disse pra rapaziada: "olha aqui meu filho, toma isso aqui e toca alguma coisa da banda do chefe". Ou algo do tipo... Destacar qualquer uma das covers seria bobagem. Todos os artistas saíram-se bem cada um a sua maneira, adicionando elementos característicos as composições dos Kennedys e, ao mesmo tempo, preservando a essência e o senso de humor das gravações originais. Imperdível!

Link: Virus 100 - Tributo aos Dead Kennedys (1992)

Faixas:

1. Police Truck - The Didjits
2. Too Drunk To Fuck - Evan Johns & His H-Bombs
3. Halloween - Alice Donut
4. Let's Lynch The Landlord - Faith No More
5. Nazi Punks Fuck Off - Napalm Death
6. Forward To Death - Nomeansno
7. Chemical Warfare - Steel Pole Bathtub
8. Saturday Night Holocaust - Neurosis
9. Moon Over Marin - Les Thugs
10. Ill In The Head - Victims Family
11. California Uber Alles - The Disposable Heroes Of Hiphoprisy
12. Winnebago Warrior - Mojo Nixon & The Toad Liquors
13. Drug Me - Sepultura
14. Insight - Kramer
15. Let's Lynch The Landlord - L7
16. Holiday In Cambodia - Sister Double Happiness

quinta-feira, 26 de maio de 2011

JIMMY SMITH: ORGAN GRINDER SWING

Álbum da pesadíssima do lendário organista Jimmy Smith, seguramente o real precursor do gênero acid jazz. Organ Grinder Swing é um disco que o homem gravou em 1965, período em que fazia parte do cast do venerável selo Verve. O disco é composto por jams registradas ao lado de figuras do calibre de Kenny Burrell (guitarra) e Grady Tate (bateria). Com essa formação enxuta, Smith parece bem a vontade em temas especialmente inspirados, como na arrepiante faixa-título e nas clássicas "Blues For J", "Oh No, Babe" e "Greensleeves", com um solo de quase 7 minutos (!)

Link: Jimmy Smith - Organ Grinder Swing (1965)

terça-feira, 24 de maio de 2011

BACKSEAT DRIVERS: WALKABOUT (2011)

Novo lançamento dos meninos do Backseat Drivers, banda garageira por definição, com certo acento 'black' e que, a um só tempo, faz a alegria de rockers e modernos de todos os matizes na noite paulistana. Sonzeira epiléptica, com influências de Bo Diddley, garage rock dos anos 60, punk da década de 70 e de abortos sonoros da cena underground nova-iorquinos dos 80.

Link: Backseat Driver - Walkabout (2011)

IGGY POP: NUGGETS (Skydog)

Iggy Pop, como todos devem saber, é aquele moço que canta naquela banda favorita de dez entre dez bilhões de jovenzinhos que se amarram em pagar de bacanas na internet. Na verdade, postar qualquer coisa do menino Iggy a essa altura do campeonato, é de uma estupidez e de uma redundância terrivelmente vergonhosas de minha parte. Mas como esse disquinho duplo possui faixas que até os mais descolados talvez desconheçam, e como anteriormente apenas eu mesmo havia postado esse negócio na web (aqui no Polimorfismo mesmo, inclusive), acho que tá valendo, então.

Link: Iggy Pop - Nuggets (1999)

THE GUN CLUB: MIAMI (1982)

Na época do lançamento desse segundo LP, o combo psycho-punkabilly do menino Jeffrey Lee Pierce tinha a difícil tarefa de superar (ou ao menos manter o mesmo nível) de sua genial estreia com Fire of Love. Produzido pelo líder do Blondie Chris Stein, para o seu selo Animal Records, Miami é um álbum menos vigoroso que seu antecessor, mas possui momentos igualmente preciosos. As intensas “Devil In The Woods”, “Slepping In Blood City” e a arrepiante cover de “Run Through The Jungle”, do Creedence Clearwater Revival, valem o espaço tomado no seu HD.

Link: The Gun Club - Miami (1982)

domingo, 22 de maio de 2011

Estivemos fora do ar por alguns instantes por falta de energia elétrica, retornamos agora à nossa programação normal... É isso aí, putada! o Polimorfismo voltou, e voltou pior do que nunca! E pra você garotinho juvenil que não consegue nem dormir direito após ouvir àquelas diabólicas maravilhas garageiras dos primórdios dos Stones e dos Pretty Things, este disquinho é uma compilação de muitos dos temas originais que essa moçada gravou antes mesmo de aprender a tocar. É o bê a bá da British Invasion em 27 lições!

Link: Stoned Alchemy - 27 Blues and R&B Hits That Inspired The Rolling Stones

sexta-feira, 25 de junho de 2010

THE SEEDS: RAW & ALIVE/RARE SEEDS

Hoje está todo mundo lembrando a morte do Michael Jackson, mas no mesmo 25 de junho de 2009 outro grande nome da música faleceu - o menino Sky Saxon, líder da banda psicodelica de garagem The Seeds. Então, para evitar qualquer injustiça o Polimorfismo faz questão de preservar a memória desse velhinho da pesada que tão humildemente prestou o inestimável serviço de pôr tanta gente legal no mau caminho. Este disco aqui reune num só CD dois registros dos Seeds: o raivoso álbum ao vivo Raw & Alive e a coletânea de lados-B e outtakes, Rare Seeds. See ya!

sábado, 19 de junho de 2010

METEORANGO KID - O HERÓI INTERGALÁTICO (1969)

Por Luiz Otávio de SantiAs imagens vêm da Bahia, cidade de Salvador. Saído da “boca do inferno”, nome dado aos filmes produzidos no período áureo da estética marginal, na capital baiana, Meteorango retrata a revolta de um rapaz de classe média. Lula é o universitário cuspindo fogo nas tradições, enquanto eriça o gosto pela meta-referência à produção da época e pela pura curtição do fazer cinema. Procedimentos que representam alguma liberdade e que fazem o nosso tempo mergulhar naquele tempo. Demonstrado por mais esta mostra, nosso passado recente, em cinema, tem quase sempre o mesmo endereço: o da “esculhambação” dos pós-novos.

No meio do caldeirão da Tropicália, o filme tem o facho da leitura, a visão fenomênica de compor o painel de época ao misturar improviso, ficção e documentário. A obra é organizada em várias situações distintas, quase sempre envolvidas em humor e escatologia, em exagero e estranhamento. Logo nas primeiras imagens, Lula é o rapaz que anda de trás para a frente, em “câmera a ré”, ou melhor, é o Jesus trepado no coqueiro, que volta à cruz para agonizar.Vemos sangue, suor e suplício em meio aos créditos iniciais, e em seguida aparece a frase “esse filme é dedicado aos meus cabelos”.Lula é o meteorango universitário em busca de aventuras. Um baiano kid que acorda tarde e não faz nada na vida, “um vagabundo”, como diz a doméstica que o desperta todas as manhãs. É um giro pela cidade, é o sonho de matar o pai e a mãe vestido de Batman, é uma referência a Glauber e a Sganzerla, é um soco na câmera, é a roda de fumo na casa do amigo (onde ouvimos “Assim falou Zarathustra”, de Richard Strauss, em 2001, de Kubrick), é a irreverência no velório, quando bate a cinza do cigarro na cara do defunto, é o percurso de Lula de olho nos inventores e de braços abertos para a diversão.

THE STANDELLS: WHY PICK ON ME (1966)

O grupo californiano The Standells é o protótipo da banda punk dos anos 60. Sujos, feios e encrenqueiros, eles eram um bando tão casca-grossa que faziam os Stones parecerem os Monkees. Neste segundo álbum, o legendário grupo angeleno mostra porque nem sempre os bons sujeitos vestem branco e entregam mais um punhado de boas canções - "Mainline", "Why Pick On Me" e a já citada "Sometimes Good Guys Don't Wear White" (gravada pelo Minor Threat nos anos 80) são clássicos. Um disco tão bom que parece uma coletânea.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

ANNA AND THE PSYCHOMEN

Por Pirate Liza
Tocar qualquer estilo musical é difícil, quando não se sabe o que está fazendo, nem tem as influências certas. Tocar qualquer coisa com alguma propriedade requer também uma certa direção, e até o que chamam de "mal tocado" exige de quem toca algo no mínimo harmonioso. Não é simplesmente pegar um instrumento e bater nas cordas. Eu demorei um certo tempo pra chegar a pensar assim, inclusive sobre o punk, mas acho que já estou começando a aprender.Um exemplo interessante disso, que descobri por acaso, são esses italianos de Milão que atendiam por Anna & The Psychomen. Eles tinham uma proposta clara (e foram fiéis a ela): rock n' roll agitado, divertido, selvageria mezzo adulta, mezzo adolescente, apanhando todas as boas influências rockeiras dos anos 50 até aqui: desde Chuck Berry, passando por The Cramps, até Billy Childish, a batida rock n' roll come solta. A receita é simples: ouvidos aguçados, rock beat, guitarras bêbadas, e uma vocalista mutcho lôca. É assim que Anna (vocais), Psycho D (guitarra), Psycho Ivan (peles), Psycho Max (guitarra) e Psycho Simo (baixo) levaram a banda de 1998 até 2008, quando resolveram encerrar as atividades.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

A REVISTA POP APRESENTA O PUNK ROCK

Este post é meu tributo a um LP que foi muito importante no começo da minha adolescência. Mas nem se preocupem que não vou sair vomitando pieguices. Isso definitivamente não é do meu feitio. A Revista Pop Apresenta o Punk Rock foi lançado em 1977 pela extinta revista POP (uma espécie de BIZZ dos anos 70) e, claro, eu não peguei esse disco na época. Eu o descobri na estante do pai de um amigo. Foi ali que ouvi Ramones e Sex Pistols pela primeira vez, duas bandas que moldaram toda a minha concepção do que deveria ser reconhecido como 'boa música', seja lá o que isso signifique. O disco tinha também The Jam, Runaways, London (com a ótima "Everyone's a Winner"), o Ultravox, antes de virar uma daquelas bandas para homosexuais chatos, etc. etc. Esta compilação não é a coisa mais completa do mundo, mas tem seu valor histórico e realmente marcou a vida de muita gente, e isso não é pouco.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

THE SONICS: HERE ARE THE SONICS!!!

Primeiro álbum de uma das bandas mais influentes de todos os tempos. Sob a batuta do menino Buck Ormby (baixista dos Wailers e proprietário do selo Etiquette, que lançou o LP ) este simpático quinteto de Tacoma antecipa o punk e o hardcore em mais de uma década metendo bronca em pauladas imundas como as clássicas "The Witch", "Psycho" e a demencial versão de "Money (That's What I Want)". Uma tijolada daquelas na cara das senhoras da liga católica!

segunda-feira, 10 de maio de 2010

IKE & TINA TURNER: FUNKIER THAN A MOSQUITO'S TWEETER

Ao lado do impressionante River Deep Mountain High (1966) - um dos mais monstruosos exemplos da megalomania do produtor Phil Spector -, este Funkier Than a Mosquito's Tweeter é o melhor registro do casal Ike & Tina Turner. Quem só conhece o trabalho da moça através daquelas xaroposas músicas do período em que ela despontou no mainstream como solista em meados dos anos 80, precisa ouvir esta maravilha aqui. Os vocais rasgantes e as selvagens intervenções funky cheias de lascívia da banda do maridão 'carinhoso' Ike, provam que eu não estou falando besteira. A sinuosa faixa título (famosa na voz de Nina Simone) e as sensacionais versões para "I Want To Take You Higher", de Sly & The Family Stone e "Whole Lotta Love", do Led Zeppelin inscrevem-se como algumas das melhores performances de r&b de um grupo nos anos 70.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

LADY DOTTIE & THE DIAMONDS (2008)

Este é o primeiro álbum de Lady Dottie and The Diamonds, banda liderada pela americana Dorothy Mae (64 anos), uma veterana da cena de R&B que começou a carreira como cantora gospel no sul dos EUA. Formado na cidade de San Diego, o grupo soa como se o MC5 fosse uma banda de apoio para cantoras como Etta James ou Ella Fitzgerald. As influências vão de grupos garageiros sessentistas como The Sonics à nata da música negra norte-americana: Otis Redding, Ike & Tina Turner, Billie Holiday, James Wonder, Sam Cooke, Robert Johnson, Bessie Smith, Muddy Waters, Betty Davis, etc. Disco indicadíssimo para fãs de Bellrays e Detroit Cobras.

domingo, 2 de maio de 2010

UNCLE BUTCHER & MARGARET DOLL ROD EM MAIS UM BELO LANÇAMENTO DA SQUOODGE RECORDS!

A Squoodge Records, selo austríaco especializado nos lançamentos dos 7 polegadas mais quentes da cena de garage, blues e punk music na Europa, acaba de lançar Opening The Golden Gates, single que traz Margaret Doll Rods (Demolition Doll Rods) e Marco Butcher (The Jam Messengers) juntos. O single foi gravado no estúdio Submarine do produtor paulista Clayton Martin que, além de ter gravado e produzido o disco, ainda fez uma participação especial tocando gaitas em uma das faixas.

O single traz duas músicas carregadas do espírito da JAM. "The Groove" leva você de volta ao Delta e sua crueza direta e intensa como os velhos e bons spiritual songs, já "The Best Is Yet To Come" é um boogie woogie vindo de algum lugar entre Marte e o melhor da saudosa Motown com sua soul music! Musica para fazer dançar. O vinilzinho faz parte da coleção ABC da Squoodge Records, ou seja, é uma edição limitada que vem em capa especial é também um poster e conta com os dois tracks do mesmo lado da bolacha facilitando assim a vida do DJ.