
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
WEEN: THE CRUCIAL SEQUEEGIE LIP (Bird O’ Pray Records)

quarta-feira, 14 de outubro de 2009
URINALS: NEGATIVE CAPABILITY... CHECK IT OUT! (Amphetamine Reptile)
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
THE NEW STRYCHNINES: THE NEW ORIGINAL SONIC SOUND (2004)
terça-feira, 6 de outubro de 2009
THE GERMS: THE COMPLETE ANTHOLOGY
The Germs é o tipo de banda da qual as pessoas mais ouviram falar do que de fato escutaram. Em 1977, quando eles despontaram no circuito underground angeleno como sensação da emergente cena punk californiana, muitos os consideravam uma verdadeira revolução. O grupo, no entanto, teve vida curta. Na noite de 6 de dezembro de 1980, o corpo do carismático vocalista Darby Crash foi encontrado. Crash resolveu deliberadamente acabar com tudo, suicidando-se com uma dose excessiva de heroína.
Como sempre acontece no rock, em casos de estupidez abisais como a cometida pelo menino Darby, a banda virou lenda e ele um mito. No final das contas, o que realmente importa é a música e, nesse quesito, esta antologia até que cumpre bem o papel de dar uma geral na obra de um dos ícones do underground americano dos anos 70.domingo, 20 de setembro de 2009
SUBURBIA: ORIGINAL MOTION PICTURE SOUNDTRACK (1997)
Trilha sonora bacaninha de um filme pé-no-saco. Suburbia tem faixas inéditas do Sonic Youth, Thurston Moore costurando pra fora com "Psychic Heart", Stephen Malkmus com as meninas do Elastica coverizando o X, o Boss Hog aniquilando com "I'm Not Like Everybody Else", mais velharias dos Butthole Surfers, Flaming Lips e alguns sons pro pessoalzinho "muderno" não sair reclamando. Tem pra todo mundo!Link: Suburbia Original Motion Picture Soundtrack
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
SIMPLY SAUCER: CYBORGS REVISITED (1974)
terça-feira, 15 de setembro de 2009
UNSANE: SCATTERED, SMOTHERED & COVERED (Amphetamine Reptile)
Este power trio casca-grossa de New York City definitivamente não faz música para os jovens amantes. O som dos caras fica entre o noise do pessoal da cena pig fucker nova-iorquina, o hardcore e o metal. Nivelando a coisa por baixo, dá pra dizer que eles guardam certa similaridade a contemporâneos que deram certo, como o Helmet. A diferença é que o Unsane é bem mais áspero, puto, e, portanto, menos palatável ao gosto médio da garotada consumidora do rock alternativo que invadia as MTV's da vida no início dos anos 90.
A primeira coisa deles que ouvi foi "Bath", faixa de abertura do primeiro álbum da rapaziada, gravado ainda no final dos anos 80 (a banda começou em 1988), e lançado somente em 1991. Um disco que me impressionou muito, mas, se for para eleger um álbum dos caras como o mais representativo, este será sem dúvida, a usina de ódio: Scattered, Smothered & Covered. Não há necessidade para grandes elucubrações... Ouçam! É a trilha sonora perfeita para quem anda abraçado ao rancor.Link: Unsane - Scattered, Smothered & Covered (1995)
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
HARRY CREWS: NAKED IN GARDEN HILLS
Harry Crew foi um escritor beat daquela turma do Greenwich Village (NYC). Nunca li, mas sei que seu nome serviu para batizar este projeto paralelo da menina Kim Gordon (baixista do Sonic Youth) com a cantora e guitarrista Lydia Lunch. Isso nos idos de 1988, época do superestimadíssimo Daydream Nation. Harry Crews é barulheira das brabas ao estilo do velho Teenage Jesus and The Jerks e este álbum é uma compilação de registros de shows que elas fizeram pelo Reino Unido entre 1988 e 1989. Se você, meu jovem, é chegado àquelas bandas da cena no wave e tem saudades do velho Sonic Youth, este disco aqui talvez resolva o seu problema!segunda-feira, 24 de agosto de 2009
CHROME CRANKS RECORDED LIVE AT FLETCHER'S, BALTIMORE, MD (1997)
O Chrome Cranks começou como uma despretensiosa brincadeira do cantor e guitarrista Peter Aaron e seu amigo e também guitarrista Willian G. Weber. Surgidos na cidade de Cincinnati, Ohio, em meados de 1988, o grupo fez sua estréia abrindo shows para o Pussy Galore, gravou umas coisinhas aqui e ali e deu uma parada por volta de 1991, quando Weber foi pra Nova York e juntou-se a GG Allin e seus Muder Junkies.
A Banda retomaria suas atividades por volta de 1992, tendo como base de atuação a cidade de Nova York, ensaiando e gravando grande parte de seu material na Fun House, estúdio do novo baixista do grupo: o ex-Honeymoon Killers, Jerry Teel. Após sucessivas trocas de integrantes e alguns singles e EPs, editados por diversos selos independentes, o Chrome Cranks passou a ter uma formação mais estável a partir do ano de 1994, com a admissão do baterista Bob Bert (ex-Sonic Youth e Pussy Galore). Este post é o registro de um show do grupo em Baltimore, realizado em junho de 1997. Para uma gravação ao vivo num clube underground, a qualidade do áudio está ótima e dá uma boa idéia do estrago que eles são capazes. quinta-feira, 20 de agosto de 2009
SONGS THE CRAMPS TAUGHT US
Songs The Cramps Taught Us Vol. 1
Songs The Cramps Taught Us Vol. 2
Songs The Cramps Taught Us Vol. 3
THE HONEYMOON KILLERS: LOVE AMERICAN STYLE (1985)
Sim, brothers and sisters, mais uma tijolada dos Honeymoon Killers! Este álbum, assim como os outros dois que postei aqui no Polimorfismo Perverso há algum tempo, só podem ser encontrados (e com certa dificuldade) em vinil! Ou seja, são autênticas relíquias! Love American Style é o segundo disco dos nova-iorquinos, e como já falei sobre a banda em posts anteriores, seria terrivelmente redundante fazê-lo novamente. Ouçam esse disquinho e tenham pesadelos a noite inteirinha.Link: Honeymoon Killers - Love American Style (1985)
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
FREE KITTEN: INHERIT (2008)
Onze anos separam este Inherit de Sentimental Education (1997), o último lançamento do Free Kitten - projeto paralelo de Kim Gordon do Sonic Youth com a menina Julie Carfritz do Pussy Galore. Em Inherit, Kim e Julie resgatam velhas influências, acenando para os Stooges e para no wave, com uma ajudinha da baterista Yoshimi P-We das Boredoms e do taciturno J Mascis do Dinosaur Jr., que tocou em duas das onze faixas do álbum: "Surf's Up" e "Bananas". Very fucking cool!
Link: Free Kitten - Inherit (2008)segunda-feira, 10 de agosto de 2009
FRAGMENTOS DA PUNKITUDE SOLAR
Qual quer que seja o pesadelo que tenhamos, nele sempre representamos um papel, sempre somos protagonistas, somos alguém. Durante a noite o deserdado triunfa. Se os maus sonhos fossem suprimidos, haveria revoluções em série. A ira insolente e depravada do urro de guerra punk foi um verdadeiro pesadelo revolucionário. Na música popular, encaixou-se – como não poderia deixar de ser – no habitual ciclo de destruição, reconstrução e cristalização. Punk demoliu a barroca podridão em que o rock, indolente, onanista, autocomplacente, exercia seu flerte com luxo e riqueza. Punk foi um fulminante agente temporário. Missão secreta, tarefa limitada: purificar pelo fogo do barulho indiscriminado. Cumpriu sua missão. A partir daí, não poderia permanecer como música – pois não era música nem se arrastar agonizante para a tumba da inutilidade, sob a gélida lápide da indiferença. Sem flash, estrondo ou ruído – para o mundo lá fora – em novembro de 81, no Stop, clube da zona leste de SP, acontece o primeiro festival punk da cidade, com Cólera, Olho Seco, Lixomania e Inocentes. Para se livrar de crise, desemprego, discriminação e angst urbana, o garoto de subúrbio não tinha cristais, anfetaminas ou pérolas: agora, uma gang em formação e gritos acumulados sobre guitarras distorcidas o levavam à obscuridade e embriaguez de antes do desencadeamento da luz. Finalmente encontrava um êxtase ininterrupto no cerne da opacidade original. Punk tropical: uma experiência interior.
Vestidos de negro, cool, assexuados, esguios, os garotos começaram a invadir as galerias do Centrão, escavando rizomas nos corredores dos escritórios, perturbando a atonia dos pedestres descarnados, jogando sua nova identidade na cara da cidade com um cuspe gelado. Negras purulências no tecido urbano, discreta e silenciosa sabotagem de um estado geral de perplexidade, catatonia e conformismo. Tinham seu bunker: o Templo, clube da zona leste. Tinham sua trincheira: a Punk Rock Discos, 1º andar das Grandes e Podres Galerias da Avenida São João. Tinham suas armas: Xerox anunciando os shows na periferia e no ABC, fanzines cuidadosamente manufaturados em seu caos gráfico, a filosofia a marteladas dos discos da primeira fase punk – Sex Pistols, Damned, Subway Sect, Slits, Killjoy, Drones, Rich Kids, X-Ray Spex, além dos mais refinados como Dead Kennedys, Alternative TV (punk fascistóide do movimento "oi"), com Exploited, Cockney Rejects, InfraRiot, heavy metal absolutamente analfabeto. Tentavam de toda formar recuperar o irrecuperável. Pois o apuncalhamento tropical corria alguns anos depois do surgimento nas matrizes, onde já se cultivavam outras coisas: Inputs étinicos, sax e sintetizadores, rap contando a barra pesada da selva, revival do soul, new pop, o pop reggae nas trancinhas louras, o culto do corpo – belo e saudável - , um vídeo em cada casa, todos os tipos de "disc" em um computador em casa mão. De igual, só a depressão – financeira e emocional. Aqui era mesmo a terra prometida dos últimos dos moicanos.
Agosto de 82: choque cultural. Os Inocentes vão tocar no mesmo Galery para uma platéia criptochic e quinze ou vinte punks autênticos. Um dos cretinos de plantão sorri debochado para Callegari, o guitarrista do grupo. Ele lhe devolve uma cuspida. Pânico na zona do sul. Punk passa das páginas de "cultura" para a seção de polícia. O Carbono 14 – ambíguo lar de todos os remanescentes e todas as vanguardas – faz uma semana punk. Mas é no Sesc-Pompéia que os noviços rebeldes debutam em estilo no grande baile podre da Sampa pós-moderna/pós-retrógrada.
Até aí – para a população – os punks eram algumas bandas dispersas, algumas "exóticas" figuras trajadas de negro, dois discos lançados – Grito Suburbano, com várias bandas, e o compacto do Lixomania – e uma irrecuperável postura selvagem. O festival Começo do Fim do Mundo os exibiu como macaquinhos de estimação para os "oba-obas" estilo Sesc e os aspirantes à vanguarda. Ninguém entendeu nada.
Depois disso – recuperados, expostos, qualificados e descartados – os punks paulistas foram deixados em paz. Incomodam demais a boa consciência para virarem motivo de polêmica entre a letárgica intelectuália nativa. Foi lançado o disco do Fim do Mundo – com intervenções de todas as bandas e produção e audição anfetamínicas. Saiu também Sub, em vinil vermelho, com várias bandas, e Miséria e Fome, compacto dos Inocentes. Nele, a mensagem básica: "De tudo o que vivi/ de tudo que eu vi/ só uma coisa aprendi/ aprendi a odiar". Em março de 83 os punks vão para o Rio e incendeiam o Circo Voador: duas mil pessoas, entre Hell’s Angels tropicais, hippies de bata branca, intelectuais desenganados, prostitutas bêbadas e surfistas entram em transe. O Globo registra o saudável tumulto em uma página.Discografia selecionada
O Começo do Fim do Mundo (Sesc Pompéia - 1982)
SUB (R.D.P., Cólera, Psykóze, Fogo Cruzado - 1983)
Olho Seco - Botas, Fuzis e Capacetes (1983)
Inocentes - Miséria e Fome (1983)
Ratos de Porão - Crucificados Pelo Sistema (1984)
Ataque Sonoro (R.D.P., Lobotomia, Armagedon - 1985)
Psychic Possessor - Nós Somos A América Do Sul (1985)
Lobotomia - Lobotomia (1987)
terça-feira, 4 de agosto de 2009
THE DEL-VETTS: LAST TIME AROUND EP
Em maio de 1966, um grupelho norte-americano da cidade de Chicago, no estado de Illinois, chegou detonando com uma das mais impactantes punk songs dos sixities, o hit single "Last Time Around". Na seqüência, o quarteto apareceu com mais um registro, este EP cujo sensacional rave-up nos arranjos de fuzz-guitar e melodias pop nitidamente inspiradas na invasão britânica, não deixa dúvidas quanto a influência que os Del-Vetts exerceram sobre o punk rock e a new wave nova-iorquina da década seguinte.Link: The Del-Vett - Last Time Around EP (1966)
THE ROB TYNER BAND: DO IT (1975)
Muito bem, dando seqüência aos posts de roque pauleira, aqui vai mais um que certamente fará a alegria da meninada ávida por preciosidades ligadas aos (sempre presentes neste blog) Stooges e MC5. Sim, eu reconheço isso! Do It, é um registro ao vivo da Rob Tyner Band, grupo que começou como uma idéia estapafúrdia de Tyner de reformular o MC5 com novos integrantes. Descontando este despautério inicial, o menino Rob dá uma verdadeira aula do que é feito o melhor rock 'n' roll!Link: New Order - Declaration of War (1975)
domingo, 2 de agosto de 2009
WAYNE KRAMER WITH DODGE MAIN
Desde os tempos do MC5, Brother Wayne Kramer é associado ao que há de mais ousado, hiperativo e perturbador no cenário musical. Neste projeto, ele divide os créditos com outros ícones do barulho - Scott Morgan (Ex-The Rationals e Sonic's Rendezvous Band) e Deniz Tek (do grupo punk australiano Radio Birdman) - para prestar um tributo à cena rock de Detroit e a companheiros já falecidos: Rob Tyner, Fred "Sonic" Smith e Dave Alexander (baixista dos Stooges). No cardápio, clássicos do MC5, dos Stooges, da Sonic's Rendezvous Band, do Radio Birdman, algumas inéditas da rapaziada e uma esperta versão para um reggae de Jimmy Ciff (!).Link: Dodge Main - Dodge Main (Alive Records)
terça-feira, 28 de julho de 2009
BLUE CHEER: LOUDER THAN GOD!
O conceito de power trio surgiu ainda nos anos 60, em plena efervescência da era psicodélica. Este tipo de formação ficou conhecida por explorar ao máximo as possibilidades tecnológicas da época, em experimentações com distorção e microfonia, conduzidas com intensidade e selvageria em altíssimos decibéis que chegavam mesmo a beirar o limite do suportável. Os mais famosos power trios dos anos 60 foram o Cream e o The Jimi Hendrix Experience. Nenhum deles, é claro, foi tão barulhento, selvagem e radical quanto o lendário trio californiano Blue Cheer."Tenho muito orgulho de liderar uma das bandas que ajudou o heavy metal a se tornar realidade. No entanto, somos referência para grupos punks e talvez tenhamos sido igualmente influentes para o grunge e vários outros estilos. Nos anos sessenta, essas coisas não existiam. Éramos um power trio e só. Nem existia uma definição ou rótulo para metal na época. A música do Blue Cheer é barulhenta, honesta, crua, direta, e por isso influenciamos tantos estilos mais pesados."
Formado originalmente como um sexteto, por músicos egressos de bandas como Group B e Oxford Circle - em meados de 1966, na mesma San Francisco psicodélica do Grateful Dead e do Jerfferson Airplane -, o Blue Cheer logo perdeu metade de seus integrantes, que não suportaram o peso da primeira turnê. Assim, no início de 1967 o grupo decidiu seguir como um trio: Dickie Peterson (vocais e baixo), Leigh Stevens (guitarra) e Paul Whaley (bateria). A
chamada formação clássica do grupo, que gerou seus melhores trabalhos e estabeleu todo o estilo pelo qual eles são conhecidos e cultuados até hoje.Segundo os anais, a inspiração para o nome Blue Cheer teria vindo de um poderoso tipo de LSD que circulava naquela época, desenvolvido por um químico chamado Owsley Stanley - um doido que acabou se tornando uma espécie de guru dos rapazes. Stanley fazia parte daquela turma que andava com o pessoal do Grateful Dead e mantinha ligações com os Hell's Angels. Daí, o grupo também passou a ter estreitas relações com esta violenta gangue de motoqueiros, que comparecia em peso as não menos violentas apresentações do trio.
O Blue Cheer passou então a contar com o apoio de um dos fundadores dos Hell's Angels, um sujeito conhecido como "Gut", tatuador e artista plástico que, entre outras coisas, foi o responsável pela arte gráfica da banda nos primórdios. Gut tinha uma garota chamada Nancy Winarick, que foi a pessoa que bancou o primeiro registro do grupo, uma demo tape com três canções. A tal fita acabou caindo nas mãos do menino Abe "Voco" Kesh, um DJ de San Francisco que se prontificou a empresaria o grupo e rapidamente conseguiu um contrato de gravação com a Mercury Records.
Em janeiro de 1968, chega às lojas o hecatômbico álbum de estréia, Vincebus Eruptum, que fez um relativo sucesso na época. O disco, uma espécie de jam-session barulhenta e atonal, era a coisa mais brutal gravada até então. Na esteira do lançamento deste primeiro álbum, o Blue Cheer seguiu numa orgia de apresentações cada vez mais selvagens e violentas, onde não raro, as performances dos caras acabavam em quebradeiras generalizadas.As pessoas geralmente saiam espantadas! O som mega-amplificado das guitarras fazia a audiência recuar fisicamente devido a incrível rajada de barulho, o baixo pesado e ultra-distorcido, induzia abalos sísmicos, e eles tinham ainda aquele baterista monstruoso, que fazia Keith Moon parecer um maricas tocando. Pete Townshend, líder do Who, chegou até mesmo confessar ter ficado assustado com a fúria e intensidade do Blue Cheer, quando o trio abriu um show do Who em fevereiro de 68. Ron Asheton, guitarrista dos Stooges, é outro que saiu impressionado: "A gente tinha aberto pro Blue Cheer no Grande Ballroom (em Detroit), e eles tinham uma espécie de amplificadores Marshall triplo e eram tão barulhentos que chegava a doer, mas nós adoramos: 'UAU, amplificadores triplos, cara.'"
Para reiterar toda essa sanha, os garotos gravam no mesmo ano o segundo álbum, Outsideinside. O disco é uma perfeita continuação dos esporros registrados no álbum anterior e é considerado por muitos, a obra-prima do Blue Cheer. Neste segundo LP, o grupo deu uma evoluída, injetando uma certa dose de lisérgica aos temas, sem no entanto, perder o punch e a agressividade. O disco ainda trás inacreditáveis versões para "(I Can't Get No) Satisfaction", dos Stones e "The Hunter", do bluesman Albert King.
Outsideinside também marca o fim da primeira fase do grupo, com a saída do guitarrista Leigh Stevens. A partir daí, Peterson e sua gangue prosseguiriam por mais algum tempo, até meados de 1971, com uma rotatividade de músicos absurda, em discos cada vez mais distantes da sonoridade original. Dentre os discos lançados pela grupo durante este período, o melhor talvez seja o LP New! Improved!, terceiro álbum da banda, que conta com o legendário guitarrista do Other Half, Randy Holden (músico homenageado pelo Mudhoney em "Holden").
Em 1979, Peterson fez uma frustrada tentativa de revival, reativando o conjunto com outros músicos, no entanto, a coisa só vingou (ainda que relativamente) por volta de 1984, quando o baixista conseguiu convencer ao menos um dos integrantes originais a aderir ao projeto, o baterista Paul Whaley. Desta associação saiu o pouco expressivo The Beast Is Back (1985), seguido pelo ao vivo Blitzkrieg in Nüremberg' (1989), Highlight And Lowlives (1990), e algumas coletâneas e bootlegs. Em 1999 é a vez de outro álbum ao vivo, Hello Tokyo, Bye Bye Osaka. O último trabalho gravado em estúdio, What Doesn't Kill You, saiu em 2007. Não é nenhuma obra prima, mas ao menos mostra que os velhinhos ainda tem muita lenha pra queimar. Enfim, o menino Dickie Peterson e seus comparsas continuam aí em plena atividade, com sua eterna fama de mau, em shows tão ruidosos e barulhentos quanto os dos early years. Se aposentar pra quê, né?
Discografia selecionada BLUE EXPLOSION: A TRIBUTE TO BLUE CHEER (2000)Blue Cheer - Vincebus Eruptun (1968)
Blue Cheer - Outsideinside (1968)
Blue Cheer - Denver Family Dog (1968)
Blue Cheer - New! Improved! (1969)
Blue Cheer - Hello Tokyo, Bye Bye Osaka (1999)
Blue Cheet - What Doesn't Kill You (2007)
Blue Explosion é um disco tributo que traz em suas 16 faixas, bandas obscuras do chamado Stoner Rock empetrepando clássicos do power trio californiano Blue Cheer. É bem verdade que em discos desse tipo seja normal uma banda ou outra comprometer o resultado final, mas aqui, todos os participantes contribuíram com boas versões para algumas das músicas desta banda seminal, que ajudou a definir o conceito de rock pesado ainda nos anos 60.
segunda-feira, 27 de julho de 2009
WHERE THE PYRAMID MEETS THE EYE: A TRIBUTE TO ROKY ERICKSON (1990)
Where The Pyramid Meets The Eye é um disco em homenagem a Roky Erickson, o gênio visionário do grupo psicodélico sessentista 13th Floor Elevators. Neste interessantíssimo álbum tributo, artistas como Richard Lloyd, R.E.M., Jesus and Mary Chains, Primal Scream e Butthole Surfers, comparecem em intrigantes versões para algumas das maravilhas criadas por Erickson em sua acidentada, porém brilhante trajetória.sábado, 25 de julho de 2009
BUTTHOLE SURFERS: HAIRWAY TO STEVEN (Touch and Go)
Clássico do rock alternativo americano, Hairway To Steven é o sexto disco do demente grupo texano Butthole Surfers. O título deste álbum é um trocadilho infame com a famigerada "Stairway To Heaven" do Led Zeppelin, e a profusão de absurdos cometidos por estas criaturas neste LP é simplesmente inacreditável!
Sobre o curioso nome da banda Paul Leary certa vez revelou: "Butthole Surfers era o nome de uma música nossa. Sempre tivemos nomes estúpidos, primeiro Dick Clark Five, depois Vodka Family Winstons e Ashtray Baby Heads. Um dia fomos tocar num clube e o apresentador não sabia o nosso nome. Nessa época era Right To Eat Fred Astaire’s Asshole (O direito de comer o cu de Fred Astaire). Ele olhou para a lista de músicas e leu o nome da primeira música que viu... 'Butthole Surfers'. Nesse show ganhamos 150 dólares, então achamos que seria legal manter o nome."
Na época do lançamento de Hairway To Steven, o Butthole Surfers estava num ritmo alucinado de shows onde toda sorte de bizarrices acontecia no palco. Neste contexto, Hairway acaba sendo um disco que captura bem toda essa porra-louquice musical, num registro onde os caras levam aos extremos as já famosas barbaridades tramadas em estúdio. A cada faixa uma nova surpresa - em cada tema uma diferente manifestação do notável desequilíbrio mental desse bando que conseguiu como ninguém, fazer dos mais ultrajantes signos do mau gosto, pura arte.
Link: Butthole Surfers - Hairway To Steven (1988)
sexta-feira, 24 de julho de 2009
BLACK FUTURE: EU SOU O RIO (1988)
O Black Future surgiu no underground brasileiro dos anos 80 com uma inusitada concepção estética: uma estranha simbiose que mistura histórias em quadrinhos, Antonin Artaud e ideologia punk, em contundentes letras-poema declamadas sob uma base instrumental sem pares. Neste sensacional disco de estréia, lançado em 1988, e produzido pelo músico e crítico musical Thomas Pappon, o grupo carioca injeta atitude punk e experimentalismos eletrônicos em seu samba-noise assessorado por membros do Ira!, Defalla, Fellini, Kongo, Coquetel Molotov e Titãs.
