sábado, 2 de julho de 2011

A BUCKET OF BLOOD (1959)

Walter Paisley é um garçon abobalhado que sente ciúmes dos artistas e poetas que se apresentam no cabaret em que trabalha. Seu maior sonho é criar uma escultura de seu amor secreto, a bela Carla, mas não tem qualquer talento para moldar seu rosto no gesso. Atormentado por não conseguir, Walter se irrita com o gato da senhoria que está preso na parede de seu quarto, mas ao tentar abrir um buraco com um picador de gelo acaba por enterrar o instrumento no corpo do animal. Sem saber o que fazer, resolve cobrir o bicho com gesso, e quando mostra o resultado como uma escultura, todos no cabaret o reverenciam como um talento nato.

Feliz com o tratamento recebido, ele agora teria que provar sua capacidade criando uma nova obra, mas ao ser abordado por um policial que investiga venda de drogas, Walter acaba matando-o com uma frigideira. Logo percebe que poderia criar novas esculturas cobrindo cadáveres com gesso e sua fama dependeria de conseguir novas vítimas.Pérola do humor negro realizada pelo gênio criativo de Roger Corman em apenas cinco dias e com um orçamento mixuruca de cinco mil dólares (!). O roteiro é de Charles Griffith, que colaboraria em mais dois cult movies de Corman: Little Shop of Horrors e Creature of The Haunted Sea.

Link: Roger Corman's A Bucket of Blood (1959)

terça-feira, 28 de junho de 2011

MONDO TOPLESS: FREAKING OUT (2010)

O Mondo Topless surgiu em meados de 1992, época em que as atenções se voltavam para o chamado grunge rock. Os meninos da banda, no entanto, não se apertaram, preferindo apostar suas fichas em sonoridades mais ruidosas, na praia de grupos sessentistas como The Standells, Chocolate Watchband, The Seeds e MC5. Até onde sei, este Freaking Out é o último lançamento dos caras. O álbum é composto basicamente por versões para clássicos garageiros de diferentes épocas. Da psicodelia dos Electric Punes à descarga de adrenalina da Sonic’s Rendezvous Band.

Link: Mondo Topless - Freaking Out (2010)

domingo, 26 de junho de 2011

JESUS AND THE GROUPIES: BLACK HEART INDUSTRY (2011)

Após assumirem os botões em gravações, mixagens e produção de várias bandas no Estúdio Caffeine em São Paulo, Luis Tissot aka Mr. Alabama (Human Trash/Backseat Drivers) e Marco Butcher (Uncle Butcher/Jam Messengers), decidem entrar madrugada à dentro experimentando diferentes timbres e sons para criar aquilo que ambos perceberam ser necessário naquele momento: um duo explosivo e sujo, com uma sonoridade que fizesse encontrar influências em comum, mergulhando na elegância do delta blues nadando até o garage rock visceral e cru.

Chuck Violence

Link: Jesus and The Groupies - Black Heart Industry

sábado, 25 de junho de 2011

BUSCA ALUCINADA - PSYCH-OUT (1968)

No auge da cultura psicodélica, Psych-Out é centrado sobre o personagem da fugitiva Jennie (Susan Strasberg), abrigada por uma comunidade hippie onde uma banda de rock liderada pelo freak Stoney (Jack Nicholson) encarrega-se de dar-lhe apoio para que encontre o irmão Steve (Bruce Dern). Vítima de um trauma familiar, Jennie é surda, mas tem a capacidade de compreender a linguagem dos novos amigos através dos movimentos labiais.
Determinada a encontrar Steve a qualquer custo, ela circula pelo underground de Frisco, ganhando a inesperada solidariedade de Stoney e seus companheiros chapados, como vigoroso registro da estética psicodélica, onde marijuana, LSD e STP representavam as drogas da moda, responsáveis pelo componente transgressor buscado por jovens da classe-média norte-americana imbuídos da cultura flower power.

Link: Busca Alucinada - Psych-Out (1968)

sexta-feira, 24 de junho de 2011

ILSA THE TIGRESS OF SIBERIA (1977)

Terceiro longa-metragem da série iniciada com o clássico exploitation Ilsa, She Wolf of the SS, de 1975. Desta vez Ilsa (Dyanne Thorne) é uma camarada coronel russa em um Gulag no final da era stalinista. Como de costume Ilsa transa, tortura e mata (não necessariamente nesta ordem) com a autoridade de uma dominatrix politicamente incorreta. Diversão recomendada para toda família!

Link: Ilsa The Tigress of Siberia (1977)

domingo, 19 de junho de 2011

O BOTEQUIM

Por Erivaldo Mattüs
Sábado à Noite? É dia de botequim! Vamos lá falar sobre como somos diferentes, de nossas roupas das liquidações Riachuellistas ou da faculdade eternamente inconcluída. Deseja saber a fórmula do sucesso? Na wikipedia, procure conceitos sobre o Woody Allen e Almodovar! Aos mais ousados, leiam Paulo Coelho ou Nietzsche e finjam ter entendido o tal O mago picareta na terra de Zaratustra. Diversão sádica e inconsequente regada a cervejas sem álcool ou o clássico heinekenismo financiado por riquezas que você não tem! Isso é sua realidade?

Ainda não é 'vegetariano fashion'? Ihhhhhh...

No dia seguinte, esperar aquela guria (que não fica com garotas há dois anos) adicionar-me no Templo Orkutista ou cutucar meu anus no Facebook. Onde estão nossas almas? Onde foi parar minha vida? Numa faculdade ou shopping qualquer, não se sabe ao certo. Mas, com certeza, no sábado à noite, os bons espíritos estão no botequim, porque é lá que todos devem estar e lá é onde as velamos, cultuando nossa existência besta...

Massayo era uma Sereia que, em tempos difíceis, virou profissional do sexo nas bordas do Lampião...

domingo, 12 de junho de 2011

THE HONEYMOON KILLERS: HONEYMOON KILLERS FROM MARS (1984)

Primeiro álbum do grupo nova-iorquino The Honeymoon Killers, um dos segredos mais bem guardados do underground americano dos anos 80. Sonzeira trash no limite: sujo, barulhento e maravilhosamente esculhambado - este disco é o que os caretas rotularíam fácil, fácil como um produto impróprio pra o consumo humano. Aqui a podreira terminal dos caras está bem mais acentuada do que nos álbuns subsequentes - alguns dos quais, já apresentados aqui no Polimorfismo já há um bom tempo. Disco raro e nunca editado em formato CD.

Link: The Honeymoon Killers From Mars (1984)

sexta-feira, 10 de junho de 2011

JOHN WATERS: MONDO TRASHO (1969)

Filmado em P&B e praticamente sem falas, o filme de 95 min honra o baixíssimo orçamento de 2 mil dólares ao contar a história de uma garota (Mary Vivian Pearce) que após ser atacada em um parque por um podólatra, é atropelada por Divine, distraída pela presença de um homem nu pedindo carona na rodovia. Com a defunta em seu carro, Divine passa por várias situações nonsenses ao redor de Baltimore contando com aparições da Virgem Maria até chegar ao consultório do estranho médico que troca os pés da defunta por pés de galinha, ressuscitando a garota. A sequência inicial do filme não é recomendada para defensores dos animais. Mondo Trasho nunca foi lançado comercialmente. Segundo Waters, as músicas usadas ao longo do filme não foram legalmente autorizadas e seria financeiramente inviável pagar todo os direitos autorais ou reeditar o áudio. Tecnicamente o filme é bem tosco, assim como a história. Vale assistir pela curiosidade.

Link: John Waters - Mondo Trasho (1969)

quarta-feira, 8 de junho de 2011

PINK FLAMINGOS ORIGINAL SOUNDTRACK

Geralmente os fãs das podreiras produzidas pelo rei do trash John Waters são as mesmas pessoas espertas que se amarram em bandas como o Cramps, por exemplo. A identificação entre a estética criada por Waters em seus melhores momentos, em meados dos anos 70, e o universo que compõe a mitologia da banda da menina Poison Ivy, é total. E as sacadíssimas trilhas sonoras dos filmes do menino John, sempre repletas de obscuridades do rock mais sujo e depravado produzido nos anos 50 e 60, são uma prova disso. A trilha deste Pink Flamingos é tão divertida quanto o filme. Temos aqui pérolas do inimitável Link Wray, dos Centurions, dos Trashmen, dos Nighthawks e muito mais. Preste atenção!

Link: Pink Flamingos Original Soundtrack (1972)

sábado, 4 de junho de 2011

VIRUS 100 (Alternative Tentacles)

Esta fantástica coleção de impetrepações de temas dos Dead Kennedys foi lançada originalmente em maio de 1992 em caráter comemorativo: foi o centésimo lançamento da Alternative Tentacles, gravadora independente do ex-vocalista do grupo, o carismático Jello Biafra. Trata-se de um dos melhores discos tributos já lançados. O pessoal do selo fez tudo direitinho. Juntou praticamente todos os contratados e mais um punhado de nomes espertos do underground mundial e disse pra rapaziada: "olha aqui meu filho, toma isso aqui e toca alguma coisa da banda do chefe". Ou algo do tipo... Destacar qualquer uma das covers seria bobagem. Todos os artistas saíram-se bem cada um a sua maneira, adicionando elementos característicos as composições dos Kennedys e, ao mesmo tempo, preservando a essência e o senso de humor das gravações originais. Imperdível!

Link: Virus 100 - Tributo aos Dead Kennedys (1992)

Faixas:

1. Police Truck - The Didjits
2. Too Drunk To Fuck - Evan Johns & His H-Bombs
3. Halloween - Alice Donut
4. Let's Lynch The Landlord - Faith No More
5. Nazi Punks Fuck Off - Napalm Death
6. Forward To Death - Nomeansno
7. Chemical Warfare - Steel Pole Bathtub
8. Saturday Night Holocaust - Neurosis
9. Moon Over Marin - Les Thugs
10. Ill In The Head - Victims Family
11. California Uber Alles - The Disposable Heroes Of Hiphoprisy
12. Winnebago Warrior - Mojo Nixon & The Toad Liquors
13. Drug Me - Sepultura
14. Insight - Kramer
15. Let's Lynch The Landlord - L7
16. Holiday In Cambodia - Sister Double Happiness

sábado, 28 de maio de 2011

THE ORIGINAL GHETTO STYLE: GIL SCOTT-HERON (1949-2011)

Morreu ontem, por volta das 17h, o cantor e escritor Gil Scott-Heron. A causa da morte do artista ainda não foi divulgada. Scott-Heron foi um dos mais brilhantes e incisivos letristas da história da música pop americana e um ficcionista acima da média. No começo do ano passado ele lançou um novo disco após um longo período de afastamento. E, você sabe, esse tipo de coisa não dá para deixar passar em branco. Sugeri então uma pauta para o Caderno B da Gazeta de Alagoas, da qual saiu este textinho que você confere a seguir.

ELE NÃO É NOVO AQUI
Gil Scott-Heron renasceu. Os conturbados anos em que errou pelos becos e esquinas de Nova York, em meio a uma espiral decadente de álcool e drogas, parecem ter ficado para trás. O cantor, compositor, poeta, pianista e ficcionista afro-americano que disparou verdadeiras bombas verbais contra o establishment na virada dos anos 60 para os 70, em clássicos como “The Revolution Will Not Be Televised”, está de volta. E, finalmente, em paz consigo mesmo. Conhecido por sua articulada retórica combativa, após um hiato de 16 anos ele ressurge num novo álbum, que é todo reminiscência.
Aclamado pela crítica mundial como um dos grandes discos da década, I’m New Here mostra um Scott-Heron reflexivo, a dissecar erros do passado e exorcizar demônios tal qual um velho bluesman que entoa palavras carregadas de sabedoria. O responsável pelo comeback é o inglês Richars Russell, proprietário do selo XL Recordings e fã incondicional de Heron. A exemplo do que fez o produtor americano Rick Rubin com Johnny Cash, ao dar novo gás ao trabalho do lendário músico country, Russell decidiu ir atrás do artista seminal – ele pôs na cabeça que seria o responsável por seu retorno à cena musical, e não mediu esforços para fazê-lo em grande estilo.
A história teve início em 2006, quando Heron cumpria pena na Ilha Riker, em Nova York, e Russell foi visitá-lo na cadeia com a proposta de uma colaboração musical. Após longas conversas, o entusiasmo do produtor em vender a ideia do projeto acabou por convencê-lo. “Quando eu tinha 19 anos, tranquei a matrícula na faculdade para terminar de escrever um livro. Não para publicá-lo, mas sim para terminá-lo. O fato de que foi publicado é muito bom, mas completar o projeto foi a ideia. Então eu imaginei que valeria a pena ver o que aconteceria com o projeto do Richard Russell”, explicou ele.
I’m New Here é um disco à altura dos melhores trabalhos de Scott-Heron. A produção cuidadosa e, sobretudo, reverente, resultou num álbum moderno, que cumpre a função de sintonizar seu grande talento com o novo milênio, mas sem jamais descaracterizá-lo.
Scott-Heron surgiu no cenário musical norte-americano num período de grande turbulência. Aos 21 anos, ele já havia percebido que os paradigmas da comunidade negra dos anos 60 estavam se esvaindo em contradições e incompatibilidades ideológicas. A movimentação pelos direitos civis estava por um fio, assim como a milícia revolucionária dos Panteras Negras, que começava a se desestruturar com as constantes ofensivas do F.B.I. durante a gestão de crápulas como Richard Nixon e Spiro Agnew. A disseminação das drogas nos guetos das grandes metrópoles – segundo teorias conspiratórias, obra da C.I.A. – se encarregou do resto do serviço. Em letras e poesias repletas de observações agudas sobre essa realidade, o jovem Gil Scott-Heron tecia versos afiados com acompanhamento de percussão, tornando-se um dos “pais” do que posteriormente ficaria conhecido como rap.

O artista nasceu em Chicago, Illinois, no dia 1º de abril de 1949. Seu pai, Giles “Gil” Heron, era um jogador de futebol de origem jamaicana, também chamado de “The Black Arrow”, e foi um dos primeiros atletas negros a jogar pelo Glasgow’s Celtic Football Club nos anos 50. Sua mãe, Bobbie Scott-Heron, era uma acadêmica Magna Cum Laude em Biblioteconomia. O primeiro baque na vida do pequeno Heron aconteceu ainda na infância, quando seus pais se separaram e ele foi viver com a avó materna, Lillie Scott, em Lincon, no Tennessee. Dela absorveu a paixão pela poesia e pela música, aprendendo a tocar piano e cultivando fervorosa admiração pelo blues, pelo jazz e pelo soul.

Na escola, porém, Heron sentiu na pele a estupidez do preconceito racial. Não era nada fácil ser um menino negro no sul dos EUA dos anos 50. Na qualidade de uma das três únicas crianças negras da escola primária de Jackson, ele sofreu perseguições constantes por parte dos garotos brancos de lá. Mas o pior ainda estava por vir.
Com a morte da avó, aos 13 anos, Gil Scott-Heron foi viver com a mãe em Nova York, onde conheceu a violência de perto, em meio a um ambiente de explosiva multiplicidade étnica. Guerras entre gangues, tráfico de drogas e repressão policial faziam parte de um cotidiano onde negros e imigrantes penavam para sobreviver. Foi nesse depósito humano, entre o Harlem, o Bronx e a vizinhança hispânica de Chelsea, que Heron transitou e onde foi capturando os flashes de realidade que posteriormente serviriam de matéria-prima para sua verve literária.

Aluno brilhante, na escola particular onde estudou durante a adolescência se dedicou a pesquisas sobre a produção de autores brancos como Agatha Christie, Erle Stanley Gardney e Raymond Chandler, mas sua grande influência foi o poeta negro Langton Hughes. Em 1968, então com 19 anos, ganhou uma bolsa para a Universidade Lincoln, na Pennsylvania, onde conheceu Brian Jackson, multi-instrumentista com quem, durante boa parte da década de 70, estabeleceria uma frutífera parceria musical.
Na Lincoln, durante as horas vagas o estudante trabalhava num romance, uma história sobre assassinato ambientada nos guetos de Nova York. A obra viria a ser seu primeiro livro, The Vulture (Abutre, lançado em 2002 no Brasil, pela Conrad), publicado originalmente em 1970. Para se concentrar com exclusividade na finalização do projeto, Heron trancou o curso na faculdade, pois achava que o resto de sua vida dependia da conclusão desse trabalho.

Abutre foi muito bem recebido pela crítica à época e, num curto intervalo de tempo, mais um de seus trabalhos foi publicado. Dessa vez um livro de poesias, A New Black Poet: Small Talk at 125th & Lenox, seguido por um álbum de mesmo nome lançado pelo selo Flying Dutchman do renomado produtor de jazz Bob Thiele – o disco trazia poemas declamados com vocalizações “proto-rap” acompanhadas por percussão afro, as quais ofereciam as bases para o que mais tarde seria conhecido como “rhythm and poetry”, ou seja, o rap.

Em 1971, chega às lojas o segundo álbum de Heron, Pieces Of A Man, gravado com feras como Ron Carter (baixo), Bernard “Pretty” Purdie (bateria), Hubert Laws (flauta/sax) e o amigo dos tempos de faculdade Brian Jackson (piano). Nele, o cantor incorpora elementos de jazz, soul e blues em canções como a faixa título, na belíssima “Lady Day and John Coltrane” e no manifesto “The Revolution Will Not Be Televised”. O contrato com o produtor Bob Thiele e a Flying Dutchman renderia mais um LP: Free Will, de 1972.

Nesse mesmo ano é publicado seu segundo e último romance, The Nigger Factory, algo como “A Fábrica de Crioulos”, em livre tradução. Em 1974, Scott-Heron registra com Brian Jackson o refinado Winter in America. Com um bom contrato de gravação assinado em 1975 com a Arista (nova gravadora do gigante da indústria do disco Clive Davis), a dupla funda uma nova formação, a Midnight Band, e lança uma série de álbuns antológicos ao longo dos anos 70.

A parceria com Jackson finda em 1978, quando nosso herói passa a trabalhar com o tarimbado produtor Malcolm Cecil, que assinou os melhores de Steve Wonder. O primeiro single gravado com Cecil, “A Bottle”, foi seu maior êxito comercial. Os temas agora enfocados são a Guerra Fria, o apartheid e o panorama sociopolítico do Terceiro Mundo. No geral, porém, os anos 80 não foram um período muito favorável para o letrista.
Como bem sintetizou o crítico e escritor Alex Antunes no prefácio da edição nacional de Abutre, a década de 80 foi uma “época em que a caretice yuppie grassou e desgraçou a cultura pop”. Ainda assim, o músico lançou pelo menos quatro excelentes discos, projetando sua artilharia em direção à política conservadora do então presidente dos EUA, Ronald Regan, atacado ferozmente em singles como “R&B hits”, “B Movie” e “Re-Ron”. Foi assim até o álbum Moving Target, de 1982. Depois disso, Gil amargou um período de ostracismo de cerca de uma década, sem contrato de gravação e apresentando-se esporadicamente com a banda Amnesia Express. Nesse ínterim, sua música sobreviveu nos samples de rappers como A Tribe Called Quest, P.M. Dawn, e KRS-One.Em 1994, o artista retorna à lida criativa com o festejado Spirits, cuja faixa de abertura, “Message To The Messengers”, é um categórico puxão de orelha na geração gangsta. No ano seguinte, seus dois primeiros livros são relançados pela editora escocesa Payback Press (especializada em literatura afro-americana e detentora dos direitos de publicação das obras de Scott-Heron). Foi esse relançamento, pela Payback Press, que tornou possível a publicação de Abutre no Brasil.

Em 2001, após outro longo hiato pontuado por queixas de agressão, especialmente de sua ex-esposa, excessos e outras degradações – casos que invariavelmente o lavavam a “visitas” a penitenciárias –, Heron voltou a se apresentar ao vivo, para em novembro daquele ano ser trancafiado mais uma vez por uma juíza da Suprema Corte de Nova York, ao ser apanhado durante uma batida em Manhattan portando cocaína e crack – pena aumentada por seu mau comportamento na Corte no dia do julgamento.
“Eu imaginei que ia pegar uns 30 dias e isto era o que era esperado, mas a juíza fez uma intervenção e preferiu trocar o julgamento para crime grave. Ela recomendou um programa especial para mim e eu pedi para ela sair fora. Então, com essa reação, desrespeitei a Corte, acrescentado mais um agravo ao que já estava acontecendo. Bom, eu concordei que tinha sido desrespeitoso e recebi mais uma condenação. Quer dizer, as coisas foram indo de mau a pior”. Agora em liberdade e com novo disco na praça, o artista retoma seus trabalhos com fôlego renovado, excursionando por toda a Europa e Estados Unidos.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

JIMMY SMITH: ORGAN GRINDER SWING

Álbum da pesadíssima do lendário organista Jimmy Smith, seguramente o real precursor do gênero acid jazz. Organ Grinder Swing é um disco que o homem gravou em 1965, período em que fazia parte do cast do venerável selo Verve. O disco é composto por jams registradas ao lado de figuras do calibre de Kenny Burrell (guitarra) e Grady Tate (bateria). Com essa formação enxuta, Smith parece bem a vontade em temas especialmente inspirados, como na arrepiante faixa-título e nas clássicas "Blues For J", "Oh No, Babe" e "Greensleeves", com um solo de quase 7 minutos (!)

Link: Jimmy Smith - Organ Grinder Swing (1965)

terça-feira, 24 de maio de 2011

BACKSEAT DRIVERS: WALKABOUT (2011)

Novo lançamento dos meninos do Backseat Drivers, banda garageira por definição, com certo acento 'black' e que, a um só tempo, faz a alegria de rockers e modernos de todos os matizes na noite paulistana. Sonzeira epiléptica, com influências de Bo Diddley, garage rock dos anos 60, punk da década de 70 e de abortos sonoros da cena underground nova-iorquinos dos 80.

Link: Backseat Driver - Walkabout (2011)

IGGY POP: NUGGETS (Skydog)

Iggy Pop, como todos devem saber, é aquele moço que canta naquela banda favorita de dez entre dez bilhões de jovenzinhos que se amarram em pagar de bacanas na internet. Na verdade, postar qualquer coisa do menino Iggy a essa altura do campeonato, é de uma estupidez e de uma redundância terrivelmente vergonhosas de minha parte. Mas como esse disquinho duplo possui faixas que até os mais descolados talvez desconheçam, e como anteriormente apenas eu mesmo havia postado esse negócio na web (aqui no Polimorfismo mesmo, inclusive), acho que tá valendo, então.

Link: Iggy Pop - Nuggets (1999)

THE GUN CLUB: MIAMI (1982)

Na época do lançamento desse segundo LP, o combo psycho-punkabilly do menino Jeffrey Lee Pierce tinha a difícil tarefa de superar (ou ao menos manter o mesmo nível) de sua genial estreia com Fire of Love. Produzido pelo líder do Blondie Chris Stein, para o seu selo Animal Records, Miami é um álbum menos vigoroso que seu antecessor, mas possui momentos igualmente preciosos. As intensas “Devil In The Woods”, “Slepping In Blood City” e a arrepiante cover de “Run Through The Jungle”, do Creedence Clearwater Revival, valem o espaço tomado no seu HD.

Link: The Gun Club - Miami (1982)

domingo, 22 de maio de 2011

Estivemos fora do ar por alguns instantes por falta de energia elétrica, retornamos agora à nossa programação normal... É isso aí, putada! o Polimorfismo voltou, e voltou pior do que nunca! E pra você garotinho juvenil que não consegue nem dormir direito após ouvir àquelas diabólicas maravilhas garageiras dos primórdios dos Stones e dos Pretty Things, este disquinho é uma compilação de muitos dos temas originais que essa moçada gravou antes mesmo de aprender a tocar. É o bê a bá da British Invasion em 27 lições!

Link: Stoned Alchemy - 27 Blues and R&B Hits That Inspired The Rolling Stones

sexta-feira, 25 de junho de 2010

THE SEEDS: RAW & ALIVE/RARE SEEDS

Hoje está todo mundo lembrando a morte do Michael Jackson, mas no mesmo 25 de junho de 2009 outro grande nome da música faleceu - o menino Sky Saxon, líder da banda psicodelica de garagem The Seeds. Então, para evitar qualquer injustiça o Polimorfismo faz questão de preservar a memória desse velhinho da pesada que tão humildemente prestou o inestimável serviço de pôr tanta gente legal no mau caminho. Este disco aqui reune num só CD dois registros dos Seeds: o raivoso álbum ao vivo Raw & Alive e a coletânea de lados-B e outtakes, Rare Seeds. See ya!

quinta-feira, 24 de junho de 2010

THE ROLLING STONES: EXILE ON MAIN ST.

Por Julliana Bauer
Quase quarenta anos após o lançamento do álbum, a banda agora coloca no mercado uma versão reeditada de Exile On Main St. em CD duplo, com dez faixas inéditas. A novidade já atingiu o topo das listas de vendas na Inglaterra. Para acompanhar o CD ainda vem um DVD com trechos do “documentário proibido” dos Stones, Cocksucker Blues – a edição poderá ser adquirida pelos fãs brasileiros a partir do dia 30 de junho. Mas é claro que não se deve esperar que o que tornou o tal documentário proibido, em ação judicial movida pelos próprios músicos, apareça nesse DVD. Dentre essas cenas, que já vazaram na internet ano passado, há o registro de Mick Jagger usando cocaína e olhando diretamente para a câmera. Keith Richards aparece totalmente fora de órbita, dopado pela heroína. Groupies e roadies dividem drogas em um clima tardio de Geração Amor.Embora as principais razões para uma reedição de um álbum como esse sejam obviamente financeiras, em recente entrevista em um talk show americano, o apresentador perguntou a Keith por que não escolheram para relançar algum dos outros títulos considerados mais importantes para a banda, como Sticky Fingers ou Let it Bleed. A resposta foi direta: “Porque merece uma segunda rodada”. E o fato é que são tantas as lendas que envolvem o exílio dos Stones na Riviera francesa nessa época que seria besteira se optassem por qualquer outro disco para voltar à tona. É difícil encontrar um fã dos Stones que não saiba contar ao menos uma história que envolva a produção do Exile On Main St. São tantos os boatos sobre adultério, intrigas entre membros da banda e lendas sobre a inspiração para a composição de músicas que o escritor Robert Greenfield chegou a escrever um livro que narra as histórias de bastidores da criação do álbum. Uma Temporada no Inferno com os Rolling Stones, lançado no Brasil em 2009 pela editora Zahar, destrincha o estilo de vida dos cinco roqueiros durante a estadia na mansão Nellcote. Greenfield conta, por exemplo, que Anita Pallenberg, esposa de Keith Richards na época, chegou a considerar abortar por achar que poderia estar grávida de Mick Jagger.

Julgamento do tempo

Além disso, trata-se de um trabalho que reúne influências de blues, country e rendeu uma série de clássicos para a banda, como “Tumbling Dice”, “Rocks Off” e “Sweet Virginia”. Entre as dez faixas inéditas, há uma nova versão de “Loving Cup”, ressuscitada no documentário Shine a Light, de Martin Scorsese, em 2008. (Mas a verdade é que pelo menos um terço das faixas desse álbum não foram compostas na França, e sim eram canções que já estavam finalizada e simplesmente não entraram em trabalhos anteriores. Foi o caso de “Shine a Light” e “Sweet Virginia”, por exemplo.)
Quando o disco foi finalmente lançado, em 1972, a crítica e os fãs não o receberam de forma muito fervorosa. Não chegou a ser classificado como um trabalho ruim, mas também não causou tanto entusiasmo quanto alguns discos anteriores. Foi com o tempo, necessário ao amadurecimento tanto do disco quando do público, que ele passou a ser visto como um dos melhores trabalhos da carreira da banda – e a ter o status de um dos melhores discos de rock da história. Agora, 38 anos depois, essas dez boas “novas” faixas, que estão em sintonia com o que representavam os Rolling Stones nos anos 70, são apresentadas aos fãs. Pena que seja tarde demais. Eles já se tornaram uma banda que move multidões mais por seu caráter histórico do que por seus trabalhos mais recentes. E parecem estar mesmo cientes dessa condição. Afinal, a reedição do seu disco mais nostálgico é apenas mais uma prova disso.
Em 1971, os Rolling Stones deviam uma fortuna à Receita Federal da Inglaterra. Eles já era figuras célebres havia cerca de oito anos e descobriram que os impostos da banda não foram pagos durante todo esse tempo. A saída encontrada foi “à francesa”: embarcar em uma viagem para a Riviera, onde gravariam um disco para fazer em seguida uma turnê pelos Estados Unidos. Assim dava conseguir acertar as contas com a Rainha.

Foi aí que o exílio começou para Mick Jagger, Keith Richards, Mick Taylor, Bill Wyman e Charlie Watts, a então formação do grupo na época. Levaram esposas e filhos para a França, para produzir o disco que se tornaria o mais aclamado da carreira da banda. Mas o fato é que, de toda a extensa discografia dos Stones, dificilmente algum outro disco tenha sido composto e produzido de forma mais adversa do que Exile On Main St. As sessões se davam em um porão muito quente, em uma mansão chamada Villa Nellcote, alugada por Richards, e os músicos levaram muito mais tempo do que o previsto para a conclusão do álbum. Era o auge do vício em heroína do guitarrista que invariavelmente abandonava os ensaios alegando que ia colocar o filho Marlon na cama – e só era encontrado horas depois, com agulhas ainda enterradas no braço.Mesmo assim, Exile On Main St. tem muito mais influência de Keith do que de Mick. É neste álbum que aparece pela primeira vez a música que se tornaria a assinatura do estilo de vida do guitarrista, “Happy”. Mick Taylor, que assumiu o posto de Brian Jones, morto dois anos antes, teve papel fundamental durante toda a estadia da banda em Nellcote. Embora o próprio músico tenha assumido anos mais tarde que nunca conseguira acompanhar o mesmo ritmo particular dos demais Stones, ele leva crédito por grande parte das levadas de blues das faixas do disco. A canção “Ventilator Blues” leva esse nome como uma “homenagem” a Taylor, que só conseguia ensaiar no porão da mansão se houvesse algum ventilador ligado por perto.

sábado, 19 de junho de 2010

METEORANGO KID - O HERÓI INTERGALÁTICO (1969)

Por Luiz Otávio de SantiAs imagens vêm da Bahia, cidade de Salvador. Saído da “boca do inferno”, nome dado aos filmes produzidos no período áureo da estética marginal, na capital baiana, Meteorango retrata a revolta de um rapaz de classe média. Lula é o universitário cuspindo fogo nas tradições, enquanto eriça o gosto pela meta-referência à produção da época e pela pura curtição do fazer cinema. Procedimentos que representam alguma liberdade e que fazem o nosso tempo mergulhar naquele tempo. Demonstrado por mais esta mostra, nosso passado recente, em cinema, tem quase sempre o mesmo endereço: o da “esculhambação” dos pós-novos.

No meio do caldeirão da Tropicália, o filme tem o facho da leitura, a visão fenomênica de compor o painel de época ao misturar improviso, ficção e documentário. A obra é organizada em várias situações distintas, quase sempre envolvidas em humor e escatologia, em exagero e estranhamento. Logo nas primeiras imagens, Lula é o rapaz que anda de trás para a frente, em “câmera a ré”, ou melhor, é o Jesus trepado no coqueiro, que volta à cruz para agonizar.Vemos sangue, suor e suplício em meio aos créditos iniciais, e em seguida aparece a frase “esse filme é dedicado aos meus cabelos”.Lula é o meteorango universitário em busca de aventuras. Um baiano kid que acorda tarde e não faz nada na vida, “um vagabundo”, como diz a doméstica que o desperta todas as manhãs. É um giro pela cidade, é o sonho de matar o pai e a mãe vestido de Batman, é uma referência a Glauber e a Sganzerla, é um soco na câmera, é a roda de fumo na casa do amigo (onde ouvimos “Assim falou Zarathustra”, de Richard Strauss, em 2001, de Kubrick), é a irreverência no velório, quando bate a cinza do cigarro na cara do defunto, é o percurso de Lula de olho nos inventores e de braços abertos para a diversão.

THE STANDELLS: WHY PICK ON ME (1966)

O grupo californiano The Standells é o protótipo da banda punk dos anos 60. Sujos, feios e encrenqueiros, eles eram um bando tão casca-grossa que faziam os Stones parecerem os Monkees. Neste segundo álbum, o legendário grupo angeleno mostra porque nem sempre os bons sujeitos vestem branco e entregam mais um punhado de boas canções - "Mainline", "Why Pick On Me" e a já citada "Sometimes Good Guys Don't Wear White" (gravada pelo Minor Threat nos anos 80) são clássicos. Um disco tão bom que parece uma coletânea.